Cada macaco no seu galho, por Izaías Almada

 Penso que não convém a uma Secretária da Cultura desconhecer as leis internacionais e as do seu próprio país. 

Cada macaco no seu galho

por Izaías Almada

Aproveitando o aforismo do título, como são esses ditados que nunca perdem o seu real significado, pois nascem da observação e malícia popular, gostaria de meter a minha colher de pau num assunto, no mínimo, curioso: a entrevista ao canal CNN da atriz e namoradinha do Brasil Regina Duarte.

Não a conheço pessoalmente, mas temos ou tivemos muitos amigos e colegas em comum, pois comecei a minha vida profissional em teatro, o Teatro de Arena de São Paulo. 

Lá conheci o ator Lima Duarte, por exemplo, com quem a atriz dividiu as honras do protagonismo em uma novela bem sucedida da TV Globo.

Ou Dina Sfat, Nelson Xavier, Vianinha (no Teatro Opinião quando inaugurado no Rio de Janeiro), Gianfrancesco Guarnieri, o saudoso Chico de Assis e muitos outros, no Teatro de Arena ou não.

Isso foi a partir de 1965, um ano após o golpe civil/militar de 1964 que alijou João Goulart da presidência da república e infelicitou a nação durante vinte e um anos. 

Vale lembrar para os que faziam teatro naquele período e não só que, de 1964 até 1968 com a decretação do AI-5, a classe teatral brasileira, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeira, colocou-se na vanguarda cultural de movimentos que contestavam a legitimidade do golpe.

Confesso não me lembrar de ver Regina Duarte participando dessas manifestações, talvez por ser ainda noviça e em início de carreira, mas isso não vem ao caso.

O que me motivou a escrever esse artigo foi sua declaração recente no decorrer da entrevista acima citada banalizando a prática da tortura que – no entender da atriz – existe e é praticada há muitos e muitos anos.

Se é praticada há tanto tempo supõe-se que é uma coisa normal, digamos, consolidada socialmente. É isso mesmo senhora Regina Duarte? 

A senhora parou alguma vez para pensar sobre a prática da tortura seja ela praticada na Idade Média, ou nos dias de hoje?

Com toda a certeza sabe que serve a um governo cujo presidente tem como herói um torturador. Ele nunca fez questão de esconder isso e o fez com muito orgulho no dia em que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu o impeachment na Camara de Deputados.

Não foi difícil ligar as duas coisas: a namoradinha do Brasil também não é contra a tortura ou pelo menos não a condena, acha normal, pois existe desde que o homem é homem.

Quantas outras atitudes e comportamentos existem já seculares ou mesmo milenares e que fazem parte da chamada natureza humana? Se todas elas se justificam, mesmo as mais condenáveis, por qual razão nos preocuparmos com o bem estar social, o cuidado com a saúde, com a educação, a eficácia da justiça, o combate ao preconceito, a eliminação da miséria e por aí afora…

Prezada atriz, diz a Declaração Universal dos Direitos do Homem em seu artigo V: “Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. 

E a Constituição da República Federativa do Brasil diz em seu Artigo. 5º XLIII – “A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismos e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”.

 Penso que não convém a uma Secretária da Cultura desconhecer as leis internacionais e as do seu próprio país. 

Todo cidadão maior de idade tem o direito de participar da vida política de seu país, eleger e/ou ser eleito ou ainda ocupar um espaço na administração pública, desde que minimamente preparado para isso.

Caso contrário que cada macaco fique em seu respectivo galho.

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6 comentários

  1. O q esperar de uma pessoa q não se importa q sua filha seja considerada bastarda em troca de continuar a receber a aposentadoria do pai, cujo valor é praticamente nada comparado ao q ela recebia da globo e de outras fontes. É, simplesmente, uma criatura mesquinha.

      • Não por outro motivo a Maitê se apressou a gravar outro vídeo enfatizando que não teve nenhuma intenção de criticar Regina Duarte

  2. “Não se aborreça, Regina da cabeça grande
    Você vem não sei de onde
    Fica aí, não vai pra cá
    Esse negócio da mãe preta ser leiteira
    Já encheu sua mamadeira
    Vá mamar noutro lugar”

    Caetano e Gil, não contraiam o coronavirus pois eu ainda não vi vocês se apresentando pessoalmente

    Vedere Napoli e poi mori

    Caía a tarde feito(a?) um viaduto
    E um sóbrio trajando máscara me lembrou Gibran

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