Democracia de consumo não leva à revolução social, por Francisco Celso Calmon

Enquanto a esquerda não tiver um projeto unificado para o Brasil, ficará reagindo no varejo à sanha destruidora do protonazifascismo

Democracia de consumo não leva à revolução social

por Francisco Celso Calmon

Queriam fazer dele um criminoso, e estão transformando-o num mártir; queriam transformá-lo num cadáver político, transformaram-no no preso político de maior prestigio intencional. Tentaram por todos os meios arrancá-lo do coração do povo, conseguiram colocá-lo mais fundo no coração popular. Esperavam que a prisão e as perdas parentais sofridas o alquebrassem, e ele está revigorado, amando o povo, o país e a namorada como nunca dantes.

Proibiram seu nome na mídia corporativa, o site The Intercept, com suas revelações, furou a censura e fez parcerias, a exceção da rede Globo, e Lula é o personagem mais presente e comentado em todas as mídias.

Objetivavam bani-lo da vida política e ele ser tornou a pauta nacional da política, quando presente e futuro passam sempre por ele, preso ou livre. 

Promoveram superlativo ódio ao PT e perseguições variadas, e o partido conseguiu aumentar em torno de 20%, desde o golpe de 2016, o número de filiados e continua sendo o maior partido na preferência do povo brasileiro.

O que levou ao assassinato de Marielle, o que produziu a morte da companheira do Lula, Maria Letícia, o que levou o reitor de Curitiba, Luiz Cancellier de Olivo, ao suicídio, o que levou o Exército a desferir mais de 80 tiros num carro de uma família, levando a óbito o músico e segurança Evaldo dos Santos Rosa, o que levou a economia a produzir 30 milhões entre desempregados e desalentados e mais outros tantos milhões na informalidade? 

O que levou o país e seu atual governo serem ridicularizados no cenário internacional e tratado como um país subalterno, que abriu mão de sua soberania e do patrimônio nacional?

Bolsonaro não vai cair de maduro, de podre, por mais atentados que cometer à soberania, ao patrimônio, à democracia, a ética e ao vernáculo, só irá ser defenestrado se houver interesse das forças democráticas, incluindo democratas à direita. Mas, no cálculo dessas forças, há os que preferem a fritura lenta e constante, mesmo que às custas das mazelas do presente e sequelas futuras do povo e do país, e há outros que acreditam que um dia haverá um levante, uma insurreição, fruto da fatiga a essa escrotidão bárbara de bolsonarismo.

Como transformar essa realidade objetiva em possibilidade subjetiva de dar um basta ao golpismo e ser combustível para um movimento vigoroso de recuperação da democracia?  

Certamente, responderiam os clássicos da revolução, através da práxis revolucionária. Que é a mediação dialética entre o passado e o futuro, entre o subjetivo e a realidade concreta, entre as possibilidades teóricas, acendidas pelo processo histórico, e suas reais condições de realização.    

A ditadura militar foi derrotada politicamente, apesar de nos ter derrotado militarmente. 

Antes do golpe de 64 e na primeira década de combate à ditadura militar, a revolução social era o objetivo da esquerda, fosse com viés de libertação nacional social democrata, fosse com o objetivo de implantar o socialismo.

As reformas de base do governo de Jango desenhavam um projeto de nação. As demandas de segmentos de esquerda lutavam por um projeto mais audacioso, inobstante, as reformas formavam um alicerce de unidade. Um farol, um norte, o esqueleto de um novo país, que o povo mais politizado tinha consciência e apoiava.

Enquanto a esquerda não tiver um projeto unificado para o Brasil, ficará reagindo no varejo à sanha destruidora do protonazifascismo, protagonizado nesta quadra histórica, de acirramento da luta de classes, pelo lavajaterismo e o bolsonarismo, que ergueram o Estado policial vigente. 

É necessário a indignação a tudo que está acontecendo no país, contudo, não basta, é necessário também apontar o futuro que o povo quer e irá lutar por ele, ou seja: um projeto que possa chamar de seu.

Francisco Celso Calmon é Administrador, Advogado, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017)

2 comentários

  1. Tarsila do Amaral. 1.a República. República Paulista. O Povo está lá representado. A Industrialização Brasileira também. Democracia Livre, Soberana, Facultativa. Já Fomos cabeça antes de tornarmos em rabo depois de Golpe Civil Militar Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista de 1930. Interessante que querem novamente um País que já tivemos e é usado sistematicamente como exemplo. Mas tentam glorificar um pária ditador e Elite lacaia que ascende com o Fascista. Tarsila do Amaral retorna. Enfim se encerram 9 décadas miseráveis e descartáveis. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

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