A reescravização dos povos ocidentais, por Paul Craig Roberts

Enviado por Antonio Ateu

Por Paul Craig Roberts

Do Resistir.info e Sputnik

A reescravização dos povos ocidentais

A reescravização dos povos ocidentais pode ser verificada em vários níveis. Um deles, acerca do qual tenho escrito durante mais de uma década, decorre da deslocalização de empregos. Os americanos, por exemplo, têm uma participação decrescente na produção dos bens e serviços que eles comercializam.
 
Em outro nível, estamos experimentando a financeirização da economia ocidental, sobre a qual Michael Hudson é o perito principal (Matando o hospedeiro , Killing the Host). A financeiarização é o processo de remoção de qualquer presença pública na economia, convertendo o excedente económico em pagamentos de juros ao sector financeiro. 


Estes dois desenvolvimentos privam o povo de perspectivas econômicas. Um terceiro desenvolvimento priva-o de direitos políticos. As parcerias Trans-Pacífico e Trans-Atlântica eliminam soberania política e transferem o governo para corporações globais. 

Estas chamadas “parcerias comerciais” nada têm a ver com comércio. Estes acordos negociados em segredo concedem às corporações imunidade em relação às leis dos países com os quais elas fazem negócios. Isto é, chegando a declarar que qualquer interferência de leis e regulamentos existentes ou em perspectivas sobre lucros corporativos como restrições ao comércio, pelo quais as corporações podem processar e multar governos “soberanos”. Exemplo: a proibição na França e outros países de produtos de organismos geneticamente modificados (OGM) seria negada pela Parceria Trans-Atlântica. É a democracia simplesmente substituída pelo domínio corporativo. 

Eu tinha intenção de escrever sobre isso há muito tempo. Entretanto, outros, tais como Chris Hedges, estão fazendo um bom trabalho na explicação da captura de poder que elimina governos representativos. 

As corporações estão comprando poder a preço barato. Compraram toda a Câmara dos Representantes (House of Representatives) dos EUA por apenas US$ 200 milhões. É a quantia que as corporações pagam ao Congresso para concordar com a “Via Rápida” (“Fast Track”), a qual permite ao agente das corporações, o Representante Comercial dos EUA, negociar em segredo sem a contribuição ou supervisão do Congresso.

Em outras palavras, um agente corporativo dos EUA faz a negociação com agentes corporativos dos países que serão abrangidos pela “parceria” e este punhado de pessoas bem subornadas redigirá um acordo que ultrapassa a lei de acordo com os interesses das corporações. Ninguém que negocia a parceria representa os povos ou os interesses públicos. Os governos dos países em parceria incomodam-se em votar a proposta, e assim serão bem pagos para votar pelo acordo. 

Uma vez em vigor estas parcerias, o próprio governo será privatizado. Já não haverá mais qualquer sentido em legislativos, presidentes, primeiros-ministros, juízes. Tribunais corporativos decidem a lei e determinam as sentenças 

É provável que estas “parcerias” venham a ter consequências inesperadas. Por exemplo: a Rússia e a China não fazem parte dos acordos e nem o Irã, Brasil, Índia e África do Sul, embora de modo separado o governo indiano pareça ter sido comprado pelo agronegócio americano e esteja em vias de destruir seu auto-suficiente sistema de produção alimentar. Estes países serão depositários de soberania nacional e controle público enquanto a liberdade e a democracia extinguem-se no ocidente e entre os vassalos asiáticos do ocidente. 

A revolução violenta por todo o ocidente e a completa eliminação do Um Por Cento é uma outra consequência possível. Uma vez que, por exemplo, o povo francês descobre que perdeu todo o controle sobre a sua dieta para a Monsanto e o agronegócio americano, os membros do governo francês, que lançaram a França na servidão dietética aos alimentos tóxicos, provavelmente serão mortos nas ruas. 

Acontecimentos desta espécie são possíveis por todo o ocidente quando os povos descobrirem que perderam todo o controle sobre todo aspecto das suas vidas e que a sua única opção é a revolução ou a morte.

Redação

4 Comentários

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  1. A reescravização dos povos ocidentais, por Paul Craig Roberts

    Uma visão catástrófica de nosso futuro;

    E o pior, o andar da carruagem leva a isso mesmo dada a alienação dos atuais 99 %.

    A mídia manipula a realidade sem contraditório pois do campo, digamos, esquerdista nada mais sai de interessante; aliás como na direita brasileira.  Ambas são igualmente escorraçadas dos debates dando espaço ao ideário conforme citado no belo texto PCRoberts.

    A geléia cinza avança.

    1. O texto diz de “revolução ou

      O texto diz de “revolução ou morte”. Revolução, num cenário monetarista como o descrito, é contra o Capital, da esquerda contra a direita. O que, na minha opinião, é bobagem, mas é isso que o texto diz.

      Pessoalmente creio o que precisa ser feito para mudar essa proporção, 99% versus 1%, não é acabar com os 1%, é a independência dos 99%. Independer é tarefa do dependente, não do centralizador. Já são muitos os casos de sucesso de alternativas produtivas àquela baseada no dólar americano. E o mais importante: são alternativas tomadas não através das instituições, já que essas estão submissas àquele dólar, mas até criando-se moedas locais. Salva-se, assim, quem se prendia a si mesmo e a si mesmo faz independente.

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