Cinismo! Cinismo! Cinismo: resposta a Covardes! Covardes! Covardes! de Lara Mesquita, por Frederico Firmo

Parece irritado com a inércia da plebe ignara que não se revolta, mas ataca os movimentos sociais, os sindicatos, as possíveis greves e os especialistas das universidades públicas.

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Cinismo! Cinismo! Cinismo: resposta a Covardes! Covardes! Covardes! de Lara Mesquita

por Frederico Firmo

Num editorial com estilo irônico agressivo e título, “Covardes! Covardes! Covardes!, Fernão Lara de Mesquita manifesta sua apreciação distante sobre o país, sobre o brasileiro plebeu e sobre os da outra ponta. A agressividade se origina nas “concessões” feitas para aprovação da reforma da previdência.

Descreve em seu texto um povo anestesiado e inerte de um lado e do outro os predadores-alfa bebedores de vinho e glutões de lagosta. Obviamente não se inclui em nenhum lado mas duvido que recuse uma lagosta ou vinho. Manifesta ainda uma indignação distante mas aparentemente verdadeira contra Brasília. Lendo o texto ele dá a impressão que seu jornal não tem nada a ver com tudo isto.

Critica a defesa das forças armadas feita pelo mesmo capitão a quem seu jornal deu um suporte enfadado. O enfado se deve provavelmente a ausência de pedigree. O suporte foi a contragosto e se utilizasse um linguajar chulo diria para o capitão: Se não tem tu,vai tu mesmo. Assim seu jornal deu todo suporte, mas deixando aberta a porta de saída, fingindo que foi apenas em nome de um bem maior, isto é, passar as reformas a todo custo.

Num arroubo democrático, dramatizou o afago aos militares e policiais afirmando que é o fim da igualdade no país. Segundo este senhor a igualdade viria é claro do sistema de capitalização. Onde quem tem mais capital ganha mais e quem tem menos ganha menos. Com esta noção de igualdade se revolta contra os seus antepassados do campo, e brande, corretamente contra a pequena ajuda de 89 bilhões ao agronegócio, afinal este quatrocentão é agora um homem de mercado.

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Parece irritado com a inércia da plebe ignara que não se revolta, mas ataca os movimentos sociais, os sindicatos, as possíveis greves e os especialistas das universidades públicas. Aliás os especialistas de quem ele gosta, também são das universidades públicas, mas as querem privadas. Vociferando contra os lobbies, parece irritado com o que o seu jornal vem fazendo durante todo este período. Afinal vem sendo porta voz de muitos lobbies e lobbistas e dos blocos de interesse que compõe este governo.

Desfilando sua neutralidade, Lara Mesquita brande contra a direita e contra a esquerda. Mesmo diante da violência política e social e econômica implementada pelo seu herói Guedes sugere que a inércia das massas nos faz viver falsamente numa democracia cordial.

Ao se declarar em defesa da plebe do favelão nacional, faz a afirmação mais cínica e absurda do texto. Segundo ele, o único que pediu em favor da plebe ignara foi o ministro Guedes.

Eis a frase brilhante:

“A plebe do favelão nacional foi, como sempre, a única “parte” em prol da qual ninguém pe diu “vantagens”, com exceção do “politicamente inábil” ministro da Economia ….

Reclamando muito das mudanças na reforma, isto é, das perdas de alguns bilhões do Mercado, vocifera contra os lobbies, contra a polícia e contra os paladinos dos direitos humanos.

Num arroubo filosófico vai afirmar.

“Manda na própria vida e livra-se da miséria quem tem o poder de contratar e DEMITIR políticos.”

Diz defender o voto distrital, porém para o editorial de um jornal que se especializou em advertir os políticos contra a tentação de satisfazer o seu eleitorado esta é uma frase contraditória.

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Numa outra frase luminar afirma:

“Só não é escravo quem tem a garantia de que é seu o resultado do seu trabalho e que só ele tem o poder de dispor sobre o que será feito dele”.

Parece que Lara Mesquita jamais viveu sob o domínio do capitalismo.

Este texto me parece de um cinismo absoluto pois a indignação não é contra o que ele chama de privilegiaturas, mas sim porque a tal soma tão pretendida por Guedes não foi alcançada. E mais ainda porque a capitalização não foi concretizada, ainda. Lara parece considerar democrático os fundos de pensão, o dinheiro nos bancos e na bolsa. Democrata convicto jamais defende democratizar os “privilégios”. Isto é, porque não defende uma reforma onde todos ganhem o salário integral ao se aposentar? Quando falam em tirar privilégios na educação, porque não se bate por tornar as escolas públicas em escolas de alto nível, e a universidade accessível a todos. Pelo contrário defende a privatização em nome de uma economia e do ajuste fiscal, para pagar os juros da dívida.

Cinicamente trata as lutas populares como defesa de privilégios, mas não gostou nada nada da taxação dos bancos. A defesa do fim das privilegiaturas é usada como desculpa para arrochar ainda mais a vida dos mais necessitados. Nem uma palavra sobre os lucros absurdos do mercado, a que deve chamar de economia real, apesar de ser controlada pela virtualidade da bolsa.

A irritação maior talvez seja pelo sonho adiado da capitalização, onde os dinheiros de toda a previdência, ( o tal trilhão) será controlado pelo mercado e pelos seus especuladores. Estão ávidos para transformar nossa economia num fenômeno meteorológico onde as massas fluem pelo céu, sugando a água aqui e despejando alhures. Este será o sonho, pois não necessitarão nem offshores, para lavagem de dinheiro, bastará um click e fortunas viajarão para Wall Street. Na televisão ao invés de Maju Coutinho teremos Sademberg fazendo previsões. Mas ainda confiam em Guedes que logo levará o país de volta ao FMI, quando novamente voltaremos a fazer a lição de casa.

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Mas o editorial não seria completo sem o ataque aos vazamentos e aos hackers de aluguel contratados por um jornalismo de banqueiro. (Vixe!!! Quanto ódio aos bancos!!!). Considera tudo isto um ataque ao combate à corrupção. Me parece que Lara não considera abuso de autoridade e uso de cargo publico para interesses pessoais e ou políticos como corrupção . Em resumo há uma alta dose de Cinismo! cinismo! cinismo!

 

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