A propósito do resgate do stalinismo, por Tomás Togni Tarquinio

Porém, falar de stalinismo, sem integrar as ideias de Lenin, deixa a questão insuficiente. O stalinismo é a caricatura do leninismo levado ao extremo.

A soviet propaganda poster featuring joseph stalin published by the iskusstvo publishing house, 1950 (?), 'under the leadership of great stalin - forward to communism'. (Photo by: Sovfoto/UIG via Getty Images)

A propósito do resgate do stalinismo.

por Tomás Togni Tarquinio

Não deixa de ser surpreendente que no Brasil de hoje exista quem tente reabilitar Stalin, enterrado há quase 70 anos. A imprensa deu relevo a posturas políticas minoritárias que atenuam as consequências do stalinismo na antiga União Soviética. O filósofo italiano Domenico Losurdo é tido como um promotor da recuperação, pelo relevo que teria dado em seus escritos às ações em favor de melhores condições de vida da população soviética. Diante da tentativa de recuperação desse passado, convém lembrar o que significou esse período sombrio.

Em razão do caráter despótico e violento, a experiencia do comunismo soviético ruiu e não deixou atrás de si pedra sobre pedra. O regime atrabiliário entrou em estado de deliquescência de si mesmo, rápida e inesperadamente, sem nos legar nada de expressivo em qualquer campo: artístico, cientifico, cultural, social e político. A sociedade soviética desapareceu em proveito daquilo que combatia. A ordem do capital chegou às ruas de Moscou aclamada pela população.

A leitura do relatório de Khrushchov sobre os crimes de Stalin, documento extenso, explana a opressão e o terror do regime. Esse período é observado do interior de sua própria entranha e não através de documentos da CIA. Em que pese o fato de responsabilizar o ditador, isentando, assim, o regime de culpa.

Porém, falar de stalinismo, sem integrar as ideias de Lenin, deixa a questão insuficiente. O stalinismo é a caricatura do leninismo levado ao extremo. Lenin funda um partido que julga ser guiado por leis científicas. Somente eles, os bolcheviques, conhece o sentido, a direção, os caminhos da História. Como acham que possuem as leis do materialismo histórico, apenas eles têm condições de conduzir o processo de libertação dos oprimidos. Acreditam que a história é determinada. Por essa razão, não há lugar para outras correntes de pensamento. Somente eles detêm o monopólio da política, não aceitam nenhum tipo de divergência.

Lenin defende o partido único. Aniquila não apenas as outras correntes revolucionárias, cortando a cabeça dos anarquistas, por exemplo, como proíbe divergências no interior de seu próprio partido. Inventa o chamado centralismo democrático, evitando, assim, divergências no interior do partido susceptíveis de contestar as decisões da direção visionária. A concepção leninista entende que a legitimidade do partido provém desse pretenso conhecimento das leis científicas que regem a História. A legitimidade, nesse caso, não é dada por algum sistema censitário, de escolha, de discussão e participação. Quem está fora do grupo dirigente deve acatar a sua decisão, suposta clarividente, caso contrário vira herege. Quem não está de acordo com as propostas dos conhecedores do caminho da História está simplesmente atrasando o processo de emancipação do homem e deve ser eliminado como contra revolucionário. Tese suficiente para instigar o terror contra qualquer tipo de oponente e gerar campos de concentração. Depois da tomada do poder, Lenin propõe o taylorismo para a classe operária, enquanto que os chamados sovietes ficaram em silêncio. O operário deve apenas se ocupar de melhorar a produtividade do trabalho e racionalizar os processos de produção industrial, enquanto que os dirigentes esclarecidos se ocupam do resto. Quanto ao camponês, ele é tratado em sua obra com profundo desapreço, está condenado a desaparecer, e rapidamente, como de fato ocorreu. Alexander Chayanov pagou com a vida ao demonstrar que essa categoria social produz segundo uma lógica específica e milenar, diferente da lógica do capital, sendo impossível alterá-la e, um passe de mágica da noite para o dia.

Leia também:  Zizek: a importância crucial da experiência chilena

Onde se pretende homogeneizar ideias haverá sempre heresias. Para combater os desviantes, Lenin se apoia no serviço secreto e cria os campos de concentração. Impossível haver sanção contra a direção, ela não erra, infalível como o Papa. Toda pretensão ao universalismo termina em campos de concentração. Antropologia dixit.

Nessa lógica absoluta, não há, portanto, necessidade de outros partidos, pois não saberiam conduzir o processo. Tampouco de alternar os dirigentes do partido único. Criou-se uma oligarquia que não pode ser mudada, fato que gerou uma sucessão de heréticos e purgas dentro do partido.

Alguns exemplos de atitudes do próprio Lenin dão a dimensão do grau de arbitrariedade de suas concepções, ainda no começo da revolução. A visão instigada pela certeza irrestrita chega às raias do absurdo. Lenin trata certas questões com detalhismo. Sem nenhuma autoridade para tal, nem provinda de fundamentos humanitários e éticos, mas de sua própria cabeça, sem consultar nenhuma instância colegiada sobre a pertinência do assunto, sem recorrer a nenhum princípio de justiça, a não ser, talvez, seu conhecimento das leis científicas que julga deter, ordena fuzilar prostitutas que serviam de repasto aos soldados nas frentes de batalha. Não porque eram pobres rameiras, ele pouco se incomodava com isso, mas porque transmitiam doenças e levavam o alcoolismo aos soldados, enfraquecendo as tropas revolucionarias. Da mesma maneira, trancado em seu escritório do qual emitia instruções, enviou ordens para enforcar 100 kulaks em diversas regiões e pendurá-los em lugares púbicos. Com o objetivo, afirmava, de provocar terror, mostrar à população do que eram capazes. Chegou a admoestar, por escrito, um militante do partido por ter sido complacente com pessoas que deveriam ter sido fuziladas. Defendia a aplicação do terror revolucionário.

Leia também:  Jilmar Tatto e o extravio petista, por Aldo Fornazieri, comentário de Boeotorum Brasiliensis

Stalin e a direção do partido acentuaram e deram continuidade a essas concepções. Que levou, um exemplo dentre outros, a direção do partido único a executar 44 mil pessoas cujos nomes faziam parte de uma lista, sem maiores processos e julgamentos, entre outras barbaridades, como a deportação do dia para a noite de etnias inteiras. Aliás, Lenin escreveu mais de uma vez: “chega de papelada, fuzilem”.

Essa lógica chega ao paroxismo no interior do partido, em 1937. Dos 140 membros do Comité Central recém eleitos, 100 foram executados como hereges, enquanto que 1.108 dos 1.966 delegados do congresso foram presos e acusados de contra revolucionários, muitos fuzilados. Purga que alcançou o Exército Vermelho: 90% dos generais e 80% dos coronéis foram abatidos – soldados experientes que fizeram falta na heroica luta contra o invasor nazista. Sem falar nos milhões de mortos e prisioneiros. Dentre os membros do núcleo dirigente próximo de Stalin, Khrushchov foi um dos poucos que conseguiu escapar da degola. Saturno devora seus filhos.

Com a vitória da Revolução de Outubro outras correntes socialistas, com propostas libertárias, descentralizadoras, auto gestoras, chamadas de utópicas, ficaram opacas e perderam relevância.

Hoje, está difícil saber quem poderia nos indicar para onde caminha a humanidade. Talvez, ela vá para qualquer lado. Mas esperemos que seja possível evitar o sendeiro luminoso do determinismo que marcou o regime leninista. Esse período causou enorme prejuízo à construção de uma sociedade livre, justa, equitativa e solidária.

Tanto mais importante lembrar, pois nosso modo de vida atual não tem porvir. Até agora, o desenvolvimento sustentável é uma narrativa que pretende preservar nosso nível material de existência. A desregulação ecológica é uma dimensão nova que nunca foi prevista pelas correntes socialistas. O futuro deverá ter como premissa sociedades que pratiquem a sobriedade compartilhada, produzam e consumam o necessário e essencial, abandonando o supérfluo. Mas, a ecologia política não encontrou alternativas para as sociedades de crescimento na qual estamos inseridos. Não sabemos ainda como construí-la. Vasto programa a inventar.

Leia também:  A falácia do “jornalismo profissional", por Laurindo Lalo Leal Filho

Fontes bibliográficas. François Furet: “Le passé d’une ilusion ; Relatório Khrushchov; novos livro sobre Lenin e Centenário da Revolução de Outubro: Dominique Colas, 2017; “Science Po”, Paris: “Les crimes em masse de Staline”; “Le livre noir du communisme”, obra coletiva, 1997; Robert Linhart, “Lénine, les paysans, Taylor” de 1976. Textos de historiadores: Stephan Courtois, Nicolas Werth, Jean Louis Margolin, Jean Elleinstein e outros.

Tomás Togni Tarquinio, Antropólogo (Paris VII), pós graduação em Prospectiva Ambiental (EHESS), consultor.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

16 comentários

  1. A construção do texto deu a entender que Alexander Chayanov foi morto por Lenin. Quando isso ocorreu, Lenin já tinha morrido há 15 anos.

    9
    1
  2. É sempre o mesmo espantalho: sao os “stalinistas”, os “comedores de criancinhas”, etc.

    A obra do Domenico Losurdo, que gerou esse debate fora de lugar, nao faz apologia alguma do stalinismo, mas, sim, uma critica ao liberalismo, que ele nao foi nada indolor, incruento como gostam de dizer.

    Aí, ficam os doutores discutindo besteira.

    Dá uma preguiiiiçaaa…

    12
    1
    • Foi sim, uma grande conquista. Mais que isso, foi um momento glorioso da história da humanidade.
      Sempre fui eternamente grato ao “Guia Genial das Massas” por isso. Eu e o Eric Hobsbawm.

      4
      3
  3. Só lamento não termos um Stalin no Brasil. TST que retirou ilegalmente todos os direitos dos trabalhadores do Correio, com exceção da juiza relatora, paredão de fuzilamento. Rosa Webber que está sentada em cima do processo que impedirá a destruição de manguesais e das margens das represas favorecendo especulação imobiliária (boiada de hoje do Ricardo Salles), paredão. Celso de Mello que vai se aposentar precocemente porque não que votar a suspeição do Moro, paredão. Aliás, do Supremo, só sobra o Lewandowski. Bolsonaro e seus ministros, elite militar, pastores e padres da teoria da prosperidade, paredão. Câmara e Senado, com poucas exceções, paredão. Imprensa, plutocracia, latifundiários destruidores do meio ambiente, paredão. Desembargadores dos tribunais regionais, membros dos tribunais de conta, paredão. Imprensa, empresários e banqueiros golspistas, paredão.
    Enfim, um Stalin seria pouco para o Brasil. E uma parcela de brasileiros tão grande como o Stalin exterminou merecia o paredão, que eu de bom gosto trocaria pela guilotina. O autor que pelo jeito é ambientalista deveria esta discutindo hoje a revogação, na reunião das 10 horas do Ricardo Salles e os apaniguados do Conama, da resolução 303 do CONAMA, que prevê a proteção de uma faixa minima de 300 metros de restingas e manguesais.
    Para o inferno com essas discussões do sexo dos anjos. Ou não, porque levantaram demais essa bola do stalinismo que pode ter por trás a justificativa da repressão da esquerda pelo governo. Ah! A Revolução Russa foi tão ineficiente que conseguiu tirar o país do feudalismo e alçá-lo a exploração do espaço. E sempre é bom lembrar: FOI A RUSSIA E O STALIN QUE DERROTARAM OS NAZISTAS.

    15
    3
    • Concordo contigo. A unica forma de limpar o organismo infectado é removendo definitivamente o germe causador da infecção. É uma verdade biológica, incontestável… Por que será que a Revolução Cubana conseguiu se consolidar ? Será que o Fidel Castro estava errado ? Só o tempo dirá…

      1
      1
  4. Texto tão bom, li com prazer.
    Obrigado ao autor, pela dedicação e paciência. Nos deu um presente.
    Só um reparo: pensando nessas enormes fazendas hiper capitalizadas do agronégocio, talvez não caiba mais a figura do “camponês milenar”.

    3
    3
  5. Parabéns pela coleção de calúnias! Gostei ainda mais do trecho “A desregulação ecológica é uma dimensão nova que nunca foi prevista pelas correntes socialistas.”. Sim, sim, e a Marina Silva descobriu a Amazônia, como todos sabemos!

    10
    3
  6. Stalin foi o maior assassino da história da humanidade. Ele destruiu a grande promessa do marxismo.
    Isso não altera em nada o seu papel na Segunda Guerra.

    2
    6
  7. Profundamente lamentável, Nassif você publicar um texto tão mal conduzido (desonesto cima de tudo) com as maiores mentiras históricas e cronológicas, sem base em nenhum estudo ou aprofundamento. Mente como o Bolsonaro, falseia como o Moro, tergiversa como FHC! De onde saiu esta “pérola” do liberalismo?? Não sabe fazer “O” com um copo em termos sociológicos, antropológicos ou históricos. Por favor, nos poupe de mediocridades! Abraços.

    6
    1
    • “Bota o retrato do velho, outra vez,
      bota no mesmo lugar,
      bota o retrato do velho, outra vez,
      bota no mesmo lugar.
      O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar…”

  8. “O filósofo italiano Domenico Losurdo é tido como um promotor da recuperação, pelo relevo que teria dado em seus escritos às ações em favor de melhores condições de vida da população soviética.”

    Sim, em termos dos indicadores sociais e econômicos o Losurdo está certo, apesar dos pesares houve melhoria numérica inquestionável dos indicadores das condições de vida da população soviética durante o governo do Stalin.

    Mas, o X da questão não é o stalinismo do Losurdo, coisa que ele não é (foi), mas sim a crítica contundente que o Losurdo faz (fez) ao liberalismo.

  9. No rastro das tentativas feitas constantemente pelo pensamento anglo-saxão e aliados de desqualificar a participação pra lá de decisiva da URSS na derrota da Alemanha de Hitler, surgiram críticas, tanto à direita quanto à esquerda, a um suposto movimento que teria por escopo uma revisão do stalinismo.
    Mais importante do que denunciar, deletar ou justificar os horrores daquele período da História, é não esquecer que indivíduos como Stálin, ou mesmo Hitler e Mussolini, são crias do contexto em que viveram, o período imperialista do grande capital.
    Quando da assinatura do Tratado de Versalhes, em 1918, as potências vencedoras da Primeira Grande Guerra, Estados Unidos, Inglaterra e França, impuseram condições insuportáveis à Alemanha, para impedir um futuro autônomo àquela nação. Ao mesmo tempo, os aliados já tramavam a destruição da URSS, numa época em que Stálin não tinha sequer atuação política. A consequência, como não poderia deixar de ser, foi a Segunda Grande Guerra.
    Portanto, ao invés de demonizar apenas indivíduos como se eles , não empoderados, a História teria sido outra, devemos, sim, lembrar que o capitalismo e sua consequência lógica , o imperialismo, foi o que levou à ascensão desses indivíduos e carreou tudo de maléfico que veio a seguir, pois é este mesmo imperialismo que faz, ainda hoje, dos Estados Unidos a maior ameaça à paz mundial.

    4
    1
  10. Os motivos da discussão sobre Stalin.
    .
    Vejo atualmente uma farta discussão sobre Stalin nos dias de hoje, não por que hajam defensores ferrenhos do líder soviético, nem que Trotskistas estejam desenterrando mortos para o embate tradicional que se desenvolveu durante mais de meio século e que se tornou com o tempo mais uma questão histórica para todos os esquerdistas revolucionários que discutem o que deveria ser feito numa atual revolução.
    .
    Ao meu ver, acho uma discussão mais acadêmica do que real, pois qualquer marxista que se preze sabe que as condições de uma revolução são totalmente diferentes e dizer que a organização após uma tomada de poder vão variar de 8 para 80. Quando havia a figura de Trotsky e de Stalin a discussões das direções que tomavam a revolução russa e todos os movimentos revolucionários tinha sentido, porém como um morreu a 80 anos e outro a 67 anos vejo que a contraposição de um a outro está ficando sem sentido.
    .
    Entretanto fica claro no artigo acima escrito que o objetivo de quem escreve é outro, não é a discussão dos erros de Stalin, nem muito menos as mortes ocorridas a 90 anos no passado, mas esconder de forma velada a falência múltipla em que se encontra o capitalismo nos dias de hoje.
    .
    Vejamos a estrutura do texto, entra com um título instigante, que seria a defesa do Stalinismo, coisa que já começa com um erro, Stalinismo simplesmente não existiu, existiu sim um governo burocratizado em que quem dominava por determinado período era um sujeito chamado Stalin, pois o próprio Stalin sabia e dizia o que existia era o Marxismo-leninismo (Trotsky no início também dizia que não existia o Trotskismo), como Marx é uma figura bastante difícil de ser criticada, pois não é qualquer intelectual que consegue entender parte das diversas faces de Marx (filosófica-econômica-social-revolucionária) o alvo se torna Lenin!
    .
    O processo é simples, é o que os criacionistas empregam para dar credibilidade nas suas loucuras religiosas, a técnica da cunha, inventam o tal design-inteligente, ou seja, uma falsa ciência que parece palatável para quem não a estuda com cuidado, se o sujeito aceita o tal design-inteligente, passa-se a segunda etapa, a mão de deus. Se aceitam a mão de deus, podem aceitar a Bíblia, aceitando a Bíblia aceitam a datação apregoada pelos criacionistas e no fim os dinossauros foram mortos pelo dilúvio.
    .
    Se trocarmos os objetos da raciocínio temos a seguinte escala: Primeiro se diz que há uma tentativa de reabilitar Stalin, depois utilizando fatos verdadeiros misturados como mistificações, como as presentes na bibliografia apresentada – O Livro Negro do Comunismo (um livro composto de fatos e de uma quantidade imensa de mentiras) – se diaboliza Stalin e Mao numa critica moral e não política – diabolizado Stalin se diz que ele era um mero sucessor de Lenin – por fim como tanto Lenin como Mao erraram e eram imensos criminosos o problema é a revolução socialista, logo melhor seria propostas propostas libertárias, descentralizadoras, auto gestoras e escambau, ou mesmo deixar o capitalismo como ele está para ver se ele se concerta sozinho.
    .
    Tou muito velho para cair nessa churumela.

    7
    2
  11. Se erradicar o analfabetismo em pleno Czarismo e possibilitar às mulheres o voto (para citar apenas alguns exemplos) não é “legar nada de expressivo”… então alguém está errado.

  12. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome