Capitão, a melhor defesa é o Censo, por Albertino Ribeiro

O censo é a única fonte de referência sobre a situação de vida da população nos municípios e em seus recortes internos, como distritos, bairros e localidades, rurais ou urbanas.

Capitão, a melhor defesa é o Censo

por Albertino Ribeiro

Roberto Olinto, ex-presidente do IBGE, disse na semana passada ao jornal Estadão, que seria um escândalo inaceitável o adiamento do Censo para 2022 para irrigar financeiramente o ministério da defesa.

Com efeito, o país tem muito a perder com isso, inclusive, o ministério da defesa. “Ter o censo também é fazer a defesa do país. É melhorar a capacidade de ter informações militares; vai ter o geoprocessamento do país inteiro”.

É admissível que a população em geral ache que o censo sirva apenas para contar a quantidade de pessoas residentes no país, porém, quando se trata de governantes e profissionais da informação, é um erro grosseiro.

Outro dia, o “jornalista” Alexandre Garcia, em mais uma demonstração de desinformação, disse na CNN que a população pode ser contada de outras formas; alegou que os números estariam disponíveis em várias fontes, como internet e outros registros. Sendo assim, não faria falta.

É necessário dizer ao indiferente “jornalista” Alexandre Garcia, que o levantamento da quantidade de pessoas que moram em um país é apenas a ponta de um grande iceberg de dados. Existem muitos dados importantes que emergem durante um levantamento censitário.

Segundo o IBGE, o Censo demográfico tem como objetivo, além de contar os habitantes, identificar suas características e revelar como vivem os brasileiros, o que permite a produção de informações valiosas para o desenho de políticas públicas e decisões de investimentos do setor público e privado.

Ademais, o censo é a única fonte de referência sobre a situação de vida da população nos municípios e em seus recortes internos, como distritos, bairros e localidades, rurais ou urbanas.

Ainda, segundo o ex-presidente do instituto, se o Brasil ficar 13 anos sem informações demográficas, a qualidade de várias pesquisas ficará comprometida. “Isso é muito grave porque o censo de 2022 só vai ter resultado em 2023. Vai ter 13 anos sem nenhuma informação demográfica. Os modelos vão perder aderência e coerência”.

Por telefone, conversei com as servidoras Fatmato Hany e Sylvia Martínez, profundas conhecedoras das pesquisas domiciliares do IBGE em Mato Grosso do Sul. Segundo elas, existe uma amostra mestra das pesquisas domiciliares que é alimentada pelo Censo; e quando este não é realizado, a amostra fica defasada.

Destarte, um mesmo domicílio poderá ser visitado mais de uma vez para diferentes pesquisas. Tal situação, além de problemas metodológicos, cria incômodo e constrangimento para o agente do IBGE e os moradores.

Podemos citar ainda o prejuízo que muitos municípios brasileiros terão por causa do FPM (fundo de participação dos municípios) que ficará congelado por mais 3 anos, engessando o orçamento de várias prefeituras cuja situação já não é muito boa.

Quanto ao geoprocessamento em todo país apontado no início deste artigo, trata-se de informação valiosa para as forças armadas. Diversas literaturas ligadas à defesa tem mostrado o uso essencial do geoprocessamento na inteligência militar.

Contudo, o geoprocessamento está relacionado a forma geoide do nosso planeta. Se o ministério da defesa estiver sendo influenciado pela astrologia terraplanista de Olavo de Carvalho, de nada adiantará, pois haverá um grande conflito de informação. Dessa forma, nem o censo iluminará tamanho obscurantismo.

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