Como vencer os Dráculas II ou A reconquista da ágora, por Zegomes

Se o povo não tem nem emprego nem capital deve ser liberado para ir à praça comerciar. A RECONQUISTA DA ÁGORA. Isso tem de ser uma ação de esquerda moderna.

Como vencer os Dráculas II ou A reconquista da ágora

por Zegomes

Recentemente, um grupo de pessoas de Londrina-PR assinou um documento enviado ao Vaticano, pedindo a destituição do arcebispo local, Dom Geremias, acusando-o de ser um “infiltrado esquerdista” na Igreja. Encabeçam esse movimento associações comerciais que representam empreiteiras, indústrias metalúrgicas, agricultores, varejistas e associações profissionais de médicos e engenheiros. E o que fez o arcebispo para merecer esse ódio? Disse que a reforma da previdência iria prejudicar os mais pobres.   É a cara do fascismo. Observem que onde há fascismo há Associações Comerciais e Industriais liderando. FIESP no topo. O caso de Londrina pode ser lido [aqui].

Agora queremos falar de um grande trunfo da Esquerda. Os Dráculas (os bilionários do mundo e o estado profundo do império americano que querem destruir a Esquerda e qualquer movimento de solidariedade social) são imensamente poderosos, eles podem encantar as cabeças, inclusive dos mais pobres, conquistando-os com suas ilusões e promessas (empregos, combate à violência e à corrupção, paz). Mas eles não podem entregar o produto que prometem. Só a frágil Esquerda pode promover políticas que efetivamente acudam os pobres em suas aflições, e aí está a sua maior força.

A Ágora é a praça, o mercado, a rua. O que poderia uma pessoa desempregada, sem poupança ou capital, fazer para não morrer de fome? Ir para as ágoras, comerciar alguma coisa, fazer trocas, fazer um bolo para vender, vender quinquilharia chinesa. Se ela não tem capital para montar um negócio num ponto comercial e se o capital não lhe dá emprego para que ela venda a sua força de trabalho, o que lhe resta? Ir ao corpo a corpo nas praças e ruas. Muita gente já faz isso, na marra. E o que essa gente encontra? O Rapa, o ódio das Associações Comerciais, a polícia e, muitas vezes, uma violência inacreditável.

Se o povo não tem nem emprego nem capital deve ser liberado para ir à praça comerciar. A RECONQUISTA DA ÁGORA. Isso tem de ser uma ação de esquerda moderna. E deve ser alardeada como uma ação de esquerda para que o povo entenda quem está do seu lado. Deixem as associações comerciais e industriais rugirem, espernearem. Isso é luta de classes contemporânea.

Leia também:  O idílio do salvacionismo judicial, por Guilherme Scalzilli

Os economistas e contabilistas de esquerda devem quebrar a cabeça para descobrir formas de formalizar isso. Como incluir as massas que trabalham nas praças e ruas na previdência pública e na ordem tributária. O Microempreendedor Individual criado nos governos do PT deve ir além e beneficiar o trabalhador na rua. Aí então o Rapa não seria mais para expulsar os pobres do comércio da rua, mas sim para fiscalizar se estão pagando impostos.

Fernando Horta, o mais arguto observador da vida política brasileira no momento, que escreve aqui no GGN, disse recentemente que os evangélicos fundamentalistas já incorporaram e dominaram o morro. E que o morro não vai mais descer.  Verdade. E a Esquerda não é páreo para eles, que são mercadores de sonhos e ilusões. Mas a Esquerda e o velho Marx com seu “materialismo” ainda têm uma carta na mão para salvar o morro: liderar o acesso do morro à Ágora, de onde ele tirará o seu sustento. Os Pastores do Dinheiro podem prometer a prosperidade ao morro, mas no fim apenas eles mesmos enriquecem, tirando dinheiro do morro. Só a ágora vai trazer dinheiro ao morro, e um dia eles compreenderão finalmente isso e verão quem é a Esquerda, perceberão quem lhe ajuda. E isto já será uma Revolução.

Os teóricos marxistas da Revolução geralmente enfatizam o papel das “classes trabalhadoras”, operários, etc. Mas hoje em dia achar uma vaga de emprego formal está igual bamburrar um diamante no garimpo. Qual trabalhador operário, carteira assinada, vai fazer a Revolução?

As Associações Comerciais e Industriais sempre estão na frente das lutas contra as classes populares. Investir para o sucesso da ágora, conseguir formalizar a ágora, é um golpe (de pelica ou cacetada mesmo) nessas castas. Já seria uma pequena Revolução.

Leia também:  Sobre 'pandemias', 'hemorroidas' e a 'política do absurdo' no Brasil de 2020, por Fabiano de Melo Pessoa

Ruas bonitas e limpas só nos países que já exploraram tanto o resto do mundo que podem se dar ao luxo da beleza, da assepsia -aquele famoso “1º mundo”-.  Nas Índias, nos Brasis, o povo deve estar na rua, vendendo, comprando, trocando, oferecendo serviços. O poder público deve proporcionar nas praças, nas ruas, fontes de água e de eletricidade para as necessidades desse ramo econômico de suma importância. E bolar maneiras de cobrar impostos, para incluir essa parcela da população na previdência e no sistema tributário.  A beleza e a estética vão ter de esperar. A sobrevivência das classes desprovidas é mais importante, talkei, Habitantes dos Jardins?

A ágora seria uma espécie de “estabilidade” para o povo (em comparação à “estabilidade” dos concursados). Na hora amarga do desemprego, o trabalhador pode sempre contar em ir para a rua negociar seja o que for, apoiado pelo poder público, sem temer a violência da polícia, e salvar o leite das crianças. Estará fazendo uma coisa milenar. O ser humano sempre fez isso para viver. Lembrem dos “Quindins de Iaiá”. A ex-escrava de repente solta no Rio de Janeiro ou Salvador, sem eira nem beira, logo arrumou um tabuleiro, fez uns quindins e saiu na rua ganhando a vida.

Um governo de Esquerda, claro, deve dialogar com todos os segmentos da sociedade, inclusive com a Indústria e o Comércio institucionalizados, com o Agronegócio, por mais hostis que sejam. Deve apoiar a criação de empregos. Mas nunca deve esquecer que deve ir mais além. Nunca deve esquecer o golpismo e o fascismo, o ódio de classe desses segmentos. Portanto deve investir pesado na ágora e nos pobres. Daí pode vir suporte e força naquela hora que sempre chega: A hora do ataque dos Dráculas.

Leia também:  "Comunistas", atestados de pureza e empecilhos para uma união pela democracia, por Daniel Gorte-Dalmoro

Este texto é uma continuação de um texto anterior chamado “Palpites para a Esquerda I” onde nós dissemos que os Dráculas (os bilionários do mundo e seus Think Tanks liberais, o poder profundo do império americano com suas Agências CIA, NSA, etc., tendo como instrumento a mídia mundial, a Net, etc.) querem a acabar com qualquer pensamento de Esquerda e com solidariedade Social, e que estavam agindo a partir de quatro pontos:

1)      Acusar a Esquerda de ser a causa da degeneração dos costumes (Gênero, LGBT, aborto, etc.);

2)      Acusar a Esquerda de ser fonte de corrupção e de incompetência na gestão dos bens públicos;

3)      Acusar a Esquerda (Nos países pobres) de apoiar a bandidagem a partir da ação a favor dos Direitos Humanos;

4)      Acusar a Esquerda (Na Europa e Estados Unidos) de apoiar a invasão de imigrantes.

Esse texto inicial está aqui https://jornalggn.com.br/seguranca-publica/palpites-para-a-esquerda-i/.

Já escrevemos como a Esquerda pode se defender contra os Dráculas em relação à acusação 2, focando a relação da Esquerda com o mundo “marajá” do serviço público que recebe tantas críticas por parte do povo.

 Escrevemos sobre a acusação 3, de que defende a bandidagem. Os links estão no texto linkado acima.

Escrevemos também quanto à acusação 4, em relação à Esquerda Européia totalmente perdida em como lidar com as ondas migratórias que assolam a Europa originadas das guerras fabricadas pelos próprios Dráculas.

Sobre a acusação 1, falaremos em outro texto no futuro.

 Esse texto de hoje não tem a ver com as acusações colocadas acima, mas é um palpite de como a Esquerda pode sair da defensiva e iniciar a ofensiva.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora