As decisões econômicas do Brasil baseadas nas regras de bolso do Chile, por Albertino Ribeiro

Podemos usar como exemplo a experiência chilena, onde a equipe econômica do governo Pinochet teve “carta branca” para fazer do Chile um laboratório liberal.

As decisões econômicas do Brasil baseadas nas regras de bolso do Chile

por Albertino Ribeiro

A tomada de decisão é um dos objetos de estudo da Psicologia Econômica. Esse ramo, relativamente novo do conhecimento, mostra como as decisões podem ser afetadas pelas  emoções, tornando-nos vítimas de vieses cognitivos chamados de  “regra de bolso” ou atalhos mentais, sendo um deles a heurística afetiva.

Regras de bolso como a heurística afetiva, levam pessoas a tomarem decisões baseadas em seu julgamento emocional. Uma das características desse atalho mental é que, no momento de uma decisão, ignoramos os riscos e defeitos daquilo que gostamos e desvalorizamos as virtudes daquilo que não gostamos.

Esse tipo de comportamento está presente em nosso cotidiano, mas pode ter sérias consequências em grande escala quando se trata de pessoas que tomam decisões importantes a frente de um governo.

Podemos usar como exemplo a experiência chilena, onde a equipe econômica do governo Pinochet teve “carta branca” para fazer do Chile um laboratório liberal. O Presidente, tomado por emoções viscerais, instadas pelo golpe militar que comandara, apegou-se as “regras de bolso” como se fossem um antídoto contra o marxismo supostamente praticado pelo então presidente Salvador Allende.

Como se não bastasse, um grupo de economistas dogmáticos da escola de Chicago,  estavam dispostos a provar a veracidade de suas teorias as quais estavam ligados afetivamente. Destarte, agiram de forma indiferente aos sinais claros de um país que não estava preparado para o tratamento de choque que sofreria e cujos resultados são conhecidos hoje em função da total ausência do estado na educação, na saúde e na previdência. Esta, aliás, paga menos de um salário mínimo para mais de 70% dos aposentados do país andino.

Por seu turno, no Brasil, embora não esteja acontecendo nenhum golpe de estado, o presidente vive como se estivesse em luta contra forças opositoras que tramam a todo momento contra a democracia e a ordem estabelecida. O presidente, por ter grande admiração pelos EUA, entende o neoliberalismo como único caminho possível para o Brasil. Dessa forma, sem questionar aquilo que lhe parece correto, por ser-lhe prazeroso (heurística afetiva), conduz a economia a um cenário semelhante ao vivido hoje pelo Chile.

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