Da cumplicidade silenciosa da sociedade que acolhe as práticas genocidas de Witzel e Doria Jr, por Eduardo Ramos

A tragédia ainda maior desse estado de coisas, é que os Ministérios Públicos e o Poder Judiciário de um modo geral, abraçam essas crenças, essa cegueira, esse caldo fétido fascista que banha nosso país, com um vigor desconcertante!

Da cumplicidade silenciosa da sociedade que acolhe as práticas genocidas de Witzel e Doria Jr

por Eduardo Ramos

(sobre o artigo “Assim como Witzel, Doria segue a trilha do genocídio”, do Luis Nassif)

Processos político-sociais imersos na barbárie e crueldades indescritíveis, que negam nosso senso mais primário do que seja civilizado e mesmo humano, tragicamente ocorrem, na maior parte das vezes com a cumplicidade ativa – mesmo que silenciosa… – das elites e classes médias de suas sociedades civis. O recrudescimento do racismo nos sul dos EUA nas décadas de 40 a 60 no século passado, o nazismo, e se voltarmos mais no tempo, a própria prática da escravidão, encarada como “normal” por séculos – evidência das mais cristalinas do que somos capazes, nós os “homo sapiens”.

O que assistimos há décadas nos grandes centros urbanos do Brasil, HOJE EXACERBADO E, NA PRÁTICA, LIBERADO pelos governadores Witzel e Doria Jr., encaixa-se à perfeição no descrito acima: os mapas que definem os eleitores que votaram em políticos com um discurso REPULSIVO, como os dois citados e a besta-fera mor, Jair Bolsonaro, revelam que as elites e classes médias brasileiras, usados como padrão a renda e a escolaridade, votaram nesses governantes num índice SUPERIOR A 70% – não é pouca coisa, ao contrário, sustenta a tese desse artigo, que são sim, “os cúmplices silenciosos” desse tempo de ódios e intolerâncias diversos, desse tempo em que LIBERAR OS PMs PARA A PRÁTICA DE GENOCÍDIOS, é defendido até pelo grande herói desses segmentos sociais: Sérgio Moro! Ora, a INSANIDADE CRIMINOSA E ASSASSINA havida na ideia central do projeto de Moro, conhecido como “o excludente de ilicitude”, nada mais é do que A LICENÇA LEGAL PARA ESSES ASSASSINATOS, e mal arranharam a imagem do “justiceiro-celebridade” dessas mesmas elites e classes médias. Esse apoio irrestrito ao fascismo, à perversidade e covardia de Bolsonaro, Moro, Witzel e Doria, repito, são reveladores “do que é” enquanto sociedade atrasada, preconceituosa, indiferente à vida humana dos excluídos e incivilizada, nossa elite e nossa classe média.

Porque chamar essa cumplicidade perversa de “silenciosa”? Porque são poucos os fascistas preconceituosos “ruidosos” em nossa sociedade, nesses segmentos sociais, os cretinos que vemos nas ruas – e infelizmente, às vezes, nas nossas famílias e rodas sociais… – e que gritam seu ódio com orgulho, em frases como:”tem que matar mesmo!”, ou “tá com pena? leva pra casa, esquerdopata!”, ou uma das mais boçais: “direitos humanos só para bandidos, nunca vi essa turma defendendo os policiais…” – como se os projetos de Lei defendendo os policiais não tivessem vindo, a maioria, pelas mãos de deputados e senadores da esquerda, como se os policiais não fossem eles mesmos, VÍTIMAS DESSAS GUERRA CIVIL, inclusive tendo um índice de suicídios imensamente superior aos “índices normais”… – quem sabe, um dia, essa classe digna de trabalhadores, os policiais, não perceba que são tão “descartáveis” para gente como Witzel e Doria, quanto os favelados que eles matam “com um tiro na cabecinha”… (sic). São a bucha de canhão, a ponta de lança de um sistema tão desumano e perverso, que não bastam as FAVELAS, a falta de oportunidades, a fome, o trabalho escravo na informalidade, NÃO BASTAM A MISÉRIA E A HUMILHAÇÃO, há de se matá-los, numa roleta russa de crueldade indizível, onde nenhuma dessas pessoas (os moradores das comunidades carentes) pode garantir que não será o próximo morto.

Mas o que fazem esses “cúmplices silenciosos”? – Em primeiro lugar, não percebem que odiar líderes como Lula e governos como os do PT, é odiar em si a ÚNICA PRÁTICA QUE PODE UM DIA ACABAR COM NOSSAS MISÉRIAS E COM ESSE HORROR: programas políticos que produzam a inclusão social! O que Lula fez como nenhum outro estadista antes dele, no Brasil, e poucos, na História.

Não existe “vácuo ideológico” na mente humana: se SATANIZAMOS “um tipo de político e suas ideologias”, automaticamente nossa mente buscará a ANTÍTESE de tudo aquilo que “satanás representa”, como a resposta AO NOSSO NOJO!

Por isso a grande mídia fez “um trabalho perfeito”, não ao “combater Lula e o PT”, mas torná-los exatamente nisso, “O SATANÁS”, o “mal absoluto” – como pode a mente de um homem que se acredita “do bem”, que vê em Moro um herói, ser racional e enxergar com lucidez tudo o que de bom Lula e o PT fizeram à nossa nação, ao nosso povo? Não consegue! A cegueira dos preconceitos e dos fanatismos agora arraigados em sua alma, não permite que veja com clareza. Coloca tudo, dentro de seus julgamentos “racionais”, éticos e emocionais, num “mesmo pacote” – “É coisa vinda do Lula ou do PT? Não quero, é lixo, é esgoto, quero a antítese disso para o meu país”… – eis o nível de doença psíquica e social com que lidamos, e eis, em parte, o que faz essas pessoas votarem em gente abjeta como Doria, Witzel e Bolsonaro.

A tragédia ainda maior desse estado de coisas, é que os Ministérios Públicos e o Poder Judiciário de um modo geral, abraçam essas crenças, essa cegueira, esse caldo fétido fascista que banha nosso país, com um vigor desconcertante! Promotores, juízes, procuradores, tendem a blindar políticos de linha contrária ao PT, fecham seus olhos aos genocídios em prática, e muitos, na verdade, celebram e apoiam todo o horror… – O que fazer, quando as instituições criadas para impor os limites da Lei aos governantes, QUEBRAM A LEI, OS DIREITOS HUMANOS, TUDO, TUDO, porque estão engajados pessoalmente, seus membros, nessas ideologias fascistas? Eis uma das questões mais cruéis desse tempo.

Nós, sociedade civil, temos que reagir com a máxima urgência e a máxima firmeza. Não cabe mais nos quedarmos deprimidos diante da avalanche do esgoto incivilizado, selvagem, covarde, odioso, que invade o Brasil de hoje. Temos que ecoar os textos e artigos que denunciam o horror. Temos que resistir! Abrir diálogo com os que ainda não estão totalmente cegos e surdos, tentarmos juntar uma parcela da sociedade que possa ir às ruas, às redes sociais, gritar que não queremos mais ser um país genocida!

Basta!

(artigo escrito sob efeito do genocídio cometido pelos PMs de Doria Jr. em Paraisópolis, onde nove seres humanos perderam suas vidas num evento absurdamente desnecessário, trágico e covardemente perverso)

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