Aonde está a autoestima do brasileiro?, por Gustavo Conde

"A farsa dos 600 reais é mais um estratagema dessa pústula que ainda temos a infelicidade de chamar de governo."

Aonde está a autoestima do brasileiro?

por Gustavo Conde

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Que essa novela do auxílio de 600 reais sirva de lição para todo o sempre – se houver um sempre – para os brasileiros de baixa renda.

Que eles jamais subestimem a política novamente, demonizando justamente os partidos e os políticos que os defendem.

Que eles jamais debochem de quem diz querer um mundo mais justo e igualitário, projetando no outro aquilo que lhes carateriza: o vazio conceitual sobre a coletividade.

Que eles jamais aceitem novamente encarnar o papel de escravos dóceis e bem comportados da nossa elite, invejando-a ao invés de esmagá-la.

Que eles jamais se permitam usar novamente o sistema de transporte público corrupto que superlota ônibus e trens para obter mais lucro, com zero compromisso pela vida humana.

Que eles peçam um sistema melhor quando forem novamente consultados em uma eleição.

Que eles jamais aceitem uma educação precarizada para os seus filhos, que eles jamais aceitem uma polícia que mata trabalhador preto e pobre, que eles jamais aceitem políticos milicianos genocidas que fazem apologia à tortura e riem nas suas caras como se todos fossem idiotas úteis e votos certos.

Que essa novela grotesca e assassina dos 600 reais lhes sirva de lição amarga, de um tapa na cara, da velha tortura militar entranhada na dor social e política que caracteriza a história recente deste país.

A farsa dos 600 reais é mais um estratagema dessa pústula que ainda temos a infelicidade de chamar de governo.

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É uma armadilha, é um crime, é uma provocação (sob os olhares paralisados dos outros dois poderes inocentes que celebraram o auxílio como vitória política).

Ofertar um aplicativo disfuncional à massa de trabalhadores que mal manejam um smartphone é sadismo. Induzir esses trabalhadores a se deslocarem a agências bancárias em plena quarentena é genocídio. Estruturar uma operação dessa dimensão com burocratas incompetentes que agem sob o signo da vingança e do ódio é gargalhar na cara de todos nós, enviando o país para o caos social sem uma gota de remorso.

Que os trabalhadores brasileiros tenham aprendido mais essa amarga, dolorosa e sádica lição.

Que eles se lembrem quem são e o que são.

Que eles olhem para os seus filhos e recobrem a autoestima que lhes foi arrancada pelos propagadores de ódio e morte da nossa politica.

Que eles queiram voltar a viver. Que eles se reumanizem. Que eles respirem fundo enquanto ainda podem e que eles gritem manifestando a repulsa por esse governo que foi eleito de maneira fraudulenta para nos matar.

E que não demorem – e que não demoremos. Antes que a história nos varra do horizonte sob a alcunha da cumplicidade covarde e suicida.

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4 comentários

  1. Mas como fazer chegar com clareza esta informação ao povo que ganha até dois salários mínimos, para não falar que a classe média baixa de até cinco salários também é alienada, e pouca importância dá a informação de qualidade, preferindo o que os “outros” dizem nas reuniões que acontecem nas filas e intervalos de turnos, ou quando é pequena a empresa, entre funcionários a qualquer momento. realmente é um dilema, enquanto não tivermos uma imprensa de massa com programas culturais e notas de esclarecimento durante a programação, sem medo de assumir a linha que ideológica que segue, não chegaremos ao esclarecimento da população .

  2. enquanto tivermos uns BBB da vida que faz a cabeça de muita gente, culturas tipo certanejas idiotizantes que não acrescentam só destroi não iremos evoluir em nada por muito tempo

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