Do fundamentalismo religioso à esperança ou morte, por Maister F. da Silva

O fundamentalismo religioso radical que ocupa setores significativos do estado brasileiro é tão responsável quanto o séquito que criminaliza o aborto de uma vulnerável.

Do fundamentalismo religioso à esperança ou morte

por Maister F. da Silva

Sara Winter e fundamentalistas que foram para a frente do hospital protestar contra o aborto da menina de 10 anos, que engravidou através de um estupro, representam o que há de pior na sociedade brasileira, todavia, são eco de um projeto arcaico de destruição dos direitos humanos, que encontra aconchego e repercussão através das crenças de quem ora administra o estado brasileiro.

O fundamentalismo religioso radical que ocupa setores significativos do estado brasileiro é tão responsável quanto o séquito que criminaliza o aborto de uma vulnerável. Ministra Damares Alves encaminhou projeto que visa endurecer penas de abuso sexual a crianças e adolescentes, mas faz-se de esquecida que só está ministra porque a base que a sustenta é essa base criminosa que passa pano para crimes sexuais e que acredita que mulheres são estupradas pelo tipo de roupa que usam. Não são raras as provas em vídeo onde a Ministra, então exercendo o cargo de pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular é vista tratando com deboche temas sérios.

A ministra que é o elo principal entre a base ultra-conservadora evangélica, o senso-comum e o Planalto, manipula inteligentemente esse público, caracterizado por ter parte significante de mulheres (pouco escolarizadas) que creem na “mulher empoderada” que é a Ministra, mas que elas pra chegarem ao reino dos céus devem esforçar-se para servir bem a seus maridos. Não à toa é um dos personagens mais bem avaliados do governo e peça de confiança do presidente. Uma figura perigosa construiu toda sua carreira elegendo gays e a ideologia de gênero como principais inimigos e por concepção de fé, segundo ela, a mulher deve ser submissa ao marido.

O Presidente mesmo, já envolveu-se em polêmicas que reforçam e naturalizam crimes sexuais quando disse que à Deputada Federal Maria do Rosário que “só não a estuprava porque ela era muito feia” e quando atacou de forma machista a jornalista Patrícia de Campos Mello, quando dizendo que a mesma “queria lhe dar o furo”, citando apenas alguns exemplos. Durante sua campanha desprezou e atacou as mulheres diuturnamente, e continuou após eleito.

Há um provérbio religioso sobre o poder da palavra “palavra quando é lançada sempre acerta o alvo, o coração de alguém. Ela provocará morte, quando estiver implícito, neste lançamento, intolerância.” Não se pode isentar a responsabilidade do governo, o poder da palavra de quem exerce a liderança do estado é decisiva, pode oferecer esperança ou morte.

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