Francisco Celso Calmon
Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral - E o PT com isso?; Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula.
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Coronavírus e bolsonavírus, por Francisco Celso Calmon

Quem sabe faz a hora, o risco é de perder a hora, não por não saber, mas por temer a luta de classes.

Coronavírus e bolsonavírus

por Francisco Celso Calmon

O capitalismo procura tirar vantagens de qualquer crise, seja a de causas naturais, sociais ou políticas, e não importa se na busca de obter vantagens piorar a crise e a tragédia humana.

Quem leu o livro A Doutrina do Choque/Ascenção do Capitalismo de Desastre compreende bem a síntese do parágrafo anterior, assim como quem conhece a história real do capitalismo desde o seu surgimento na Inglaterra.

Os EUA estão fazendo isso com o coronavirus, para Trump tirar vantagens nas eleições e também prejudicar a China, o comércio internacional e retardar o inevitável: a China como a maior economia mundial.  

E parece que o Paulo Guedes, o dragão das malvadezas ao povo brasileiro, vai procurar justificar o seu retumbante fracasso no comando da economia do governo de aloprados milicianos, militares e os de camisas e togas pretas na conta dessa crise.  É evidente que o coronavírus não retroage no tempo para salvar o inescrupuloso ministro e esperto jogador da banca.

Aloprado, segundo os dicionários, é pessoa que age de forma excessivamente desproporcional a situação em que se encontra, com atitudes, palavras e gestos que caracterizam grosseria, brutalidade, arrogância, estupidez, demonstrando intolerância mediante as situações. Aloprar é extrapolar os limites da racionalidade, é ficar conturbado, convulsionado, desvairado, enlouquecido, ensandecido. 

Bolsonaro, Guedes e Moro são os mais autênticos aloprados e os mais perigosos mitômanos do governo nazifascista.

Só um desvairado pode justificar o câmbio atual, no qual o dólar está próximo de R$ 5,00 (pode ser que no final de segunda feira já tenha chegado a 5,00), sob o argumento de que o câmbio é flutuante. Usa literalmente do verbo flutuar, para explicar a depreciação do real, debocha da inteligência alheia.

O regime de câmbio flutuante é deixar por conta do mercado a variação entre as moedas, é disputar com os especuladores quem tem mais handicap para ganhar nessa roleta viciada, e para isso, tem que usar as reservas do país, e quanto mais as utilizas, menos têm e mais fica vulnerável a novos ataques especulativos.   

A politica cambial deve estar a serviço da economia do país, deve estar em pêndulo equilibrado para favorecer à balança comercial (importação/exportação). Pode flutuar dentro de parâmetros que sirva ora mais a importação, ora mais à exportação, consoante à conjuntura interna e externa, contudo, sempre em benefício do país. 

A flutuação sem controle é como deixar inteiramente por conta do mercado financeiro a relação do real com o dólar e demais moedas. E o mercado financeiro só tem um objetivo: ganhar, sem qualquer pudor e indiferente aos prejuízos que possa causar a um país.

Um Banco Central independente e um regime cambial flutuante é tudo que o capital financeiro deseja para saquear ainda mais o Brasil.   

Países como a China tem controle sob o câmbio, não obstante as suas enormes reservas em dólares. porque sua política é de estar a serviço de sua economia e não à mercê da banca internacional. 

Este é o momento da esquerda encarar o debate da política cambial adotada pelo Brasil, da implantação do real aos dias atuais. Debate que não deve ficar circunscrito aos técnicos, aos intelectuais e ao Congresso. É debater para e com a sociedade. A teoria econômica é simples, o instrumento cambial idem, portanto, é perfeitamente passível de ensinamento didático-pedagógico para o conjunto da sociedade. 

A hermenêutica obscura da economia só interessa para empulhar a população. 

A conjuntura mundial e nacional favorece e exige que travemos a luta ideológica, da qual abrimos mão com a queda do muro de Berlim.

O senador e candidato à presidência dos Estados Unidos, Bernie Sanders, com coragem, ousadia e lucidez, tem colocado na pauta o anacronismo do capitalismo. 

A realidade brasileira tem demonstrado o antagonismo entre capitalismo e democracia. 

Quem sabe faz a hora, o risco é de perder a hora, não por não saber, mas por temer a luta de classes.

O bolsonarvírus é mais perigoso do que o coronavírus, pois está sem controle, é responsável por 50 milhões de brasileiros desempregados, subempregados e desalentados, e ainda promove o desmonte do Estado democrático de direito e incita ao conflito civil, com ou sem armas.

Francisco Celso Calmon é administrador, advogado, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).

Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral - E o PT com isso?; Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula.

1 Comentário

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  1. É isso! É a vacina pra esse tipo de doença é consciência política, povo nas ruas,
    democracia e voto. E se o vírus resolver corromper letalmente o organismo, vale também até um impeachment na veia.

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