Famosa reunião ministerial confirma fraqueza e indigência de todo o governo, por Álvaro Miranda

A situação é simples de entender, qual seja, na falta de conteúdo e mesmo tato político, a ignorância e a boçalidade armam os incompetentes de gritos e palavrões. São, na verdade, pessoas fraquíssimas – e é inevitável que adjetivemos sempre.

Famosa reunião ministerial confirma fraqueza e indigência de todo o governo, por Álvaro Miranda

Para além da investigação policial e dos absurdos já comentados amplamente, a famosa reunião ministerial confirmou o que muitos já sabiam. Não só Jair Bolsonaro é fraco, mas todos os seus ministros também.

De qualquer modo, para entrar no nível dos participantes da reunião, o batom na cueca foi a confirmação pelo próprio Bolsonaro de que a mexida na Polícia Federal era para interesse pessoal, mesmo, do presidente.

Mesmo assim, pelo ritmo do adensamento da nuvem obscurantista, Bolsonaro pode até tirar proveito da divulgação da reunião. Muitos acharem que ele é sincero e honesto com seu jeito simplório de falar palavrão e enfatizar que “não estamos para brincadeira.”

A situação é simples de entender, qual seja, na falta de conteúdo e mesmo tato político, a ignorância e a boçalidade armam os incompetentes de gritos e palavrões. São, na verdade, pessoas fraquíssimas – e é inevitável que adjetivemos sempre.

O tal filhinho do amigo do amigo, transformado em ministro do meio ambiente, simplesmente teve a pachorra e a caradura de propor que o governo aproveitasse as atenções do país voltadas para a tragédia da pandemia para, simplesmente, destruir a legislação ambiental do país. Sugeriu uma “baciada” de medidas na calada da catástrofe. Totalmente infame.

O desqualificadíssimo ministro da educação, além de espumar pela prisão do pessoal do STF, ficou falando em “liberdade”, cara pálida, liberdade do que e de quem? Ignorante, disse que odiava o termo “povo” quando referido a segmentos de origem indígena e outros.

Babava de ódio como uma criança birrenta e irrequieta. Puxa-saco também sem cerimônia. Assim como Bolsonaro, falou como se estivéssemos numa guerra interna. Como se fosse sair sangue dos seus olhos.

Bolsonaro confirmou seu apetite golpista dizendo que estava armando o “povo” mesmo! Que “povo” e contra quem não explicou. Aliás, o presidente revelou na entrelinha do seu comportamento que não confia quase em ninguém dentro do governo. Esse climão deu para notar no seus olhares e no seu apelo para que todos os ministros se preocupassem também com a questão “política”, e não somente com seus ministérios.

Enfatizou com o balanço constante de sua franja lisa e hitlerista que não era justo tomar pancada sozinho. Se falou isso é porque percebe, não é de hoje, que governar é algo complexo na divisão de tarefas, que se os ministros já fazem muito, embora seja pouco para ele, deveriam fazer mais e não só defender os assuntos de seus respectivos ministérios.

Ou Bolsonaro espera que os caras fossem se expor, publicamente, para defender os filhos dele nas ações que correm na Justiça? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Mourão ficou só na escuta como quem diz “esses caras são uns bobinhos, não sabem nada.” Parecia na moita o tempo todo. Ficou impassível quando Bolsonaro lhe pediu desculpas ao lembrar que, antes dele, tinha convidado Magno Malta para ser candidato a seu vice. Que Malta era fiel e nunca o alfinetou.

Já o ministro do turismo começou a falar sobre cassinos, que era necessário abrir o debate sobre “resorts integrados”, convencer os evangélicos. Só começou. Risadinhas aqui e ali, frase de efeito, pintou um constrangimento que neutralizou logo o assunto quando alguém soltou algo tipo pacto com o demônio ou o diabo.

Onix, como sempre, puxa-saco profissional. Metido a elegante, um vaselina de longa data. Deve entrar em pânico com a possibilidade de ser demitido. Zapeando canais, vi que o presidente da Caixa Econômica provocou reações no Datena, que disse que ele teria que se explicar e informar quem da Band teria pedido dinheiro.

O cínico Paulo Guedes, em meio ao clima da pandemia que evidencia a necessidade da presença do estado, veio reforçar seu proselitismo interno. É que na economia o batom na cueca também é muito evidente.

Até porque as evidências são tantas sobre a necessidade da coordenação e subsídios do estado, mas Guedes falou: “Não vamos nos iludir, os investimentos só virão pelo investimento privado” e citou, por exemplo, o turismo. Uma pérola da enganação ou do sarcasmo. “Não podemos voltar a 30 anos atrás”, disse.

Afirmou ainda que o Brasil “ia começar a voar” antes da pandemia, contrariando as notícias publicadas pela imprensa em janeiro e fevereiro. E completou que “todo o discurso é bonito, acabar com as desigualdades (…)”.

E foi peremptório, mostrando o gostinho pelo poder, mesmo antes de o governo completar metade do mandato: “Vai ser reeleito, e só vai ser reeleito se conseguirmos… O caminho desenvolvimentista foi seguido e o Brasil quebrou. Como um governo quebrado vai investir?”

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