Ainda é possível ter esperanças?, por Izaías Almada

Sob o manto de uma democracia meia boca e debaixo das barbas de um governo nulo em ações políticas e sociais eficientes, a direita brasileira trabalha descaradamente para minar as instituições do país.

Ainda é possível ter esperanças?

por Izaías Almada

Segundo dados da última pesquisa da empresa britânica Oxfam, o número de bilionários no mundo é de 2153 pessoas que possuem uma riqueza maior que a de 4,6 bilhões de pessoas, ou seja, 60% da população mundial. O pior é imaginar que nos dias que correm poucas pessoas estão verdadeiramente preocupadas com isso.

E o Brasil, amigos leitores? Como fica nessa e em outras questões afins? Continua descendo a ladeira? 

Ultimo país a acabar com a escravidão no século XIX vai ser o primeiro a iniciar a escravidão do século XXI? A estimativa é de que teremos doze milhões de desempregados nos próximos anos.

Sob o manto de uma democracia meia boca e debaixo das barbas de um governo nulo em ações políticas e sociais eficientes, a direita brasileira ou pelo menos aquela mais truculenta e que se pode considerar como tal, trabalha descaradamente para minar as instituições do país, anular o pensamento crítico, desestimular o nacionalismo empreendedor e progressista, além de espalhar entre os brasileiros a desconfiança, o preconceito, a intolerância, o ódio e o medo, numa construção paciente de um fascismo caboclo, favorecido pela conjuntura internacional.

Para os pobres, a lei. Para os ricos e a classe média bajuladora e hipócrita, o silêncio e a impunidade. 

Qual é a novidade? Basta estudar um pouquinho a História do Brasil e vamos ver que, com o passar dos anos, o estigma sempre piora e se torna mais violento e mais injusto.

Não basta tirar os pobres da miséria, é preciso torná-los cidadãos, capacitá-los ao pensamento crítico e dar-lhes boa educação e saúde, além de garantir seus direitos. 

Os dias avançam com a ardilosa preparação do país para aceitar a construção de um regime fascista e suas leis, onde cada cidadão que porventura teime em lutar por democracia, justiça social e direitos humanos, será eventualmente marginalizado ou mesmo punido por sua “audácia”.

Primeiro a prisão e depois a condenação, mesmo que sem provas. Presunção de inocência? O que vem a ser isso? A palavra de ordem é: “presunção da culpa”, ou seja, o dedodurismo alçado à categoria de “exemplar patriotismo”. 

Exagero? Pessimismo? Procurando pelo em ovo? A sinistra planta baixa de tal construção está sobre alguma mesa muito bem escondida no país e principalmente fora dele. 

Sobre ela estão debruçados com toda atenção possível, inteligências pagas a peso de ouro para criar um quadro caótico, em que acusações sem prova e delações premiadas (ou seja, muito bem pagas) possibilitem as prisões e as condenações dos eventuais culpados pela “crise e decadência moral” do Brasil. A recente denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald é prova conteste do momento em que vivemos.

Na Alemanha, em 1933, isso começou com os judeus, os comunistas e os ciganos. Muitos ainda se lembram.

E nesse caminhar trágico e trôpego, o espaço de respeito às leis e à Constituição vai sendo conspurcado e ocupado pelas manchetes sensacionalistas do mais abjeto e hipócrita moralismo e falsas acusações, com alguns juizecos de direito se arvorando em grandes juristas e senhores das leis; monopólios mediáticos manipulando consciências e a destilar suas venenosas e ardilosas mentiras (feiquinius) sobre um povo, em grande parte, ainda crédulo, aculturado e alienado. 

O palco da soberania nacional recebe sob suas luzes as vedetes da destruição do conceito de sadia independência e autonomia do país, representantes que são de interesses antibrasileiros ou, na melhor das hipóteses, de interesses pessoais. 

A essa gente não interessa o povo verdadeiramente trabalhador, não importa que muitos passem fome, tenham boa saúde e boas escolas. Basta aumentar o salário mínimo em alguns caraminguás… A essa gente não interessa a soberania do Brasil…

Já declararam guerra à nação, cada vez mais entregue à própria sorte, pois está sem líderes que possam oferecer qualquer resistência ao tropel direitista e daqueles que acreditam que o Brasil “está sendo passado a limpo”. O povo brasileiro em sua maioria começa a ficar como cego em tiroteio.

Mas em política nada é impossível! 

O pensamento dialético deve sempre ser invocado e lembrado.

E nunca é demais lembrar que a Amazônia e a Petrobrás, até prova em contrário, ainda são as meninas dos olhos das nossas FFAA, que – com toda a certeza – têm em seus quadros honrados nacionalistas e democratas como aqueles que bravamente defenderam a democracia com a própria vida combatendo o nazifascismo em Monte Castelo durante a Segunda Guerra Mundial.

Diz o surrado adágio popular: “A esperança é a última que morre”.

1 comentário

  1. Não guardo nenhuma expectativa/esperança em relação ao nosso país. A atmosfera está ficando igual à Alemanha pré-nazista. Lá, quem tinha condições fugiu assim que Hitler ascendeu. Outros não fugiram achando que Hitler não passaria da retórica. Quando perceberam o erro, era tarde demais, acabaram nos campos de concentração. Aqui, muitos de esquerda ou opositores do regime acabarão em presídios como deliquentes.

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