Cueca ou cloroquina?, por Homero Fonseca

Botar um remédio no centro do debate de uma mega crise sanitária, econômica e social é tão absurdo quanto.. 

Cueca ou cloroquina?

por Homero Fonseca

O célebre dilema do economista Paul Samuelson — na guerra, deve-se produzir mais canhão ou manteiga? — tem uma versão burlesca (se não fosse trágica) no Brasil de hoje.

A obsessão do presidente da República com um medicamento — que deveria ficar estritamente na alçada médica, analisando-se caso a caso —, em plena pandemia,  é algo inexplicável. A mídia fica no debate superficial e caímos no FLA-FLU: a direita é a favor, a esquerda é contra. É mais do que surreal, é esquizofrênico.

Não sei se há interesses econômicos em jogo: o Exército já produziu que quantidade? De onde vieram as matérias-primas, quanto custaram, quem intermediou? Quem mais fabrica a droga mágica? A imprensa brasileira desaprendeu — propositalmente — de fazer reportagem e por isso não investiga o caso.

Botar um remédio no centro do debate de uma mega crise sanitária, econômica e social é tão absurdo quanto..

Pensei numa comparação meio heterodoxa, digamos:

Mutatis mutandis, Bolsonaro pontificando sobre cloroquina nessa crise é como se Getúlio Vargas, ao decidir que o Brasil entraria na Segunda Guerra Mundial, colocasse no centro de discussão a marca da cueca dos soldados.

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