Entenda a greve dos caminhoneiros em 19 passos, por Gustavo Conde

Por Gustavo Conde

Entenda a greve dos caminhoneiros em 19 passos

1. Empresários do setor de transporte compraram líderes de caminhoneiros (o presidente da Abcam é filiado ao PSDB);

2. Caminhoneiros aceitaram ser massa de manobra e pararam seus caminhões (provavelmente mediante promessas vazias do falso líder tucano da categoria – onde já se viu tucano liderar movimento de classe?);

3. Nem caminhoneiro, nem líder, nem empresários esperavam a repercussão e o caos que a greve provocou;

4. Esse caos assanhou os caminhoneiros, que se sentiram poderosos;

5. A greve ficou sem “dono” e arrasou a cadeia produtiva e o abastecimento do país. Caminhoneiros ficaram orgulhosos e, de posse dessa psicologia de heróis, mergulharam de cabeça no falso sacrifício da categoria;

6. Nota: até agora não tem nada de “esquerda” ou de movimentos sociais neste processo. Zero.

7. O movimento de caminhoneiros – que era e é de direita, sem liderança e sem bandeira – somado ao governo de direita, que não tem comando, redundou em um desastre generalizado em todos os sentidos;

8. Até aqui, só a direita se matou e se espancou, nessa ordem;

9. A imprensa, perplexa, sem saber o que fazer e a quem culpar (pois era todo mundo de direita, grevistas, governo e a própria imprensa), bateu cabeça do primeiro ao último dia da greve;

10. Resumo da Ópera 1: a direita agiu como a população de frangos: se canibalizou;

11. Resumo da Ópera 2: a esquerda assistiu a tudo de camarote e se fortaleceu mais ainda junto a opinião pública (ao não participar desse vexame);

12. Resumo da Ópera 3: a blogosfera cobriu a greve melhor do que toda a imprensa e deu um show de antecipação de movimentos, de grevistas e do governo: previu todos. Ganha com isso;

13. Resumo da Ópera 4: a Globo ficou com a brocha na mão e não conseguiu se apropriar da narrativa para transformá-la em um novo movimento artificial de direita – para derrubar Temer e provocar eleições indiretas;

14. Resumo da Ópera 5: caminhoneiros estão derrotados e com o gosto amargo de terem sido usados como fantoches de empresário.

15. Resumo da Ópera 6: a direita mostrou a sua colossal falta de competência para gerenciar o país. Tornou-se uma carta mais fora do baralho eleitoral do que já era;

16. Resumo da Ópera 7: a falta de comando do país ficou exposta e a cadeia hierárquica das Forças Armadas foi quebrada;

17. Resumo da Ópera 8: o fracassado movimento serviu de alerta para os movimento sociais reais que, agora, vão recuperar o protagonismo via greve dos petroleiros;

18. Resumo da Ópera 9: a população ratificou sua repulsa ao golpe, a Temer, ao PSDB, à privatização da Petrobras e à péssima informação produzida pela imprensa chapa-branca;

19. Pergunta: quando a esquerda vai comemorar isso?

 

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2 comentários

  1. O fracassado da “direita” não

    O fracasso da “direita” não significa a vitória da “esquerda” e sim a vitória da anomia, ainda mais porque sobre esse específico fracasso da “direita” a “esquerda” não tem a menor responsabilidade. E essa anomia, causando medo e terror geral, está sendo adotada pela extrema-“direita”, pelo fascismo que há latente, em potencial, nas pessoas. O que os candidatos a líderes desse extremismo estão capitalizando para si mesmos.

    Desse modo, nada para a “esquerda” comemorar. A “esquerda” só pode comemorar quando realizar o preenchimento do vácuo de poder que a “direita” causou, só comemorará na medida em que for vertendo o estado para atendimento das demandas dos mais vulneráveis.

    Lembremo-nos que “mais vulneráveis” não siginifica obrigatoriamente miserável morando embaixo de ponte. O Jornalismo praticado pelos blogs, para mencionar exemplo concreto, é vulnerável em relação ao oligopólio da comunicação, ao cartrel tácito estabelecido por, como se costuma dizer, “poucas famílias”, quase famiglias.

    É sempre bom lembrar também que autônomo não significa patrão, que o fato do caminhoneiro ser dono do caminhão não o subordina menos ao dono do negócio do que se o caminhão fosse desse dono. nem significa que o autônomo terá poder sobre as decisões das empresas de transporte. O negócio, seja ele transporte ou qualquer outro, é muito mais do que a ferramenta também necessária para que trabalho seja realizado.

    Poder sobre o meio de produção é o poder sobre a cadeia produtiva não somente sobre ferramentas físicas. Nesse caso me parece que que o autônomo é muito mais identificado com o proletário do que com o patrão (assim como o proprietário de loja franqueada não passa de um gerente de loja, um proletário cujo investimento não o acrescenta em poder de gerência sobre o negócio final).

  2. Meu querido, sua conclusão
    Meu querido, sua conclusão não tem nada de informativo. Você, provavelmente deve ser um esquerdista de merda que procura situações precárias como a Greve deles para engrandecer seu lado, que a propósito, é uma merda. Vem falar mal das pessoas de Direita mas se esquece que foi vcs que governaram o Brasil por décadas e olha no que deu. Só não vou xingar vcs de: “facista” como vcs fazem (sem saber o real significado) porque tenho sã consciência, virtude que vocês nunca foram agraciados.

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