Meio triste, meio gritado, por Élder Ximenes Filho

Foto: Reprodução/ Internet

do Coletivo Transforma MP

Meio triste, meio gritado

por Élder Ximenes Filho

O tempo é relativo. Pra caramba! Nem precisa de Einstein. Basta ranger o bucho. Ou um chifre. Ou um tiro. Pronto! Um tiro. Nada é mais ligeiro nem mais agarrado na experiência. Pá-pum! Tomar ou levar bala é idéia comum nestes hojes. Tristes. Falamos e teclamos como quem metralha.

Discordou: pá de bostonazinha; pum de vermeralha… Pelas costas, tanto mais. Pois é. Tomei um tiro durante um protesto e acho que estou morrendo.

Acho que a brisa ajuda. Como não dói mais e não tenho nada pra fazer, penso e falo. Só. Penso que falo, pois ao redor não me reagem. Lá sei. Vai assim mesmo. Foda-se! Tempo pra pensar. Relativo e besta, vou relatando e mandando meu verso – que é do que eu gosto! Tipo: Sangue da Terra/Lixo do Homem/Merda do Mundo/a poesia pariu-me estrela ou Falei/gagueira – você nem olhou//Gritei/galera – vem voando meu amor.

Aí você pergunta quem é o boçal: Pluft ou Geléia? Calma, que a vontade de ver minha caveira mostra os dentes da tua… Explico quem sou por donde vim e pelo que faço (tem outro jeito?): nasci no Leblon (do mangue) e moro no Jardim (do Bom)ii. Universitário, operário e poeta. Ou quase.

Passei no ENEM pra Letras – Federal porra! Sou embalador e faço rap… e já deu pro gasto! Quero ensinar literatura pra favela e conhecer a poesia do mundo! Rap é porta de entrada e a literatura te tira do tiro da rua.iii

Mas agora misturou tudo. Começando o agito na praça. Pedindo licença e homenageando os mestres, tipo: “Ceis veio golpe, eu vim Sabotage”iv. Nem era só por gosto (falando pra massa), porém por necessidadev (perigando demissão e corte). Então o patrão manda a crise dele pra mim e eu vou receber calado? Gasta o meu sangue feito gasolina e eu vou fechar meu posto? A gente estava na paz e aí eles começaram: não passa, dispersa, vai-num-vai… Tem beijinho e façavor não – estou aqui por ti também, ô PM! Resistevi que eu te ajudo. Entre a ordem e o gatilho tem o coração. Pôxa, você é quem devia me proteger dessas câmeras, dos carecas armados de soqueira e pistola.

Mas não; meteu foi o dedo no meu rumo (ou deixou atirar, o que dá no mesmo)! Cara! Eu estava recitando um poema… na praça da feira… ali onde conheci minha namorada… armado com um livro na cintura…

Agora engrolou tudo e acendeu a memória. Gozado como eu lembro de tudo que escrevi; de tudinho que li; da bíblia ao russo espanta-padre… Vai ver que pra morrer completo é preciso lembrar primeiro. Aí eu queria mostrar num conto como é – mas é tão ligeiro e grande que só é possível dizer em canto. Tão outro que fala em mim, assim de bocacesa!

As idéias passaram das palavras, faltaram nomes; calei primeiro. Agora o jeito é trapacear a língua curta; saltá-la adiante em metáfora depois de cuspir sangue. A língua entesada e direta, feito nos pedem os tempos – já que a serventia do tempo é fazer cada coisa, única. Então a gente dá o nome da coisa. Poesia.

Quando senti a pancada, pensei palavrão! Quando entendi o disparo e o grito, não pensei nada – ali não vi nada, mas agora tudo o que há, vejo.vii

Apenas fui caindo. Lento. Caindo. Ainda. Da contradição nasce o discurso; inútil falar sozinho, me sabendo ausente – mas não sozinho, pois se jamais me calo, alguém me sabe! Absoluta falta. Enche pelo que deixa… e ainda assim, é alguma coisa. Sem esforço, tudo era bem-vindo e novo – eu, abandono. Coisas havia e em mim entravam sem pedir – eu, puro abraço. Da memória do que me fizeram, me fiz. Despertei ao pensar o mundo em mim e vi que era muitos. Puxa, eu sou uma raça inteira, que pra se saber bonita e forte bastava se olhar!

Fui inchando pelo que criava em mim e lembrava. Bagunçado. Louco falador.

Abraço mesmo é o que levanta a saca do chapeiro; beijo é o que prova o mesmo pão. O resto é perfume de bacana. Cabe todo o evangelho no lombo de Simão trabalhador, que debaixo de porrada carregou a cruz dos outros – e aprendeu…

Eu, tombando ou carregado, lembrei do operário Chicoviii que – tentado no alto – caiu em construçãoix. Do estudante que saltou da torre ou do viaduto, sobre aplausosx. Aceito suas dores. In- vejo girando por seus olhos: céuEterraEferroEpedraEnada. Pá! Sou eles. De minha altura, desfaço treze andares. As estações da cruz mais aquela do final – pra lembrar que até deus precisa ser lembrado.

 

Delírio I

Um operário no céu.

Súbito

subindo

ou é o céu que deita púbis branco

úmida promessa

Sub…

estudante joão-de-barro aprende a tirar o suor da pedra misturar ao avesso do vento

Faz seu ninho de concreto azul e aguarda um dia novo, pois a ave da madrugada

canta de noite e de dia é sua maldição cantar cantares de rebeldia

e aquele que ouvir seu canto nunca mais se concilia xi

…indo

torre-pênis

copulando o espaço

Subido

vejam nossa obra bem-feita

descansaremos no sétimo dia

Leia também:  O negro no mundo (intelectual) do branco: breve nota sociológica, por Jones Manoel

 

Delírio II

Súbita

vertigem

a

corda

o medo desliza a lâmina da fome

corta fio nervoso

negros pontos brancos

joão-(de asas)-de-barro

se equilibra no impossível desejo

caminha em brancos pontos negros

pássaro de pedra

Dura lição:

 

Delírio sem

– O céu, cada qual construa o seu! Neste, Não há vagasxii.

Aí o feladaputa tocou sirene de intervalo, bateu palma, virou a caraxiii e me despediu um tiro dessas balas perdidas que só acham favelado! Ainda estou caindo todos os dias. Bem na sua frente. De fome, medo e ignorância, meu amigo:

 

12° Andar

O DOIDO MORREU NA PRAÇA

(Escuto mané teclando: foi provocar, meu; aí, deu!)

 

Lágrimas desfilam postiças

para o próximo enterro

 

Aí, não misturem dentes e páginas!

 

Levanta, poeta doido!

Veste teu uniforme de nuvens xiv.

Do teu crânio faz tambor.

Aproveita agora o buraco na costela, toca flautaxv e afoga os ratos.

Me ensina a brincar

pois eu nasci velho demais

 

aprendi que só loucos e crianças

são sinceros

como a morte

 

11° Andar

MEU FILHO, PRA QUÊ VOCÊ FOI À PASSEATA?

 

(Então fui, sabe… Sabe não? Então, vai!)

 

Da vida tenho dúvida, na vida tenho dívidas

devo à dúvida a vida, Única dívida devida

 

Da vida à dúvida. Vim à vida!

Vinha viva, em longa vinda vinha

 

Devido estar vivo, duvidei

di vidi do

na dúvida que aviva

 

Que devo à vida? Vim semente

Que deve a vida? A si somente

(quando) só

mente a mim

a mente:

que se deve à vida dúvida além

da feita semente…

 

Agora Vivo

De mente e

duvido sempre.

 

Mas nunca só.

 

10° Andar

(Faltaram fuzis? Tinha pedra. Levaram as pedras? Vozes havia e braços cruzados. E anzol da direita fez a esquerda virar peixe. xvi)

 

Ainda era tempo.

Sei por que cantei, rappeei o fundo

do poço da esperança.

Era preciso fazer alguma coisa,

livrar o menino da engrenagem

que nos devora a ternura, a alegria de dar e receber. xvii

Não deu tempo.

 

E a tarde vestiu seu lençol de mendigo

Foram pra casa os homens de vidro

Foram pra casa amassar os cristais

Na mesma casa de barro polido

Lavar inúteis arranhões da pedra

Sem saber pra quê

 

Feito o sargento que desenhou

uma casinha no quadro-negro

e voltou para a sala de torturas

com uma lágrima de giz

 

Tudo se repete, até a terra chorar

feito a criança enterrada

que ninguém viu

 

9° Andar

(Aí mando a real:)

 

Quem disse que tudo continua só porque já foi?

O jogo segue. Fala com a mão!

Eles nasceram com grana, nós nascemos com rima xviii

 

Onde quer que te encontres, levanta os olhos!

A alma ganhou asas e afinal começa a voar… arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos! xix

Pára um pouco. Sente o espetáculo desta vida que

sabe a morte no avesso do chão

Sente que saímos dali

do barro podre, gemido de pedra afogada

e o cheiro do vento

ausente

a vida entre o céu e o corte

 

o Paraíso era um mangue

menstrua a-mar-é-mãe

o sangue anual da Terra

veia aberta de sal, via certa do sol

a vela cavalga sete setas

a via a santa ceia

parte o peixe feito Pão

Nosso, desde o início, por estas mãos!

 

Toma a terra e as raízes criarão asas

de barro mergulhando as penas

nas águas onde o mar vem matar a sede

e onde um anjo enterrou seu sexo

na lama.

 

Ergue os olhos e veremos longe, pois veremos juntos.

Aqueles sujos e rotos, talvez fugindo

são nossos filhos e pais e nós dois também

Daqui a pouco seremos Todos

 

As pessoas não são más, irmão, elas só estão perdidas. Ainda há tempoxx

 

8° Andar

(Queriam-me desaparecido, mas a bala fez de mim um andor, marejando a praça nos ombros do povo. Uma jangada na procissão em que cabem todos. Nem precisa de água pra levar o peixe e ver o mundo.)

 

Nav e go

vago s o rizontes de chuva

verticais vagas de sono

 

os ventos vestem raízes rasgadas

com pétalas e páginas plantadas

 

espírito moreno

sal

sangue de jangadeiro

(na infância dos fantasmas

o mar já foi doce!)

 

Vega

n’avegante

ave vaga

lembranças

velhas naves                    

 

O morto procura distâncias mas

ninguém o ensinou a ler os números

na face desse filho do homem

 

igreja de calças curtas

joelhos dobrados no palanque dourado

dum Cristo à Teu

 

No campo apodrecem estranhos frutos xxi

e sementes a sete palmos

mártires plantados na

 

T

E

R

R

          T   E   R   R   A   Ú   N   I   C   A

D

O

S

E

M

T

E

R

R

A

 

ouçam como soluçam as crianças              controladas

as mães             sem ventre

 

suspensos, os meninos de rua trazem nos olhos

baleias e malabares

 

não quero aprender a ler

os números nestas faces

 

Coberto de línguas e h)eras

jaz

aos meus pés

um anjo sujo

 

7° Andar

queda

ciranda             vertical

os fantasmas fazem                 festa

de mãos dadas com os

da morte

meninos

os quintais

pula-pula

na memória de asfalto

de vidro

Leia também:  Sobre trajetórias e responsabilidade, por Tadeu Porto - diretor da FUP 

vêm no vento

espuma e espanto

 

6° Andar

(Irmão, cair ou voar é, antes de tudo, uma atitude!)

 

Um fantasma todo preto e um suicida todo branco (ou vice-versa).

Cruzam-se no vôo-queda em meia-vida (ou morte inteira). Veem-se os impossíveis dois.

Antes de seus finais em concreto sujo e céus vazios – opera o milagre da cor.

Aquela que em si se esconde

Única ausente na ópera delírica ao quadrado entornada.

Horizonte vertical em fuga – virado encontro rodopio.

Os espectros mudam de idéia antes do impacto.

Meiavolteiam.

Abraço centrípeto       impossível dança.

Veloz

mais

  Cada

vez

Confusos feito humildes sábios mortos

Furta-cores

Indistintos

L

A

N

Ç

A

M

E

S

entorno plúrimo

arco reto infindo

 

Explodem

não        mais

o         preto

e

o         branco

A cor que mais não falta à vida

5° Andar

(Mãe? Me teve! Então tenho.)

 

Saudades do onde? Saudades do quando?

 

Não.

… da gente, lá!

 

que noutro canto saudade maior seria?

 

de encontros nos cantos

acuados desencan)t(os

 

depois, encantados por outros contos;

 

desejencontrados

 

saudoso d’alguns vazios centos

 

lugaresemim

 

soudade dê si(m)

;perdidos encantos

calados

nós aqui, desacuados

outros tantos – nem …

es)conta nos dedos quem, feito eu

lembrando do que não foi

vez em quando

 

canta.

 

4° Andar

(Lembrem de mim, meus amigos, minha amada. De meus olhos. Meus silêncios. Meu sexo. Minha dúvida e meu respeito… Mas lembrem também de quem me matou.)

 

O tirano veste ouro estrelas

o povo farda mortalha

 

órfãs do futuro

mães escavam o asfalto com unhas

de crianças transparentes

 

O tirano desfila nu.

Vestimos a pele do espanto

 

)lábios arrancados pela chibata

enquanto outros sorriem bandeirinhas e mariposas(

 

No-velas

ensinam o alfabeto da fome

 

O tirano come liberdades.

Tomamos vaselina covardia

 

O tirano discursa a verdade após o medo

de quem só vive via-satélite

 

Alternativo e culto

saí em busca de mim mesmo

encontrei no caminho

um ventre roto de menina

 

e também passei adiantexxii

 

Aí lembrei que eu era também menina

 

tornei à velocidade do espanto mas

a criança se esvaziava

exposta à visitação pública

 

Desde ali

pelas geometrias da morte

des)espero

 

es)corro pelos olhos

que abriram tarde

 

Depois de deixar currarem minha alma

não sobreviver à morte do sonho

é fácil jurar.

 

Difícil é levar mais gente comigo!

 

3° Andar

A morte rasga o véu, e o fel vem na retórica

Depressão é a peste entre os meus. Tou fora!

A beleza do meu povo, a favela não sucumbe

Meu lado África, aflorar, me redimir

Não precisa morrer pra ver Deus

Quem sou eu? Um Pantera

Quem sou eu? A pantera

O anjo do mal alicia o menininho

Toda noite alguém morre

Preto ou pobre por aqui

O que eu tenho? Eu tenho alma. O que eu tenho? Eu tenho amor. O que eu tenho?

Eu tenho orgulho. O que eu quero? Ser LIVRE.

NinJitsu, Oxalá, capoeira, JiuJitsu

Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio

ao Pantera trabalhador que corre atrás do pão

É humilhação demais que não cabe nesse refrão

Você pode ver o orgulho na pantera?

Como ela alimenta seus filhos, sozinha?

Você não vê o orgulho dos Panteras,

Como eles se juntam, feito um?

 

E se não resistir e desocupar

Entregar tudo pra Ele então, o que será? xxiii

 

Livrar as Mentes, almas livres, Corpos livres…

E o amor… amor… o amor é o motor da revolução xxiv

 

2° Andar

(Descansa desta luta um pouco; vem amar agora!)

 

Respondo: se é para poder amar que a gente luta, é claro que descansamos, mas é feito o coração, entre uma batida e outra. Agora vim!

 

Não fales das pequenas coisas

Tenho formigas no olho direito

enquanto o esquerdo embraça o dragão

no ventre da virgem

e quando o outro se abrir

estarei sonho e serei morto

 

O sonho é a última forma de consciência

que toda noite memora

a dignidade do despertar

 

mestre de minha ignorância

quero en(si)n’ar-te a perplexidade

do boi de (h)era nos olhos

iguais aos teus

ruminando o caminho de volta

 

Não me peça flores

à rosa em agonia

pre)firo o sangue da colheita

são belos os espinhos das rosas que se protegem

 

Seja esta mulher que até morto amarei

permita que meu nariz fure as quatro cortinas da noite

e sinta o hálito de deus entre suas pernas

espumas negras deste Mar

de saliva e sonhos

cheia de línguas

gosto sagrado do perdão e da primeira vingança

 

Quando os touros embandeirados mataram o profeta

das agulhas à beira-mar eu quis morrer.

Mas a mulher leu o meu sexo com os lábios

de Garcia Lorca

e me ensinou os infinitos nomes da noite

onde se balançava entre a estrela e a berço

descrevendo o arco imponderável

do que os poetas não sabem dizer

 

Quero esta mulher orgulhosa como um fogo ou um pênis

ou olhar profano

do cordeiro que fugiu do altar

 

Quero merecer a mulher pura

para si

que no fim dos tempos só ajuste

contas com o próprio sexo

que pise nas estrelas de propósito

e enfeite seu caminho luminosa

 

Com a dignidade de sair pelos

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campos colhendo pedras com os olhos cheios de trigo

fiel pastora de ossos das crianças impossíveis

e que esconda em sua vulva

uma antiga piranha com meu nome

 

Amo nos altares                    trepo

penetramos o coração da pedra

quebro meu dente de vidro

na carne do mármore) moreno

dura feito o mar tempestado

que herdaria a Terra

após os últimos amantes

 

Agarro as arestas de nosso espanto

feito após o gozo o morto se agarra ao sono

E assim descanso em

 

Tuágua inteira

terceiras metades de mim

 

Pra quê descansar, se agora somos eternos?

 

1° Andar

(Sinto que estou a me terminar. Posso, pois sou gente. E quem é, decide até o fim xxv.)

 

No final, o que é que a gente faz com a raiva?

Dou uma moral: essa violência (que reagiu à outra) não está incorporada ao ódio mais do que ao amor. O amor que esta aspereza encerra é tão brutal quanto a própria violência, porque não é um amor de complacência ou de contemplação mas um amor de ação e transformação. Impossível amar com fome. xxvi

Foi para amar e mudar as coisas xxvii que esta poesia véia da raiva

Nasceu brasa,

como os territórios do centro incendiados,

e desejo

continue como árvore vermelha xxviii propagando clara queimadura.

Mas não somente cólera nestes ramos cultivei: as raízes procuraram a dor mas também a força da pedra pensativa e a alegria das mãos congregadas.

Por fim, sou livre dentro da massa. Ar vivo, saio para a multidão dos combates, livre porque em minha mão vai a tua.

Com microfone ou pena, perseguido nas quebradas, fiz este poema comum, pão aberto para todos. Seguindo sua geografia, a comunidade um dia recolherá seu fogo e semeará a barca da Terra.

E de novo nascerá esta palavra, talvez em outro tempo sem as dores, que aderiram tantas iras em meu canto,

e outra vez nas alturas, na escola e nas ruas, queimante tal estrelas

estará meu coração. xxix

 

na rua Andar

Voltei.

Vem comigoxxx.

.

  1. Advertência: as citações estão quase todas erradas; as notas não respeitam direitos autorais; afinal, poesia que precisa se explicar é poesia ruim; a boa deixei em itálico. Você devia era parar de ler agora e escutar um poeta popular….

  2. Bairros Parque Leblon, Caucaia, zona metropolitana e Bom Jardim, Fortaleza. Dos mais violentos no mundo para jovens-pardos-periféricos. Das mais lindas paisagens e cultura no mundo para jovens-pardos-periféricos-e-você.

  3. De Jardson Remido. https://www.facebook.com/profile.php?id=100007632858122 iv Pantera Negra, Emicida.

  1. Disparada, Geraldo Vandré.

  2. O Golpe de 1964 perseguiu, expulsou (ou matou mesmo) mais de 7.000 militares das três Forças. Ainda hoje há resistências: file:///C:/Users/membro/Downloads/WILMA_ANTUNES_MACIEL.pdf e https://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-resistencia-militar-contra-o-golpe-de-1964-4212.html.

  3. Hamlet, Shakespeare – o “Bardo”, categoria que se misturou aos “menestréis” para fazer os primeiros “rappers”. viii Construção, Chico Buarque do Brasil.

  1. Operário em Construção, Vinícius de Moraes – que construiu um pedaço do Chico.

  2. Caso real em Fortaleza, no tempo em que os animais calavam. Também em Curitiba, aos 07.2.2018 e em tantos outros lugares comuns. Fosse hoje, seriam panelas.

  3. De Caetano Ximenes de Aragão, no livro “Romanceiro de Bárbara”, a 1ª presa política do Brasil. xii Não Há Vagas, Ferreira Goulart.

  1. Certo estudante em Fortaleza, sofreu tiro nas costelas durante manifestação contra a Ditadura. Escapou e tornou-se professor. Em 28 de março de 1968, o secundarista Edson Luís de Lima Souto, 17, foi morto com disparo nas costelas por PM, na invasão do bar Calaboço, no Rio de Janeiro. Mais tarde isto resultaria na marcha dos 100 mil, contra a Ditadura. Por volta do ano 33, um rabino revoltoso foi morto com uma lançada adivinhe onde.

  2. In “A Nuvem de Calças”, Vladimir Maiakovski – google que acha. xv Dele também, no “A flauta-vértebra” – idem, vale.

  1. Esquiva da Esgrima, Criolo.

  2. É Preciso Fazer Alguma Coisa, Thiago de Mello. xviiiDe Jardson Remido – verso solto nos poraís.

xix Adaptado do discurso final de “O Grande Ditador”, Charles Chaplin – e foi antes da guerra, viu! Arte adivinha. xx Ainda Há Tempo, Criolo

  1. Strange Fruit, Billie Holiday.

  2. Parábola do Bom Samaritano, Lucas 10, 30-. xxiiiConvoque o seu Buda, Criolo.

xxivPantera, Tupac.

xxv Dos Pré-socráticos, passando por Isaac Asimov até chegar em James Cameron. xxviEztetyka da Fome, Glauber Rocha.

xxviiAlucinação, Belchior – meu primo que você queria ter.

xxviiiVermelha designa a impressão óptica e psicológica correspondente do estímulo lumínico complementar ao ciano e com comprimento de onda entre 630 e 740 nm.. Vem de pequeno verme grego, mas nomeia estrelas gigantes. Por corresponder ao sangue de alguns, era mágica desde as cavernas. Cor, por enquanto: da paixão, transgressão, das línguas de Pentecostes, de revoluções como a Americana, Francesa, Russa e dos Cravos, do Ministério Público e dos mestres de Judô e Karatê.

xxixAqui Termino, do Canto Geral, Pablo Neruda.

xxx “Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário”. Paulo Freire

.

Élder Ximenes Filho. Mestre em Direito Constitucional / UNIFOR. Promotor de Justiça.

Membro do Coletivo por Um Ministério Público Transformador – MP Transforma 

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