‘Foi fraude’ ou não ‘foi fraude’, eis a questão, por Gustavo Conde

Ficar discutindo se as cenas da Praia Grande foram "armadas" é simplesmente tensionar o enorme vazio de conteúdo que habita a nossa cobertura jornalística.

Reprodução O Globo

‘Foi fraude’ ou não ‘foi fraude’, eis a questão, por Gustavo Conde

Empresas de notícias “progressistas” investindo em massa na ideia de que a cena de Bolsonaro na Praia Grande foi uma “fraude”.

Políticos e dirigentes partidários “à esquerda” repercutindo em massa as notícias da “fraude”.

Militância digital – da ala “tutelada” – repetindo à exaustão: “foi fraude! Foi fraude!”.

Como disputar narrativa assim?

A fragilidade do campo progressista pede socorro – e o sucesso retumbante da comunicação bolsonarista progride.

Ficar discutindo se as cenas da Praia Grande foram “armadas” é simplesmente tensionar o enorme vazio de conteúdo que habita a nossa cobertura jornalística.

Serve para esquentar likes, compartilhamentos e monetização. Favorece as empresas, não a opinião pública – nem a tentativa de conquista de espaço político e do coração do povo.

E convenhamos: é muito ‘classe média’ essa polêmica da “fraude da Praia Grande”. Só acirra ainda mais o povão contra a pauta da governança responsável – portanto, é também uma irresponsabilidade editorial.

Seguimos aprendendo amargamente: como a esquerda não sabe usar as redes digitais em benefício próprio – uma coisa muito feia e egoísta, não é?  – ela usa em benefício dos “outros”.

Pensem na “facada” e no quanto essa polêmica – se a faca entrou, se Bolsonaro tinha câncer – ajudou e ajuda Bolsonaro.

O flerte do campo progressista com Rodrigo Maia desorganizou demais o trabalho narrativo de formiguinha que vínhamos fazendo a duras penas. Para a esquerda, a contradição ideológica de superfície é assaz deletéria – o pragmatismo lhe é estruturalmente tóxico (todo mundo sempre soube disso).

Nesse contexto, analistas e mídias são tomados de arrasto. A gente nem sabe mais se o cara é deputado ou colunista, se é dirigente ou jornalista. Tudo vira um clubinho homogêneo que nos prende ao passado e que nos impede de ampliar discussões.

Enquanto isso, as inúmeras aglomerações de fim de ano precipitam a carnificina certa de janeiro.

E aí? Vamos falar de fraude?

Começamos o ano com o pé esquerdo.

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