Extinction Rebellion x Rebelião Escravocrata tupiniquim, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Entre nós, os brancos foram as ruas para construir um novo Apartheid político que se caracteriza pela extinção de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, a revalorização da destruição da natureza e, em alguns casos, o retorno da escravidão e da tortura

Extinction Rebellion x Rebelião Escravocrata tupiniquim

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

O movimento de Rebelião ecológica começou na Inglaterra, se espalhou pela Europa, ganha força na Austrália e, com ajuda de Greta Thumberg, já se espalha pelos EUA. A prisão de Jane Fonda certamente vai dar grande visibilidade desse movimento entre os norte-americanos.

A intensificação das jornadas dessa Rebelião em Londres essa semana colocou em xeque o debate político e o sistema partidário inglês. Curiosamente, um articulista do The Guardian acusou o movimento de ser “muito branco e muito classe média” e de provocar graves problemas à mobilidade urbana e a economia (aqui).

A branquidade dos movimentos de classe média que derrubaram Dilma Rousseff foi um fenômeno bastante visível (aqui e aqui). Mas o resultado das manifestações de 2015 foi o inverso das propostas da Rebelião ecológica inglesa, européia, australiana e norte-americana.

Entre nós, os brancos foram as ruas para construir um novo Apartheid político que se caracteriza pela extinção de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, a revalorização da destruição da natureza, o uso descontrolado de pesticidas agrícolas, a liberação da caça de animais selvagens e, em alguns casos, o retorno da escravidão e da tortura. Os brancos brasileiros sonham com um retorno ao passado colonial violento e destrutivo no exato momento em que os seus pares europeus, australianos e norte-americanos tentam construir um futuro pacífico, saudável e livre de um sistema econômico anti-ecológico.

Os brasileiros brancos se tornaram paradoxalmente menos brancos do que os seus eternos modelos estrangeiros. O subdesenvolvimento intelectual e o fanatismo neligioso tingiu sua branquidade com a cor da bestialidade política e civilizatória. Eles dizem que odeiam o vermelho, mas aplaudem efusivamente as chacinas cometidas pelos policiais, especialmente quando as ruas das periferias das nossas cidades são lavadas com sangue pobre, negro e indígena.

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Nossos brancos são os peles vermelhas das fantasias pós-apocalípticas do cinema norte-americano. Antecipamos no Brasil o futuro Mad Max que a Rebelião ecológica quer evitar na Inglaterra, Europa, Áustria e EUA. Não por acaso o grande homem branco brasileiro deseja agora privar os pobres, pardos, negros e índios do acesso a água potável. A proposta de extinção da Justiça do Trabalho demonstra que no Brasil estamos presenciando uma rebelião escravocrata.

 

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