A perigosa opção pelas “escolas militarizadas”, por Nilson Lage

As "escolas militares" são escolas municipais comuns, eventualmente problemáticas, submetidas a comando das polícias estaduais. Nelas, por decisão disso aí de Brasília, PMs poderão fazer "bicos" como professores.

Colégio Pedro II - Custódio Coimbra, O Globo

A perigosa opção pelas “escolas militarizadas”, por Nilson Lage

Por má fé de uns e desinformação de outros, andam confundindo as “escolas militares” ou “escolas militarizadas”, que proliferam neste país entregue aos loucos, com os colégios militares mantidos pelas forças armadas federais em uma linha histórica iniciada no Século XIX pelo Imperial Colégio Militar do Rio de Janeiro.

São coisas diferentes.

Os colégios militares são instituições diferenciadas que contam com quadros de professores habilitados, instalações adequadas, planos didáticos consistentes e, até onde sei — espero, ainda — abertos à ciência e à cultura.

Seus equivalentes seriam o Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, ou os institutos federais, que viveram recente ciclo de expansão.

Da minha geração no Colégio Militar do Rio, turma de 1953, vieram oficiais superiores mas também pessoas de destaque no mundo civil. Meu número no Colégio era 1426. O 906 era o George Francisco Tavares, já falecido, professor de Direito e advogado de presos políticos a que se deve a vida de alguns e a liberdade de outros.

As “escolas militares” são escolas municipais comuns, eventualmente problemáticas, submetidas a comando das polícias estaduais. Nelas, por decisão disso aí de Brasília, PMs poderão fazer “bicos” como professores.

O projeto é, obviamente, formar milicianos, talvez alcaguetes, jovens treinados para delatar coletas, amigos. Não acontecerá em toda parte, porque nem todo efetivo das polícias militares joga nesse time, mas o que se pretende é calar nos jovens da base social brasileira, desde pequenos, o livre arbítrio, a autonomia cultural e o juízo crítico; minar relações de confiança e solidariedade.

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A disciplina nas escolas — qualquer forma que tenha — deve ajudar os cidadãos a se construir, não pretender a cessação do diálogo didático e a destruição da cidadania.

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