Consolações da Filosofia, por Zégomes

Consolações da Filosofia, por Zégomes

Quem ainda vê o Jornal Nacional presenciou ontem, dia 09/11/2018, Bolsonaro irritadíssimo com os temas do ENEM, principalmente “porque a meninada agora vai estudar esses temas inúteis, achando que vão cair no próximo ENEM. Não vão. Nós não vamos deixar”.

Filosofia não é uma “doutrinação”, é o estudo do pensamento humano desde que ele começou a ser escrito. É o estudo das preocupações, das aflições do espírito humano, de nossas preocupações com a existência –Afinal, por que existimos? É a pergunta básica dos filósofos. Não tá no gibi a quantidade de coisas que eles já escreveram sobre “o Ser”, que é a outra maneira de eles denominarem a existência.

Filosofia é o estudo das perguntas formuladas acerca de nossa existência, Deus, nossa organização política, as possibilidades do conhecimento e da felicidade e as tentativas de respostas dadas pelas cabeças mais brilhantes entre os homens que viveram antes de nós ou entre os contemporâneos. Por isso filosofia é fundamental para a formação de um ser humano.

Técnica é o estudo de como conseguir alimentos, vestimentas, transportes, comunicações, diversões, que precisamos para viver, para alimentar a prole e continuar a vida.

Quem odeia filosofia e quer escola sem filosofia, “escola sem partido”, privilegiando somente o ensino da técnica, quer reduzir o ser humano a mero animal irracional, que luta apenas para comer e procriar.

Nenhum ser humano pode viver assim. Nós precisamos de discutir quem somos, porque somos, o que pensaram nossos antepassados, senão ficamos vazios, enlouquecidos, bestiais (viramos bestas, animais).

Nas escolas, a filosofia e suas parentes (sociologia, literatura, história, etc.) deveriam compor a metade do currículo e a Técnica/Tecnologia a outra metade. Meio a meio. Uma é o alimento do espírito e a outra o alimento do corpo.

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Em 2014 eu publiquei aqui no GGN –na verdade foi antes, mas a primeira publicação se perdeu quando houve um problema nos arquivos do GGN- um texto sugerindo que os temas das redações dos ENEMs, dos vestibulares e dos concursos públicos tivessem como base assuntos filosóficos de livros de filosofia previamente escolhidos. Bolsonaro iria se revoltar muito, considerar uma abominação, mas, desculpe, a utopia seria essa, sim, que ele tanto execrou ontem no Jornal Nacional: fazer a juventude brasileira, de norte a sul, de leste a oeste, estudar alguma filosofia, pelo menos para passar nas provas e, seguramente, assim, se tornar menos bestial. Uma juventude que, mesmo que obrigada, por motivos pragmáticos, não importa, se expusesse ao farol brilhante da Justiça e às consolações da Filosofia.                      Veja o post publicado naquela ocasião, aqui mesmo no GGN https://jornalggn.com.br/blog/zegomes/filosofia-no-enem-e-no-vestibular

 

 

 

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