Entramos pelo cano ou o cano entrou em nós? De qualquer jeito, tá doendo. Por Rui Daher

É impossível calar diante da entrevista que Steve Bannon deu ao Valor, sucursal paulista de “O Globo”, em 07 de fevereiro

Donald Trump e Steve Bannon - Foto El Pais

Entramos pelo cano ou o cano entrou em nós? De qualquer jeito, tá doendo

Por Rui Daher

 Steve Bannon. Não, não ficarei apenas neste homem, não. Mas é impossível calar diante da entrevista que ele deu ao Valor, sucursal paulista de “O Globo”, em 07 de fevereiro. Em auto delação, o prêmio não sei, mas imagino altíssimo. Quem o entrevistou, por telefone, foi o jornalista Marcos de Moura e Souza, de Belo Horizonte. Assim, para desespero e nojo geral:

“A grande imprensa e a esquerda marxista-cultural odeiam o capitão Bolsonaro do mesmo jeito que odeiam Trump”. 

Sobre o papel do deputado Eduardo Bolsonaro: [Ele] tem carisma e compreensão para impulsionar nossomovimento na América do Sul (…) como um contrapeso ao movimento de São Paulo, que é esse movimento cultural marxista”.

Socialismo: “As pessoas no Brasil já viram como o socialismo pode destruir a economia”.

Aproximação com EUA: “(…) a importância dos acordos de comércio bilateral (…) há uma forte ênfase aqui [EUA] em se aproximar do Brasil”.

Imagem de Bolsonaro em Washington: “(…) principalmente em Wall Street há um enorme interesse no que acontece com as finanças do Brasil”.

Mourão: “(…) preocupa o general, parece que ele não entende o sentido e o propósito da revolução (sic) Bolsonaro”.

Como é vista nos EUA a agenda conservadora de Bolsonaro: desconversa em bullshits, citando Orbán (Hungria), Salvini (Itália), Marine Le Pen (França) e, claro, Trump. Volta, então, à “grande imprensa e a esquerda marxista cultural”. 

Maduro e Venezuela: “(…) pode acabar [numa situação] muito sangrenta e anárquica (…) a coisa vai ficar feia daqui pra frente”.

Esse homem fez o Brasil que temos hoje. Vocês votaram 17 pensando estarem votando no Mito e estavam votando no Myth.

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Daqui em diante, retomo o que tivemos de 2003 a 2016: um programa de governo voltado para crescimento, inserção social, soberania, aumento de emprego, renda e consumo, produção familiar para o mercado interno, respeito internacional, diversificação de mercados internacionais. As aprovações populares, ao fim desses governos, não me desmentem.

Deixo a “babacaria” comprada por vocês, já comprovada pela equipe ministerial (?) escolhida, e vou a dois pensadores que, junto a muitos outros, inspiram minhas escritas. Não me alongarei, pois trata-se do que venho repetindo em vários textos.

José de Souza Martins, professor de Sociologia, na USP: 

“O rentismo gera lucros fáceis, mas não gera participação social e democrática. Enriquece alguns e empobrece muitos. Põe em risco a reprodução capitalista do capital. É o pai do autoritarismo”.

Dani Rodrik, professor de economia política internacional da Faculdade de Governo John Kennedy, da Universidade de Harvard: 

“Toda economia do mundo hoje é dividida entre um segmento avançado, mundialmente integrado, que emprega parcela minoritária da população em idade ativa, e um segmento de baixa produtividade que absorve o grosso dessa população, muitas vezes a baixos salários”

Como Rodrik entende minimizar isso?

  1. Em longo prazo, políticas públicas de alto investimento em qualificações e educação;
  2. Convencer empresas bem-sucedidas a empregar mais trabalhadores menos qualificados;
  3. Impulsionar uma faixa intermediária de atividades de baixa qualidade intensivas em uso de mão de obra. O turismo e a agricultura não tradicional são os principais exemplos desses setores. 

VALE DIZER: TUDO O QUE ESTAMOS E IREMOS ABANDONAR:

  1. Valorização de professores e Escolas Livres para ensinar as verdades históricas;
  2. Promover insegurança nos trabalhadores menos qualificados com mudanças nas leis trabalhistas e previdenciárias;
  3. Extermínio da agricultura familiar.
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Entenderam quanto dói um cano, seja na ida ou na vinda?

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10 comentários

  1. Xará, aceita que dói menos.
    Viram como o socialismo pode destruir a economia?
    Foram os socialistas que destruiram a economia dos EUA e da Europa em 2008.

  2. “Vocês votaram 17”? Inclua 61% do eleitorado e 73% da população fora disso. O pau mandado do Goebbels 2.0 foi eleito pela minoria e pela parcela que se omitiu criminosamente votando em branco ou nulo. A minoria fez entrar o cano não só nos brazileiros, mas em todos os latino americanos.

    • Caro CB, vou copiar o Rui aí de cima, aceita que dói menos. 73% da população fora disso ? Se assim sesse que bom não foria ! Estaríamos todos nas ruas. Creio não ter havido até hoje um político eleito tão legitimamente quanto Bolsonaro. Não culpo sequer as fake news nem o alijamento de Lula. Ele se mostrou por inteiro, não enganou ninguém. Se tivesse comparecido a debates, feito campanha defendendo políticas públicas inclusivas, defesa das minorias, sem preconceito, condenando armas e violência, teria tido menos votos que Alckmin e talvez o 01 não recebesse a simpatia da modelo vítima de misogenia. Os responsáveis são os que não votaram em Haddad no segundo turno, tenham optado pelo 17, por anulação, abstenção ou omissão. Da mesma forma, se Haddad se chamasse Boulos, Ciro, Marina, Alckmim … Pra mim, esse governo é apenas o sintoma da doença. E a doença é a sociedade que o elegeu porque quer o que ele sempre pregou. E parece que uma possível cura se dará, como diz o Rui lá de cima do de cima, com o cano, e isso não terá como doer menos.

      • Pode não haver um bando de gente nas ruas, isso não significa que ele representa a sociedade. Muito anti-petista não teve estômago de votar nele só para derrotar o PT. Com todos os defeitos, a maior parte da sociedade é melhor do que esta minoria ignorante ou mal intencionada que o elegeu por fanatismo religioso ou ideológico.

        • Quem votou no Bolsoburro e quem não votou em ninguém, os que se abstiveram, são os que mais vão sentir a dor do cano no lombo, com mais força, porque não acreditam que isso vai acontecer.
          Os petistas já estão preparados para reagir, na certeza do porvir.

          • Não, não Marcio. Petistas e não petistas que votaram em Haddad vão sentir a dor do cano no lombo. Os outros sentirão num outro lugar.

  3. Analise “basicona” da realidade………
    Nossas infraestruturas caindo aos pedaços, como exemplo tomo a maior e mais rica cidade do mais rico estado da federação, que não tem como fazer a manutençao de viadutos………centenas de obras paradas, apodrecendo……um mar de desempregados e subempregados e a grande solução dos caras é enriquecer banqueiro bilionario e alinhamento automatico da ovelha Brasil com o Lobo norte-americano……
    os plantadores de soja são um bom exemplo da estupidez reinante, querem mais terra para plantar mais soja, e com o acordo comercial China/EUA, correm o risco de perder o seu maior cliente, a China…….E tudo isso, é claro, com valiosa ajuda dos crazy ministros…….A educação vai de mal a pior com fortes chances de piorar, mas o diploma de otario esta garantido……

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