A reindustrialização é quase tão custosa como industrialização, por Rogerio Maestri

A fabricação de algo que necessita de máquinas e ferramentas, e atrás delas existe ainda uma cadeia de suprimento de outras máquinas e ferramentas, mais especializadas do que a própria máquina produzida para a exportação.

A reindustrialização é quase tão custosa como industrialização

por Rogerio Maestri

Todo o processo de industrialização num país passa por etapas de desenvolvimento de equipamentos que com o tempo vão se tornando mais especializados e dependentes de cadeias produtivas que estão fora de seus limites territoriais, porém os limites territoriais não são importantes nos dias de hoje pela taxação aduaneira que existiam nos séculos passados, a importação de máquinas e ferramentas sempre colocam a indústria do país que as importam um ou mais passos atrás dos países que as exportam, talvez este conceito que parece somente político que os economistas não entendem.

A fabricação de algo que necessita de máquinas e ferramentas, e atrás delas existe ainda uma cadeia de suprimento de outras máquinas e ferramentas, mais especializadas do que a própria máquina produzida para a exportação.

Dando um exemplo teórico, para fabricarmos um equipamento eletrônico com componentes mecânicos, como uma impressora especial, e que para que esta funcione corretamente se necessite que uma de suas partes possuam uma precisão de deslocamento de uma ordem de umas poucas dezenas de mícrones, teremos que ter um guia linear que funcione com essa tolerância. Se não existir no mercado um guia linear conforme novas exigências, é necessário fabricá-lo, porém para fabrica-lo é necessário um outro equipamento com uma tolerância de no mínimo uma década abaixo da tolerância da peça final, logo será necessário uma indústria especializada em construir equipamentos como esse grau de tolerância.

Quem não entendeu o exemplo é só pensar que para produzir algo que fabrique peças com uma dada configuração é necessário ter máquinas que ultrapassem a exigência dessa configuração. O mesmo grau de exigência vai ser necessário para outras peças da mesma máquina.

Quando se entra na fabricação de equipamentos de tecnologia de ponta, é necessário uma série de outras indústrias que deem apoio a essa fabricação, mas como essas indústrias de componentes vai necessitar de uma série de clientes para o mesmo tipo de equipamento meio para produzir o equipamento fim, e essas indústrias estarão concentradas na região do seu mercado, pois o fator proximidade encurta o tempo de negociação e de proposta de encomenda.

Se numa determinada região se concentre fábricas com determinada necessidade, rapidamente os problemas serão resolvidos, fazendo com que a velocidade desde o projeto até a construção final do produto seja mais rápido e consiga dessa forma ficar sempre a frente da concorrência.

No momento em que um parque fabril como existia nos USA é abandonado, uma série de pequenas indústrias fornecedoras dos produtos necessários para os produtos fins do parque fabril simplesmente ou se deslocalizam ou fecham as portas, logo para recompor o parque fabril seria necessário reconstruir essas indústrias de segunda e terceira linha o que é praticamente impossível, pois o custo da reconstrução dessas empresas se colocadas no custo do produto final deixa esse completamente fora do preço do mercado.

Um exemplo dessa dificuldade está aparecendo na França para superar a falta de máscaras de proteção do tipo SP2, qual a grande dificuldade, como a fabricação essas mascaras foram deslocalizadas para a China, para retomar a produção dessas máscaras, que na realidade é um equipamento de baixo aporte tecnológico, é necessário a fabricação das películas filtrantes de compostos de papel especial, e máquinas automatizadas que dobrem e costurem essas máquinas, como as películas possuem patentes de empresas norte-americanas e como as máquinas que existiam há menos de dez anos foram ciosamente desmontadas pelo comprador que não queria que ninguém comprasse e pudesse fazer concorrência e criar uma máquina a partir do zero demoraria no mínimo seis meses entre o projeto e a construção, eles estão dependendo de uma fábrica chinesa que mesmo tendo os projetos levará três meses no mínimo para construí-la. Construção, transporte, montagem, regulagem e colocação em funcionamento por mais de quase doze meses os franceses ficarão na dependência da importação de máquinas.

No fim de tudo estou dizendo que mesmo havendo a necessidade de algum produto, se não houver uma garantia de amortização de todos os custos fixos e garantia de encomendas que permitam o treinamento dos trabalhadores em todos os níveis, deverá ter um custo final na reindustrialização de qualquer país, que é equivalente a uma grande parcela dos custos mesmos custos acumulados durante a primeira industrialização que foi jogada fora por alguns centavos de custo unitário a mais de cada produto, ou seja, A MÃO INVISÍVEL DO MERCADO além de invisível estará ausente.

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8 comentários

  1. A maior dificuldade para ambas, industrialização ou re-industrialização é a falta de know-how (gente
    preparada em todos os níveis), desde a pesquisa e desenvolvimento até o chão de fábrica em qualquer “versão” (1.0, 4.0, em qualquer evolução possível).
    Alemanha e Japão arrasados pela guerra, chegaram rapidamente a 3a. e 2a. economias do mundo (até algum tempo atrás) graças a sua indústria (e olha que os aliados sequestraram muitas “cabeças”)
    Vejamos a nossa industria naval mercante, que passou de uma das MAIORES do mundo para … nada.
    Com o pré-sal, ela ressurgiu das cinzas, mas não havia engenheiros e técnicos navais suficientes, o que leva no mínimo 5 anos desde a percepção de oportunidade na escolha do jovem estudante até sua simples formatura, sem contar a experiência e o aperfeiçoamento.
    E antes mesmo que isso (re)acontecesse, a indústria foi novamente destruída.
    Alguns engenheiros foram fazer contas derivativas numa XP da vida.
    Outros talvez estejam num projeto complexo de dirigir um Uber…
    Para nossa medíocre elite, Uber deve ser mais estratégico do que indústria naval (ou mesmo o pré-sal).
    Nossa esperança num futuro de incerto alvorecer, é que, enquanto tivermos recursos fartos (não é o caso de Japão, Alemanha e Coréia), isto não precisará ser um problema para pularmos versões industriais direto para a última.
    Mas gente leva tempo para formar e criar experiência (fora a cultura industrial).
    Afinal somos um país que coloca presidentes em empresas estratégicas cujo discurso ao assumir é “PRIVILEGIAR A CONCORRÊNCIA!”.
    Pode?

    • Bo Sahl não compre apenas o ‘peixe’ que te vendem. Alemanha, Coréia e Japão são três países divididos, fatiados e controlados por Nações Estrangeiras. Escravos dentro de sua própria Pátria. Coréia era uma terrível Ditadura até a queda do Muro de Berlim, como a maior parte dos Países em desenvolvimento. Submissos à vontade e controle internacional. Divididos como despojos de guerra. Inflados com muito Capital a Fundo Perdido para Estabilização Política e Financeira, como barreira ao Socialismo que varria o planeta. Não existe ‘Milagre’ algum. O único ‘Milagre’ é o Nosso. Cabeça tonar-se rabo. A Pátria de Eleições Livres e Facultativas, da Miscigenação, ‘porto seguro’ para o desespero e misérias mundiais. Vencedor no combate ao Nazismo e Fascismo, tomamos o caminho inverso a partir da Desgraça imposta em 1930 e desperdiçamos o século da Transformação Humana Inigualável, buscando Governos Totalitários e atrasados, durante a Era da Democracia. Isto sim uma oportunidade livre e consciente, única na História Mundial, que deixamos passar de forma ignorante e imbecil.

      • Zé, a discussão aqui é indústria e sua participação na geração de riqueza, desenvolvimento e bem estar, além do seu volume e qualidade.
        A presença de zonas de controle “aliadas” na Alemanha (ou no Japão) , não influi nas marcas de prestígio como BMW, Mercedes, Audi e Porsche, todas caras e feitas com mão de obra cara, mas exportadas para o mundo inteiro. Há a Siemens, a Volskwagen, laboratórios…
        Ou nas coreanas Hyundai, Kia, Samsung, LG, de estaleiros à eletrônica. Ou nas japonesas Toyota, Honda, Yamaha (de carros a instrumentos musicais), Subaru, Mitisubishi, Nissan, Panasonic, NEC (onde trabalhei aqui e lá), Sony, Nikon, Canon, Hitachi e tantas outras. Tudo para ficar só nas mais conhecidas.
        Aqui cada vez mais só exportamos commodities. TODAS as fábricas de automóveis (por ex.) são estrangeiras. A Embraer virou Boeing, a Brastemp virou Whirpool, a Walita virou Philips, a Semp virou Toshiba, até o Pão de Açúcar virou Casino, assim como estrangeirizamos (até para estatais) filés da Petrobrás.
        Enfim, o que nos sobra além é comércio (compra dali, importa de lá e revende aqui) e serviços, de bares a táxis. Sim, temos 2 bancos privados nacionais familiares.
        Ou esportes, lazer, shows, igrejas e mais commodities até que a terra vire areia. Tudo para poucos. E quase nada exige formação sofisticada.
        Produção de tecnologia, conhecimento, know-how e riqueza por produção industrial local, gerando lucros (capital) aqui…
        Talvez quando nossas riquezas naturais forem semelhantes as deles…

        • Perfeito. Exatamente o que comentei e endosso sua análise. Só não compactuo com esta doutrinação a respeito de certos países que não construíram sua realidade pós guerra. Foram levados à reconstrução puxados pelo cabresto. Países dominados e subservientes, que são ‘vendidos’ como Democracias. Não são nem livres nem democracias.

    • “…é a falta de know-how (gente
      preparada em todos os níveis)…MEC é a realidade brasileira desde 1930, juntamente com Caudilho Fascista. Vejam todos nomes que o constituiu e que saíram a partir dele, para fazer a história politica e educacional brasileira? Quase um século com tamanho despreparo e atraso, por você indicado no comentário. Quem serão os responsáveis? Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

  2. “…A fabricação de algo que necessita de máquinas e ferramentas, e atrás delas existe ainda uma cadeia de suprimento de outras máquinas e ferramentas, mais especializadas do que a própria máquina produzida…” Adam Schmidt se revirou no túmulo. Não que a Matéria não seja excelente, mas está atrasada uns 250 anos. A surrealidade é que esta Matéria, abortada em 1930, foi o Projeto impulsionador sabotado, para que o Brasil nestes trágicos 90 anos, fosse lançado de volta às Caravelas. É sério que a Industrialização é tudo isto? É sério que a maior, mais expressiva e vitoriosa forma de distribuição de renda são os Salários? Salários Industriais?!!! Com a chegada de Ditador Caudilho Assassino Fascista ao Poder em 1930, chega com ele Eugênio Gudin, o Intelectual que estruturará a Escola e Visão Econômica do país, praticamente exclusiva e impositiva, até a década de 1960 (PUC/RJ até Fundação GV de Governo JK. Coincidência? Te lembra alguma coisa dos dias e décadas atuais? ) e o funeral da Industrialização Brasileira e da Livre Iniciativa. A Matéria demonstra que ainda lutamos contra o óbvio. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação. (P.S. É sério que Industrialização é tudo isto?)

  3. Mil perdões. Mas mil mesmo!!
    a análise faz todo o sentido.

    Mas que construção atropelada,.tem o texto.
    Há falta de parágrafos e, quanto aos períodos, resta clara, a fome do escritor, por vírgulas.

    SALVEM a GGN, com seu máximo valor e préstimo. CONTRATEM um redator,.ou ao menos.um revisor de textos, para colimar pensamentos e regras da LÍNGUA PORTUGUESA

    Sigo Nacif, desde que , ambos, éramos muito JOVENS.
    Nacif merece MAIS !!!

  4. É preciso olhar além do muro. Opção política feita pelo país determina sua condução histórica, política econômica. Temos condições sim de ser um país industrializado como os primeiros passos dados em 1930 com o governo da época. O que era a base industrial antes de 1930 no país?. E de 1930 prá cá tivemos inúmeras conquistas no campo industrial sendo nosso industria já representou cerca de 20% do PIB. Depende do compromisso com o país que o governante da hora assume com seu próprio país. O projeto político NEO liberal implantado em diversos países como EUA, Brasil e outros torna o país dependente de tecnologia visto a opção por comprá-la ou invés de produzi-la. Quem diria que os EUA, do dólar, da maior economia do mundo teria um dia que usar de pirataria para confiscar MASCARAS para prevenção ao COV-19.Cadê a base industrial dos EUA?. Então a questão é local. É de opção feita pelos governantes na condução do país. Hoje nossa industrial não representa mais 10% do PIB com a política dos últimos governantes. Indústria paga salários melhores. Indústria gera tecnologia, indústria gera divisas para o país. Mas vamos comprar da China custa mais barato do que produzir localmente.

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