Bolsonarismo na ofensiva ideológica, por Aldo Fornazieri

Bolsonarismo na ofensiva ideológica

por Aldo Fornazieri

As primeiras semanas da era Bolsonaro vêm assumindo, com mais nitidez, duas características: 1) a confusão e a explicitação de divergências internas, analisadas neste espaço no artigo da semana passada e, 2) a manutenção da ofensiva ideológica contra as esquerdas e o PT. A ofensiva ideológica já se fez presente na própria posse, notadamente através de três manifestações: a afirmação de que ele representaria o fim do socialismo no Brasil; a incitação à defesa da bandeira brasileira, com derramamento de sangue se fosse o caso, para impedir que ela se tornasse vermelha e a indicação de que o atentado que ele sofreu teria sido articulado por forças antipatrióticas. Deus, pátria, família foram e continuam sendo usados à la larga contra teses esposadas pelas esquerdas e contra políticas públicas voltadas para a garantia de direitos civis.

Toda ideologia se vincula a valores e os valores visam coesionar  adeptos e orientar condutas. A nova direita internacional, ao querer firmar-se como uma alternativa à esquerda e ao centro liberal, estimula de forma enfática um combate em torno de valores. O campo é fértil, pois as esquerdas e o centro liberal esqueceram os valores e propõem políticas públicas apenas no seu sentido técnico,  como se fossem receitas ou bulas a serem aplicadas por governantes e gestores. É certo que uma base política assentada prioritariamente em valores pode ruir facilmente se os resultados materiais não aparecerem e este é um risco para Bolsonaro. Mas também a pregação meramente técnica de políticas públicas tem pouca força de coesão.

Com o enfraquecimento relativo dos vínculos societários, comunitários, trabalhistas e até nacionais, as religiões se tornaram frentes de coesão e de indução de condutas e a nova direita internacional segue-lhes os passos e elabora estratégias próprias para combinar religião e política num suposto resgate daquilo que seriam os fundamentos da Civilização Ocidental. O bolsonarismo navega nessas ondas. Alimentar a chama da fé nesses valores, através de radical ética das convicções, é alimentar o ânimo de uma unidade numa nova crença política e o ânimo do combate ao inimigo, identificado nas esquerdas, no PT e nos movimentos sociais.

Nessas primeiras semanas de mandato, o bolsonarismo continua com seu fogo de barragem ideológico: PT, PSol, MST, MTST e outros movimentos são quase que diariamente atacados, quando não pelo próprio Bolsonaro, por alguns de seus ponta de lança. A tentativa de criminalizar o MST e o MTST é evidente. Hoje, os dois movimentos são os únicos que conseguiriam propor uma oposição mobilizada, dada a paralisia e a confusão que reina nos partidos de esquerda, particularmente no PT.

Mesmo assim, o PT e o PSol não são poupados. O PT é associado ao regime de Maduro, classificado como uma ditadura, e a Cesare Battisti, designado como terrorista e assassino. O partido já pagou e continua pagando o preço pelo erro de não ter extraditado Battisti. Invariavelmente, o PT é associado à mais vasta corrupção que já teria ocorrido no Brasil e com Lula preso porque foi “o maior ladrão”. É preciso prestar atenção ao esforço que os bolsonaristas vêm fazendo, visando apropriar para si a defesa da democracia e do Estado de Direito, imputando às esquerdas a defesa das ditaduras, do terrorismo e do crime organizado.

É evidente o estrago que esses ataques proporcionam junto a parcelas importantes da opinião pública. A tese de petistas, de que tudo isto já está precificado e que não surte mais efeitos, é falsa. Em primeiro lugar porque, se os eleitores de Bolsonaro não são majoritariamente ideológicos de direita, o bolsonariso visa ampliar sua base ideológica pelo embate. Em segundo lugar, porque esses ataques deixam o PT e outras forças de esquerda na defensiva e sem capacidade de reação. A maior parte dos ataques desferidos contra o PT e as esquerdas nesses primeiros dias de governo não foram adequadamente respondidos. As oposições parecem estar de férias.

Alguns petistas, com os quais tenho tido interlocução, têm uma avaliação errada do processo político, a mesma análise errada que tinham durante o processo de impeachment de Dilma. Naquela época, numa manifestação na Avenida Paulista, um membro do Diretório Nacional do partido fez a seguinte avaliação: o governo Dilma tinha fracassado. Seria melhor que fosse aprovado o impeachment, pois o governo Temer fracassaria e o PT voltaria ao poder. O governo Temer, de fato, fracassou, mas quem assumiu o poder foi o Bolsonaro. Agora se acredita que o governo Bolsonaro fracassará, principalmente na economia e no social, e que isto abre as portas para o retorno do PT ao poder. Em primeiro lugar, não é certo que Bolsonaro fracassará. Em segundo lugar, se ele fracassar, poderá vir Dória ou Moro, ou até mesmo algum general.

O fato é que o PT e as esquerdas não têm estratégia. Após a vitória de Bolsonaro PT e PSol se limitaram a aprovar resoluções colocando no centro da luta a defesa da democracia, essas coisas todas. Numa resolução capenga, o PT tentou explicar os motivos da derrota, mas não conseguiu.

Além da ofensiva ideológica, o governo Bolsonaro adotou algumas medidas de ataques às políticas de promoção de direitos civis, da diversidade, dos indígenas e entregou a reforma agrária nas mãos dos ruralistas. O governo extinguiu o Ministério do Trabalho sem que as centrais sindicais e os sindicatos se movessem de suas cadeiras.

O bolsonarismo acerta a mão quando define o PT e as esquerdas como inimigos a serem combatidos. Mesmo derrotado, o PT sobrou como a maior força partidária organizada, que poderá fazer frente ao governo. O PSol, por seu turno, mesmo pequeno, tem as bancadas mais aguerridas e combativas da política brasileira e isto pode se tornar um grande incômodo ao governo. Além de buscar estabelecer uma coesão em seu próprio campo através do combate ideológico, os bolsonaristas parecem saber que quanto mais fraco o agrupamento inimigo, mais facilidade de manutenção e de exercício do poder eles terão.

Sem estratégia e sem capacidade de reação, as esquerdas são jogadas para posições defensivas. Parecem ter perdido até mesmo a noção do que é um partido político. Um partido é um agrupamento de combate. Para tanto, precisa estar em permanente prontidão estratégica, intervindo no dia a dia, na hora a hora da luta política. Quando se está sob ataque, como é o caso, é preciso ter táticas de resistência e de pronta resposta. Mas é preciso sair das posições defensivas. Para isto é necessário ter uma estratégia. Uma estratégia de reorganização dos  exércitos (forças) próprios, de seu fortalecimento, de sua capacitação para os embates, de ataques ao inimigo e de objetivos a serem alcançados. Isto parece que se perdeu. Os generais das esquerdas parecem estar sem a virtù necessária para elevar o moral de combate de seus exércitos. A renovação dos comandos partidários é algo urgente, mas, aparentemente, difícil de fazer, pois os esquemas de poder interno dos partidos estão ossificados.

Leia também:  Um trilhão para o Guedes, por Paulo Kliass

Além de não ter estratégia, de ter as tropas dispersas e sem ânimo para o combate, as esquerdas carecem de grandes generais, competentes, corajosos e combativos, com sua liderança enraizada, reconhecida e reputada na sociedade. O grande general das esquerdas está preso e, como já disse em outro artigo refutado por dirigentes do PT, cada vez mais esquecido na cadeia.

Assim, é preciso que as esquerdas projetem novos lideres com urgência. Guilherme Boulos é uma grande esperança. Haddad, que emergiu das eleições com a maior projeção no campo progressista, precisa encontrar um caminho para se firmar como líder popular, mesmo com as amarras que lhe impõe o PT. Para vencer batalhas, combates, não bastam estratégias, táticas, palavras de ordem. São necessários também líderes virtuosos, competentes e que gozem de reputação. Precisam ser capazes de disseminar admiração e convencimento junto aos aliados e temor e respeito junto aos inimigos. Dispor de forças próprias, de coragem e de capacidade de comando são os meios materiais e morais imprescindíveis para líderes que conduzam a vitórias.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).

 

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28 comentários

  1. Estratégia das esquerdas
    A ruptura da frente da esquerda capitaneada pelo PDT, mostra que quem não possui estratégia são o PT e o PSOL. Esses partidos exigem que o PT assuma todos os seus erros antes de acertarem uma agenda comum. Não vejo alternativas que não passem por uma virada de página, sendo que o primeiro ato passa pela renuncia de Geisy Hoffman da presidência do partido seguido da eleição de Fernando Haddad.

  2. O Pt chamava-se Lula.

    O PT age como a tal “comunidade do basket” aqui em SP, que de tanto cometer besteiras e se fechar em panelinhas levou esse esporte à sua destruição.O PT é um grupo fechado que só tem voz quem é famoso. Que não tem uma estratégia bem elaborada para combater os últimos governos que o destrçou e que só faz reclamar, reclamar e reclamar. O PT não ouve suas bases. O PT parece claramente acuado, com medo, sem lideranças de verdade, perdido nos seus próprios erros.Nem os movimentos sociais é capaz de aglutinar mais em torno de si. Só foi encarcerar o Lula para o PT acabar de vez.

  3. Lula Nobel da paz 2019

    Eh correta a analise de que as esquerdas estão semi-paralisadas e vivem na defensiva. Como é possivel um ministério representativo como o do Trabalho ser extinto sem que nenhum sindicato se manifeste? E quem ainda não entendeu que o bolsonarismo vive do sangue petista? Ele se alimenta para sua sobrevivência todos os dias desses ataques ao PT e aos “comunistas da nação”.  Então é mais que hora de se pensar em linhas de estratégia ao que se tornou comum nas redes sociais que são os ataques ao PT, corrupção, Lula ladrão, comunistas etc. Eh preciso responder a esses ataques que parecem pueris, mas são destruidores a longo termo e mostrar a cara que eles têm. Pouco a pouco a população vai se dar conta do que representa bolsonaro e seu governo. 

    E nem se pense que sem desmacarar Sergio Moro e demonstrar o perigo que são os verdes-oliva na direção do Pais que o PT voltara nas proximas eleições nos braços do povo. Alias, sem a reparação à  Lula e sem estratégia, o PT vai diminuir cada vez mais. Outra linha de conduta para este ano do PT, movimentos sociais e progressistas é centrar foco na campanha Lula Nobel da Paz 2019. Quem não entendeu ainda a importância desse nobel neste momento para Lula e para o Brasil que queremos democratico?

  4. Bolsonarismo na ofensiva ideológica

    -> 1) a confusão e a explicitação de divergências internas, analisadas neste espaço no artigo da semana passada

    Bolsonaro jamais imaginou vencer as Eleições de 2018, até ser arrastado pelas ondas da História, ltrazendo um homem sem qualidades ao epicentro da maior crise da História brasileira.

    o pior não é o clã Bolsonaro  não ter a menor idéia do que fazer, e sim os Generais estarem tão, ou até mais, definitivamente perdidos.

    em sua feição atual, o governo Bolsonaro não tem a menor condição de enfrentar os complexos e estruturais problemas do Brasil.

    se qualquer marolinha financeira internacional já impactaria mortalmente o governo Bolsonaro, o que se aproxima é um tsunami de proporções bíblicas, frente ao qual os Generais ainda não tem a menor estratégia de defesa.

    -> 2) a manutenção da ofensiva ideológica contra as esquerdas e o PT.

    dada sua absoluta falta de projeto, o governo Bolsonaro continua em plena campanha eleitoral, usando ainda as mesmas armas para manter vivo o fantasma do inimigo vermelho.

    enquanto nada tem a dizer frente ao inimigo real: a catástrofe social e econômica em que vivem os brasileiros.

    esta tática tem prazo de validade. e muito curto. ou Bolsonaro diz a que veio, colocando dinheiro no bolso do povo, ou sua erosão será inevitável e veloz.

    -> Alguns petistas, com os quais tenho tido interlocução, têm uma avaliação errada do processo político, a mesma análise errada que tinham durante o processo de impeachment de Dilma.

    o Lulismo jaz em profundo estado de negação. e não poderia ser diferente, para uma corrente política que fez da supressão da crítica um de seus dogmas.

    se o PSDB morreu, o PT çontinua vivo. mas morto. pois sem qualquer vitalidade enquanto instrumento de transformação social.

    o PT repete a trajetória do PCB, que após 1964 tornou-se irrelevante politicamente, mesmo depois da redemocratização.

    o PT tornou-se um puxadinho do Lulismo. e o que será do PT sem Lula Livre? o mesmo destino do PTB sem Getúlio Vargas e do PDT sem Brizola.

    -> O fato é que o PT e as esquerdas não têm estratégia. Após a vitória de Bolsonaro PT e PSol se limitaram a aprovar resoluções colocando no centro da luta a defesa da democracia, essas coisas todas.

    não tem estratégia porque não tem um projeto de país.

    e não tem um projeto de país porque não podem apontar para o pós-Capitalismo, porque não colocam como causa da crise a lumpenburguesia no Brasil.

    aliás, exatamente ao contrário do que vem fazendo Steve Bannon.

    -> Guilherme Boulos é uma grande esperança. Haddad, que emergiu das eleições com a maior projeção no campo progressista

    já postei aqui diversas vezes. e repito, sem qualquer presunção:

    Haddad é nada. Haddad é mais um poste. não tem qualquer perfil de liderança de massas. não tem qualquer carisma para levantar as ruas. não dispõe de empatia com o povo pobre das periferias.

    Boulos derrotou a si mesmo no processo eleitoral.

    talvez seja viável levantar-se e dar a volta por cima. mas para isto terá que mudar completamente o rumo adotado durante as Eleições de 2018.

    Boulos deveria ser o mais incisivo e fundamentado crítico do Lulismo, inclusive para neutralizar as críticas Bolsonarianas.

    ao invés disto, se acomodou em ser uma pueril linha auxiliar na esperança de ser ungido como o sucessor de Lula.

    desde a campanha eleitoral, a Esquerda segue pautada por Bolsonaro. sempre vence quem define a pauta. Bolsonaro continua ganhando.

    .

      • Bolsonarismo na ofensiva ideológica

        Caro,

        sabe qual minha maior preocupação?

        frente a atual perplexidade e paralisia do campo progressista e a tradicional incompetência tanto da Direita quanto dos militares, o que será de nós?

        dada a tragédia anunciada, como reduzir seus danos e minimamente estabelecer um outro rumo, não só programático mas principalmente através de ações concretas?

        .

        • o que será de nós?

          No começo do texto, o professor afirma que “religiões se tornaram frentes de coesão”. De fato, nota-se uma agitação de temas religiosos ou uma agitação religiosa de temas em toda parte.

          Machado de Assis analisou o caso do Diabo, que incomodado com tanta afirmação a atenuar seu império, sob o lema de que há apenas uma forma de negar, resolve disputar a freguesia fundando a própria igreja, a Igreja do Diabo. No fundo, sob essa ‘religiosidade’ confusa e artificiosa do mundo moderno, aparentemente em ascensão política, já não se reconhece autoridade epistêmica a religião alguma, nem coesão religiosa que resista à sedução do poder quântico de Mamon. Entre sociedades cristãs, resta a resistência ortodoxa, mas não se sabe até quando, o mundo muçulmano sob contínuo bombardeio há décadas, mergulhado em guerra há século, hindus em polvorosa, budistas e kardecistas constrangidos, hare krishnas surpresos; o alerta de Machado de Assis tomado como conselho pelo Diabo,  e este sucesso alcançado de erguer com nossos próprios corpos seu templo global.

          Sinal do ‘movimento’ Share the Love… (captura de tela de mídia na Malásia) Um australiano em Kuala Lumpur comentou a cena @ Brainwashing Muslim Children Into New Age… https://youtu.be/AkSxVEaPNBg

          No Brasil, cem milhões de árvores? Na Califórnia, 30 milhões de árvores? Gado, mineração, chip para todo mundo e 5G, a tempo da reinauguração do Devoniano (bons tempos)?

          • Bolsonarismo na ofensiva ideológica

            -> que resista à sedução do poder quântico de Mamon.

            -> o alerta de Machado de Assis tomado como conselho pelo Diabo,  e este sucesso alcançado de erguer com nossos próprios corpos seu templo global

            o templo global de Mammon já está de pé.

            sua infraestrutura logística é fornecida pelo Big Tech, este carismático Big Brother a quem os povos de graça entregam sua privacidade.

            a Tirania Financeira Global é o seu regime de governo. e os CEO e gestores são aqueles que mentem, se dizem judeus mas não o são. são a sinagoga de satanás.

            contudo, conforme o conto de Machado de Assis, se no Reino de Deus os homens cometiam pecados  escondidos, na era da Igreja do Diabo “as capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu, meu pobre Diabo? É a eterna contradição humana.”

            .

    • Telegramas do fim do mundo
      A pergunta é: quando é que a direita deixou de ter a prerrogativa da ofensiva?

      Aldo continua o coitado de sempre…

      Vamos ao debate sério…

      Eu quero discordar de você em aspectos pontuais apenas:

      – o PT não é um puxadinho do Lula livre… se fosse tava ótimo!!!

      O PT está atolado na incapacidade de enxergar a imperativa necessidade de superar sua visão reformista do capitalismo dentro de um pacto institucional que não mais acomoda tantas facções em conflito…

      E o pior: insiste em refirmar algo com dias contados:

      O capital se superou pela sua contradição interna, não a do valor contra trabalho, mas a do valor e antivalor (crédito, capital fictício)…

      Nem uma suposta volta as bases sindicais ou movimentos sociais permitirá uma retomada de peso político dos partidos de esquerda, até porque o trabalho deixou de ser a causa principal da acumulação capitalista…

      A questão é tão grave que poderemos até implorar para que esses boçais do governo tenham algum sucesso…

      A nova bolha que vai estourar (CLO ou qualquer lixo tóxico travestido de alguma sigla de alavancagem) vai pegar os EUA em pleno voo de galinha e a Europa se desmanchando…

      Os papéis nas mãos da China vão virar pó e eles vão querer a realização (antecipação) dos seus créditos…

      E a esquerda aqui respondendo a tweets de Damares ou de Araújo?

      • Bolsonarismo na ofensiva ideológica

        -> O PT está atolado na incapacidade de enxergar a imperativa necessidade de superar sua visão reformista do capitalismo dentro de um pacto institucional que não mais acomoda tantas facções em conflito…

        durante almoço poucos dias atrás no Hell de Janeiro, disseram-me:

        “- E aí, o que vai acontecer? Porque o despreparo do governo Bolsonariano só vai aprofundar os problemas do Brasil. Se ao menos a Esquerda estivesse se preparando para isto. Mas a Esquerda continua sonhando retornar ao seu paraíso perdido…”

        não haverá retorno. findou-se o mundo onde alguma política social é capaz de compensar um selvagem Capitalismo financeirizado.

        em outras palavras: estamos dançando sobre um vulcão já em erupção. como enfrentar esta situação? há o que fazer?

        mais até: cada um de nós, dentro dos estreitos limites do raio de ação de nosso cotidiano, pode fazer algo? nem que seja como contenção de danos.

        -> Nem uma suposta volta as bases sindicais ou movimentos sociais permitirá uma retomada de peso político dos partidos de esquerda, até porque o trabalho deixou de ser a causa principal da acumulação capitalista…

        por outro lado, nunca se trabalhou tanto quanto agora. na sociedade digital tudo é trabalho. é incessante a produção não remunerada de dados. estamos em pleno neo-escravagismo?

        a contrapartida da acumulação do capital fictício é a dívida pública, a qual se viabiliza por uma elevada carga tributária altamente regressiva.

        vivemos no Brasil no interior deste moinho satânico. em 11/2018 a média diária do overnight foi de R$ 1,1 trilhão.

        como mesmo assim não se converge para a meta de taxa de remuneração, a acumulação se dá por pura e simples expropriação. ou seja: roubo!

        o ciclo do Capitalismo se inicia com o confisco, na acumulação primitiva, e atinge seu estado mais avançado também retornando a ele, numa forma de acumulação sintomática de sua senilidade.

        entretanto, o capital fictício e a dívida pública não passam de registros digitais.

        sua existência depende de uma infraestrutura lógica de armazenamento, que apesar de parecer inexpugnável é tão efêmera quanto a fração de segundo necessária para se clicar na tecla Delete.

        porra! mas não era bem assim que eu queria lhe retrucar. era sobre a Feira Estadual da Reforma Agrária, realizada em 12/2018 no Largo da Carioca.

        uma outra hora escrevo sobre.

        abraços

        .

        .

        • Desde o inicio dos tempos

          Não é o trabalho que traz a riqueza.

          O trabalho traz a exploração de recursos e de pessoas.

          Como você conclui,

          “…………., a acumulação se dá por pura e simples expropriação. ou seja: roubo!”

          Reafirmando em coro os parágrafos seguintes.

          Como diria o Lama Dondup

          “Andou bem, Lobsang!

  5. Bolsonarismo na ofensina ideológica….

    Os donos da verdade da esquerda sempre muito distantes da realidade complexa, ampla e dinâmica. Substimam Lula e mostram o seu purismo, e se juntam a ditadura fake news para fazer a crítica ao PT em relação a Battisti, como fizeram com Dilma, se juntando aos golpistas para derruba-la, a primeira mega fraude para ganhar as eleições de 2018, com o objetivo de tirar a máquina do governo ferderal das mãos do PT.

  6. ANALISE FRACA

    POIS não leva em conta os aspectos GEOPOLÌTICOS contemporâneos.

    O GOLPE no BRASIL é coisa séria, veio pra ficar  ..foi desenhando ALÈM fronteira.

    OS perdedores EFETIVOS dos governos LULA e DILMA foram os EUA  ..em pouco tempo o império decadente deixou de ser nosso principal CREDOR, cliente e fornecedor.

    De quebra o BRASIL revelou ao MUNDO o que já se intuia  ..que era o maior possuidor das MAIORES JAZIDAS de petróleo do PLANETA.

    Mais ainda, numa postura altivista e madura, nosso governos progressistas resolveram dar voz aos 220 milhões de brasileiros em questões planetárias, aliando-se inclusive a forças contrárias àqueles que sempre nos oprimiram e nos tinham como QUINTAL.

    REFLITAM sobre o que digo ..NOSSOS GENERAIS NÂO falam MANDARIM  ..estas forças reacionárias não estavam preparadas pra nova missão e realidade que se apresentara  ..preferiram refluir

    Pra se viabilizar de vez o plano GOLPISTA – que tem em BOZO um acidente de percurso – as correntes de esquerdas deverão ser levadas ao DESMANCHE, a aniquilação, tal qual como fizeram em países como Iraque e Libia.

    O resto ? O resto o tempo tratará de ditar os caminhos ..mesmo pq, espera-se, as forças afetadas não tenderam a assistir a tudo de forma passiva (países do ORIENTE)

    Portanto, tratar de Haddad, Gleisi, mesmo o GIGANTE LULA, no atual cenário, é minimizar o problema e ignorar as verdaeiras forças que estão por trás desta nossa TRAGÈDIA política.

  7. Uma das coisa que mais

    Uma das coisa que mais incomoda é a postura do Haddad. Na virada do ano ele faz um vídeo convocanddo todos os apoiadores do Lula a participar do reveillon com Lula na vigília montada próxima de onde o ex-presidente está preso. No dia do ato ele simplesmente não apareceu, quem estava lá era a Gleisi Hoffmann. Esse tipo de postura do Haddad pega muito mal e desencoraja os apoiadores o Lula.

    O Haddad também tem prestigiado muito a mídia golpista que o ataca covardemente. Ele compartilha muito pouco a m[idia alternativa que o defende incodicionalmente. Ele não dá entrevistas aos veículos alternativos e em suas redes sociais se limita a reproduzir materias e informações de veículos como o Estadão e o UOL.

    Além disso, o Haddad não tem quase nehuma postagem ou foto do Lula e do PT nas suas redes sociais. Dá a impressão de que ele está muito incomodado com a associação que fazem dele com o PT. Como candidato de oposição que recebeu mais de 47 milhões de votos, ele deveria ser o mais atuante representante da oposição. Infelizmente não é isso o que tem ocorrido, o Haddad tem se mostrado um líder covarde e inseguro e, em até certo ponto, desleal.

    Gostaria muito que o Roberto Requião se filiasse ao PT e assumisse a dianteira a luta contra o atual governo fascista que controla o país. Com um partido forte como o PT, o Requião poderia se transformar numa espécie de Bernier Sanders, um Jerimy Corby, ou um Jean-Luc Mélenchon brasileiro.

    O Haddad, sinceramente, não tem condição de liderar nada.

    • À mulher de César não basta

      À mulher de César não basta ser honesta. Tem que parecer honesta. Parece que Haddad se encaixa perfeitamente nesse provérbio.

    • Tenho pensado muito nisso também

      O Requião com a experiência que tem, a retidão e habilidade política e administrativa, poderia reavivar o PT como uma liderança forte e confiável.

      Muito me intriga o fato de o Requião ainda estar no PMDB.

      Quanto ao Haddad, tenho pra mim que ele deve, ou fundar um novo partido ou se aliar a algum forte.

      Ele poderia ainda, surpreendentemente se aliar ao Ciro.

      Como ele vive num futuro distante, tudo o que ele possa fazer não será para agora.

  8. Esquece como sempre do PDT E
    Esquece como sempre do PDT E Ciro Gomes. O projeto nacional desenvolvimentista abortado desde Lula em 89. Típico projeto que nos fez no passado sairmos das quase cavernas. Sem noção do papel das esquerdas sempre me parece PT é PSOL. PT por demonstração de projeto de poder. Psol pela infantilidade radical em nada propor para temas urgentes com os quais quase toda esquerda não sabe lidar. A exemplo, a segurança pública.

  9. É hora de se abandonar o esquerdismo

    As esquerdas perderam a relevância em 1979, quando aceitaram participar do engodo da terceira via. Consequência de uma percepção equivocada do thatcherismo e do seu significado, os partidos de cunho socialista e comunista trocaram a luta de classe pelo “progressismo”, a luta pelas minorias e direitos civis. 

    O velho Marx já havia advertido no 18 de Brumário que não havia direitos civis. Somente direitos políticos conquistados na luta política. A propria definição de “esquerda” é a representação dessa dispersão de ideiais e perda de foco. O fim da exploração do trabalho, e do dominio do capital sobre a humanidade, deixou de ser a missão e tornou-se uma entre tantas outras opções: da causa feminista a questão de genero. Como se essas causas partiuculares não estivessem sido originadas pela exploração do homem pelo homem na sociedade capitalista   No Brasil o que vimos foram trezes anos de ilusões, altruismos, distribuição de paliatrivos sociais, enquanto o grande capital foi alimentado pelos nossos maiores recursos naturais e economicos. Nenhum avanço de se construir uma classe operária aguerrida e consciente de seu destino histórico, nenhum grande esforço de promovê-la através da industrialização, da ciência e da tecnologia. Apenas ofereceu-se o consolo do consumismo, que teve seu preço alto com o endividamento das familias, o desemprego e lento mas inexoravel desaparecimento dos direitos conquistados duramente depois de anos e anos de esforço nas ruas pelos movimentos sociais.  Não se tem que reinventar nada, nem a esquerda. Tem-se sim é que se afastar o esquerdismo da política. Se retomar os ideiais socialistas de justiça e igualdade e os ideial da luta de classes. 

    • Bolsonarismo na ofensiva ideológica

      -> os partidos de cunho socialista e comunista trocaram a luta de classe pelo “progressismo”, a luta pelas minorias e direitos civis. 

      -> No Brasil o que vimos foram trezes anos de ilusões, altruismos, distribuição de paliatrivos sociais,

      -> Nenhum avanço de se construir uma classe operária aguerrida e consciente de seu destino histórico, nenhum grande esforço de promovê-la através da industrialização, da ciência e da tecnologia.

      -> Se retomar os ideiais socialistas de justiça e igualdade e os ideial da luta de classes. 

      e veja o ponto a que chegamos, pois é o “fascista” Bannon quem declara:

      “O ponto principal do programa de Trump é trazer de volta os empregos de alto valor agregado na indústria para combiná-los com as grandes empresas de tecnologia dos EUA.”

      “Nosso ‘Movimento’ só pode ser bem sucedido se formos capazes de unir a classe trabalhadora e a classe média, e nós faremos isto porque se trata da tarefa de minha vida. Então teremos um realinhamento político nos EUA, como em 1932. E governaremos o país para os trabalhadores e não para a elite de Wall Street, não para a elite nas grandes corporações e não para o Partido de Davos.”

      ou seja: o “fascista” Bannon está à Esquerda da Ex-querda no Brasil!

      mesmo assim, a constatação crucial é: Bannon pretende a tarefa impossível de mover para trás a roda da História!

      ou seja: assim como todos aqueles que pretendem qualquer ação política transformadora nas atuais circunstâncias, Bannon vai se chocar com as contradições intrínsecas de um Capitalismo contemporâneo muito além de remediações keynesianas.

      o bom e velho Marx demonstrou porque o ovo do Capitalismo não pode se equilibrar em pé. o desenvolvimento das forças produtivas acarreta inevitavelmente mudanças nas relações de produção.

      isto já ocorreu mais de uma vez. do feudalismo à industrialização. desta ao ciclo de financeirização explodindo na Crise de 1929 e a II Grande Guerra. e desta à razão neoliberal, à ditadura do Capital, à Tirania Financeira Global, à transcendência do Capital.

      em resumo: vivemos a era do Capitalismo como religião. Deus não está morto. o Capital é o novo Deus.

      nossa culpa é a dívida. e dela não há expiação. não será pelo trabalho que dela nos libertaremos.

      em hipótese alguma entraremos no túnel do tempo de volta aos anos dourados keynesianos.

      a Crise de 2008 marca o portal de uma nova era. é desta perspectiva que precisamos encaminhar nossas lutas.

      vídeo: Steve Bannon | Full Address and Q&A | Oxford Union

      [video: https://www.youtube.com/watch?v=8AtOw-xyMo8%5D

      .

      • Arques

         Você, com essa observação, muito sábia, aliás, sobre a quebra da bolsa em 29 e a quase imediata segunda  guerra mundial nos coloca num alerta vermelho de pânico máximo.

        Mentes como a de steve bannon  existem aos montes. Oportunidade de exercício do que essas mentes são capazes numa extensão tão ampla, são poucas, mas fatais.

        Eu não vou assistir ao steve. Ele me parece amoral e ávido por dinheiro.

        Nesse caso é apenas de se lhe tirar proveito.

        Teorias econômicas e políticas à parte, observando somente a história e seus ciclos, o quão próximo estaremos de uma terceira guerra mundial?

        Ou você acha que vão nos mergulhar num obscurantismo brutal e nos matar lentamente numa guerra de 100 anos,  como na idade média?

        • Bolsonarismo na ofensiva ideológica

          -> Eu não vou assistir ao steve. Ele me parece amoral e ávido por dinheiro.

          -> o quão próximo estaremos de uma terceira guerra mundial?

          -> Ou você acha que vão nos mergulhar num obscurantismo brutal

          por outros comentários seus, já havia entendido sua opinião sobre Bannon. compreendo perfeitamente.

          e que não haja nenhum mal-entendido: não sou apoiador nem de Bannon e muito menos de Trump.

          mas para que fique claro, do meu ponto de vista Bannon, assim como Trump, é um daqueles que tenta evitar a guerra.

          o Partido de Davos e o Vale do Silício de uniram na pia crença de que é possível para a elite global sobreviver ao armagedon nuclear.

          quanto ao obscurantismo, ele já está entre nós. muito menos em algum recrudescimento conservador do que na onipresença de um carismático Big Brother: Google, FaceBook, Amazon, Alibaba, Baidu, Tencent…

          como diria Bannon:

          “Não são os jesuítas, a maçonaria, os Illuminati, o Vaticano, os Protocolos dos Anciões de Zion… Esta à vista de todos! Não há conspiração! É o modo como o sistema opera! É o Partido de Davos!.”

          e como Bannon não disse: “É o Capitalismo!”

          .

          • Telegramas do fim do mundo
            O que Banon não diz, obviamente, é que sua cruzada ultra direitista por uma espécie de restauração capitalista é tão inútil e perigosa à humanidade quanto o que ele anuncia como partido de Davos e do Vale do Silício…

            Daí que sua cantilena cumpre apenas o papel (o que ele também não diz, e não se pode atribuir a ele qualquer traço de ingenuidade)de manter as forças anti hegemônicas confinadas e ocupadas em combater essa restauração impossível anunciada por ele…

            Ou seja, apesar de uma aparência antagônicos, Banon e seus furibundos são outra cabeça da mesma Hydra…

  10. Não são somente os partidos

    Não são somente os partidos de esquerda e movimentos sociais que estão no modo barata voa.

    Os esquerdistas em geral.

    Veja como exemplo a área de comentarios daqui. A censura impede qualquer debate. Não existe contraditório. Somente o clube das luluzinhas trocando figurinhas.

    tenho 90% ou mais dos meus comentários censurados. Não são ofensivos, mal-educados, apenas me contraponho a essa visão que o Aldo se referiu, qua as esquerdas estão tão perplexas que só sabem cavar mais e mais fundo o poço que se encontram.

    E tomam posições tolas.

    A área de comentários não é nenhuma votação no congresso, e não vai influenciar am nada o futuro do Brasil. Mesmo assim existe uma cortina de ferro que impede o exercício saudável ao debate, e ao mutuo conhecimento.

    Lamentável.

  11. O PT precisa restabelecer sua
    O PT precisa restabelecer sua comunicação com a base lulista, inclusive nos grotões, onde predominam as informações fake news, tipo o filho do Lula é o homem mais rico do mundo.

    • Estranho, por que os grotões votaram em Haddad em peso. Quem votou no Bolsonaro foram as “bolhas de classe média”. E são essas que acreditam, ou fingem acreditar, nessas lendas urbanas.

      É como a “terra plana”. Você não encontra quem acredite nessa bobagem no sertão do Cariri. Estão todos em Copacabana e nos Jardins.

  12. + comentários

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