Direitos autorais para o congresso: o bom desempenho do CAGED não é obra de Bolsonaro, por Albertino Ribeiro

Ora, todos sabem que, se dependesse de Bolsonaro e Guedes, o auxílio seria de apenas 200 reais e os trabalhadores seriam mandados para casa sem salários

Agência Brasil

Direitos autorais para o congresso: o bom desempenho do CAGED não é obra de Bolsonaro

por Albertino Ribeiro

O resultado do CAGED ressoou como música aos ouvidos do governo e do mercado. Segundo o cadastro, 131 mil empregos formais foram criados no mês de julho. Destarte, o governo logo tratou de se apropriar da boa notícia.

Hoje a tarde na CNN, o secretário de trabalho e previdência do Ministério da Economia, Bruno Bianco, falou sobre a recuperação da economia baseado-se na divulgação do resultado do CAGED.

O senhor secretário falou que a recuperação era fruto de diálogo do governo com o setor privado em consonância com a promessa de campanha de Jair Bolsonaro amparada no lema “mais Brasil e menos Brasília”.

Sabemos que tal discurso não é verdadeiro. Apropriando-se da autoria do auxílio emergencial de 600 reais, o secretário de Guedes disse que, graças a essa política somada ao crédito às micro e pequenas empresas, o Brasil tem sido o país que mais rápido está saindo da crise.

Ora, todos sabem que, se dependesse de Bolsonaro e Guedes, o auxílio seria de apenas 200 reais e os trabalhadores seriam mandados para casa sem salários e com os contratos de trabalho rescindidos. Trata-se de uma desonestidade intelectual estrondosa a fala do senhor Bianco.

Tudo isso só foi possível, graças ao congresso nacional; este que tem sido execrado pela equipe do governo. Como se não bastasse ter realizado a reforma da previdência, o congresso também impediu uma convulsão social que dar-se-ia com uma forte queda da demanda agregada, o aumentaria mais ainda o número de famílias que demandariam o auxílio emergencial.

Contudo, com a maior cara de pau, o poder executivo engana a população dizendo que sua equipe foi a verdadeira responsável pela concessão do auxílio e demais políticas de combate à pandemia como a concessão de crédito às pequenas empresas.

O plano do governo não teve a eficácia esperada; muitas empresas faliram por não terem obtido um centavo sequer de empréstimos.

Segundo o SEBRAE, existem 17 milhões de pequenos negócios no Brasil; aproximadamente 7 milhões de empresários foram em busca da esperança de obterem o crédito prometido, porém mais da metade ficou sem o dinheiro e cerca de 28 % ainda aguardam a liberação dos bancos.

É necessário lembrar que, no período em que a proposta foi colada à mesa, vários apoiadores de Bolsonaro, inclusive, o seu filho Carlos, disseram tratar-se de uma política socialista. Até mesmo um motorista de aplicativo (Bolsonarista, claro!), que me conduzia ao trabalho, disse-me que tal política era desnecessária.

Houve muito alarido; muitos disseram que o Rodrigo Maia e Alcolumbre queriam usurpar o poder do capitão. Fico pensando nas frases escritas pelos extremistas:“fechamento do congresso e do supremo com Bolsonaro governando”! Já pensou o que aconteceria se essa excrecência se tornasse realidade, meu amigo leitor?

Pois é, graças a uma tímida política keynesiana. defendida pelo congresso e à contragosto de Guedes, a economia está podendo respirar um pouco “sem entubação”.

Albertino Ribeiro

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