CEO de startup tecnológica encontrada morta após alertar que “vivemos na Matrix”, por Wilson Ferreira

Tudo se limitaria a mais uma notícia de páginas policiais, se antes ela não tivesse ligado para seus pais, em pânico, paranoica e dizendo coisas desconexas

por Wilson Ferreira

Erin Valenti, 33, CEO fundadora de uma startup tecnológica de aplicativos corporativos de Salt Lake City, foi até o Vale do Silício a negócios. Para desaparecer e, uma semana depois, ser encontrada morta no banco de trás de um carro alugado em um tranquilo bairro de classe média de San José. Tudo se limitaria a mais uma notícia de páginas policiais, se antes ela não tivesse ligado para seus pais, em pânico, paranoica e dizendo coisas desconexas como “vivemos na Matrix”, “tudo é um jogo mental” e “neurociência é controle da mente”. Estranhamente a polícia ignorou o aviso de desaparecimento e até hoje não deu qualquer informação sobre a causa da morte. A família procura respostas desde o ano passado. Muitos engenheiros e cientistas do Vale do Silício estão obcecados com a hipótese da simulação, o argumento de que aquilo que experimentamos como realidade é de fato fabricado num computador. Mas o que incendiou mesmo a imaginação conspiratória foi a descoberta das ligações de Erin Valenti com o Projeto Brainwave – criação de interfaces não invasivas entre as ondas cerebrais e computadores. Será que Erin tentava expor algo desconhecido? Ou foi mais um caso de “burnout” de uma CEO no competitivo mundo das startups tecnológicas?

Era sete de outubro de 2019, o aniversário de casamento de Agnes e Joseph Valenti. Enquanto Agnes cortava a couve-flor assada em seu prato, Joseph conversava ao telefone com a filha do casal, Erin Valenti, 33 anos, a mais de quatro mil quilômetros de distância, em Palo Alto, Califórnia. Ela acabara de deixar uma amiga e se queixava de não estar encontrando um carro para alugar.

Após o jantar, o casal Valenti ligou novamente para a filha, empreendedora e CEO de uma empresa de desenvolvimento de aplicativos Tinker Ventures, de Utah – ela estava na Califórnia a negócios e também para rever amigos. Finalmente conseguiu um carro: um Nissan Murano cinza e começou uma curta viagem até o aeroporto internacional de San José para pegar um voo de retorno a Utah.

De repente, Erin começou a falar cada vez mais rápido e de forma desconexa, “a uma milha por minuto”, como afirmaria a mãe. Não parava mais de falar. Até à meia-noite, a mãe e o marido de Erin, o psicólogo Harrison Wienstein, se revezaram no telefone.

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Erin falava ideias desconexas como “controle da mente é igual a neurocontrole”… “Estamos todos na Matrix”… “É tudo um jogo, um experimento mental”… “Você está nisso?”.

Jamais Erin Valenti pegaria o voo da Delta para Salt Lake City. Ela desapareceria, para ser encontrada cinco dias depois morta, no banco de trás do Nissan alugado, em uma pacata rua residencial de classe média alta em San José a minutos do aeroporto.

Ela foi encontrada sem danos físicos aparentes. Esse foi o início de um mistério de como uma empreendedora de startups da área de tecnologia desapareceu e morreu no Vale do Silício, deixando família, amigos e um grupo de empresários do crescente centro de tecnologia de Utah em busca de respostas.

“Armagedom Erin”

A explicação mais fácil seria suicídio, levando-se em conta os inúmeros casos de batalhas silenciosas contra a depressão de fundadores de startups tecnológicas pelo estresse de criar uma empresa e manter seus clientes – é conhecido o problema de saúde mental no centro tecnológico de Utah, onde o suicídio é a principal causa de morte entre pessoas de 15 a 34 anos.

Mas a família não acredita nisso: Erin Valenti era expansiva (e não do tipo que reprime sentimentos – seu apelido era “Armagedom Erin”), sem histórico de drogas ou problemas mentais, além de estar no auge da carreira quando foi à Califórnia em busca de inspiração para um próximo passo: criar um fundo de risco e aceleradora de startups que investisse em empresas lideradas por mulheres, além de apoiar projetos de artistas e cineastas.

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Erin tornou-se o pivô do desenvolvimento do centro tecnológico da região de Salt Lake City – criou uma comunidade reunindo empresas e a comunidade em salas de reuniões, Workshops e bares, desde que chegou em 2012.

Aceitou um emprego como chefe de produto na Overstock.com (empresa varejista de Internet), conseguindo que a empresa apoiasse um evento de tecnologia para 4.000 participantes. Para dali criar sua própria empresa, a desenvolvedora de aplicativos corporativo Tinker Adventures, formada por engenheiro americanos e paquistaneses, que trabalhavam remotamente.

Anomalias

As anomalias em torno do desaparecimento e morte de Erin começaram com o comportamento da polícia de San José: primeiro, depois da família informar o desaparecimento a polícia alegou que Erin “era adulta” e que o caso seria tratado como “desaparecimento voluntário” – ela poderia ter sumido propositalmente sem contar nada a ninguém.

Inconformado e alegando que a investigação policial era na verdade uma farsa, o marido criou uma página no Facebook pedindo informações de pessoas na área da Baia de San Francisco e Vale do Silício – um amigo aficionado por drones se ofereceu para sobrevoar as áreas nas quais o celular de Erin fora rastreado. Até encontrar o carro em uma tranquila rua de San José.

O porta-voz da polícia local não quis dizer mais nada sobra a história e a causa da morte ainda continua desconhecida – segundo informado, as análises de médicos legistas “podem levar meses”.

Outra anomalia foi o carro ter passado despercebido, talvez por dias. Moradores do bairro chamado Almaden, onde Erin foi encontrada, ficaram perplexos de não terem notado o carro que poderia ter ficado ali por dias: “É realmente estranho, bizarro, nebuloso para mim. Porque esse tipo de coisa geralmente não acontece em Almaden ”, disse Ralph Elongo, 56 anos, que mora na esquina de onde o carro foi encontrado. “O que mais parece estranho é que nenhum de nós notou. E nós somos um bairro onde as pessoas estão bem próximas”

Mas outras informações paralelas surgiriam, transformando esse caso num prato cheio de, por assim dizer, “teorias conspiratórias”.

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Projeto Brainwave

Bitcoins, Projeto Brainwave…

Em agosto do ano passado o CEO da Overstock.com, Patrick Byrne, 57, um dos primeiros investidores no comércio pela Internet, renunciou ao cargo. Em entrevista à CNN (clique aqui) criticou o FBI alegando que havia sido orientado para ter um relacionamento íntimo com a espiã russa Maria Butina, referindo-se ao “Deep State”, “homens de preto” e “espionagem política contra Hillary Clinton e Trump”. Recentemente foi defensor da Bitcoin e Blcokchain, fazendo as ações da empresa subirem acentuadamente entre 2017 e 2018.

Porém, o que incendiou a imaginação conspiratória foram as conexões de Erin Valenti com Thomas Reardon e o Projeto Brainwave do seu laboratório CTRL, centro de neurociência e comportamento, da criação de interfaces não invasivas entre as ondas cerebrais e computadores:

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