A quem interessa o caos no Brasil?, por Ion de Andrade

É mesmo a direita capaz de pular do cadafalso?

Recente artigo de Raul Jungmann faz o que poucos “estrategistas” conservadores fizeram até aqui: prospectar o dia seguinte a um eventual impeachment. Ele antevê o caos por inúmeras razões que podem ser lidas aqui

O problema que está posto é a decisão de alguns deputados de dar início a um ´processo de impeachment na câmara dos deputados. Se conseguirem estarão confrontados a uma vitória de Pirro. Terão feito a leitura da tomada do poder como um fenômeno restrito e se isolarão do conjunto dos movimentos sociais, da CNBB, das Centrais Sindicais ao tempo que terão que conduzir uma política econômica de restrições que, se forem tocadas no banjo da direita, corresponderão a um extraordinário arrocho passando por privatizações e desemprego em massa…

A receita leva ao caos social. Um governo impopular e sem nenhuma base social. A recente Fundação da Frente Brasil Popular em Belo Horizonte, demonstra, aliás, que apesar de crítica ao governo, a base de apoio a Dilma continua intacta e numerosa.

Por si só, essa receita golpista deveria ser evitada. A insistência nela, quando inexiste na sociedade brasileira qualquer luta de vida e morte entre as classes fundamentais demonstra que orquestram essa movimentação forças externas ao cenário brasileiro, pois se há uma luta de vida e morte atual é contra o que sobrou de poder colonial em nosso país.

As forças golpistas foram refreadas no mês de agosto, quando tinham armado o bote, mas retomaram a iniciativa num âmbito em que, teoricamente, não podem ser contidas: a Câmara Federal presidida por Eduardo Cunha…

Na esteira do artigo de Jungmann, é muito importante que as lideranças políticas da direita reflitam longamente sobre o que pretendem. Se vier o impeachment (golpe), afundaremos no caos. Mas o Brasil será maior do que esse caos e cedo ou tarde, apesar do sofrimento social inevitável, o país voltará a algum reordenamento social e ao Estado de direito, incontornável dada a complexidade da nossa sociedade e ao quanto se ampliou o Estado.

Reflitamos. O caos foi implantado no Oriente Médio, na Ucrânia, agora na Europa.

A América do Sul é a bola da vez.Os líderes dos partidos da oposição devem refletir. Compreendam que vivemos hoje o país do “A que horas ela volta?”. A Europa viveu essa fase no pós guerra e as bases do capitalismo estão mais sólidas que antes. Reflitam enquanto há tempo: NINGUÈM vai aceitar a volta do miserê.

A vitória de Pirro de que fala Jungmann poderá mostrar terrívieis contornos.

E os que promoveram o caos em toda o mundo, riem de nós todos inclusive dessa direita golpista e manipulável que pula do cadafalso.

Devemos deixar a Caixa de Pandora fechada, jogar o jogo da democracia e deixar o país navegar. As dificuldades do cenário econômico e político, sem golpe, já são suficientes.

 

 

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