Governo Bolsonaro e a oposição das esquerdas, por Aldo Fornazieri

Governo Bolsonaro e a oposição das esquerdas

por Aldo Fornazieri

Com a posse de Bolsonaro na presidência da República impõem-se às oposições de esquerda a adoção de táticas cuidadosas e apuradas acerca da forma e do conteúdo da maneira de fazer oposição. Pelas análises que estão surgindo em artigos publicados em diversos blogs a aposta é a de uma oposição radical, de não reconhecimento do resultado das eleições, de deslegitimação tanto das eleições quanto do governo. A questão é: até que ponto uma tática desta natureza pode ampliar ou estreitar o espaço das oposições progressistas na sociedade, principalmente quando se está diante de um governo que tende a atacar as liberdades, os direitos, o Estado Democrático e a Constituição. Ou seja: a política deve ser ampla, com um programa de lutas, de diálogo com a sociedade, inclusive com boa parcela do eleitorado que votou em Bolsonaro ou deve ser de um radicalismo militante e de recusa do governo enquanto tal?

A posse de Bolsonaro está inscrita com um gesto radical das oposições de esquerda: o não comparecimento no ato formal da posse no Congresso Nacional. O gesto é polêmico, mas existem razões que o justificam. A primeira delas é que, durante a campanha, Bolsonaro ultrapassou o razoável e o aceitável na disputa democrática e pregou a violência e o banimento contra as esquerdas. Em suma: identificou nas esquerdas, não adversários, mas inimigos. Se Bolsonaro quiser o respeito das esquerdas, precisa respeitá-las. É razoável e legítimo não participar de uma festa de um inimigo, mesmo que esta festa seja revestida de teor institucional. Os bolsonaristas estão armados no sentido figurado do termo contra as esquerdas – e, talvez, no sentido real. Para que haja um convívio democrático e respeitoso no plano institucional, é preciso que os bolsonaristas deponham as armas e terminem a guerra de incitação à violência contra as esquerdas. Caso contrário, as relações serão tensas e belicosas. A responsabilidade da iniciativa, em casos desta natureza, cabe, especialmente, aos vencedores e àqueles que proclamaram a guerra.

A segunda questão é a questão da legitimidade da vitória de Bolsonaro e das próprias eleições. Há duas formas de ver o problema. Preliminarmente, é preciso considerar que as eleições obedeceram ao calendário eleitoral, sendo que eleições previsíveis é um requisito procedimental de sua legitimidade. Primeira forma: as eleições foram precedidas de um golpe e Lula, líder das pesquisas, foi impedido de participar por decisões judiciais. A questão principal aqui está na legitimidade ou não das decisões judiciais que bloquearam a candidatura Lula. Se a resposta é a de que as eleições estavam irremediavelmente  comprometidas em sua legitimidade, a atitude mais coerente seria boicotá-las.

Segunda forma de ver a questão da legitimidade eleitoral: mesmo com o golpe e  com o impedimento ilegal de Lula, as eleições foram legítimas e as esquerdas participaram delas conferindo-lhes legitimidade. Aliás, durante a campanha eleitoral, as esquerdas e os analistas não questionaram a legitimidade das eleições. Se as eleições, mesmo com o golpe, mesmo com a interdição de Lula e mesmo com as fake news foram legítimas, não se pode agora questionar a sua legitimidade e a legitimidade do governo Bolsonaro. Não se pode adotar um golpismo de esquerda.

Então, é preciso escolher: se a eleição de Bolsonaro é em tudo uma farsa, tudo fajutado, tudo ilegal e ilegítimo, a tática correta consiste em uma oposição radical, de denúncia permanente do governo, de recusa de qualquer acordo, de proposição de seu impeachment e de sua derrubada. É preciso ser coerente com o que se escreve. Se a posse de Bolsonaro é ilegal e ilegítima, porque as eleições foram ilegítimas, não basta boicotar a posse. Para não ser pusilânime, é preciso definir uma tática coerente com a avalição da ilegitimidade das eleições e do governo.

Agora, se se considera que as eleições foram legítimas mesmo com os problemas apontados, então o que cabe fazer é avaliar a natureza do governo que emergiu delas, as possibilidades e os riscos que ele comporta. Tendo em vista o que foi explicitado durante a campanha e antes dela pelo presidente vencedor e pelo programa e ideias que ele defende será preciso definir uma tática coerente com esta avaliação. Ao que se sabe, os partidos de esquerda, acertadamente, não consideram as eleições e o governo ilegítimos.

Quanto à natureza do governo, trata-se de um governo de extrema-direita e, por isso mesmo, traz riscos às liberdades, aos direitos, à democracia, ao Estado Democrático e à Constituição. Se esta é a avalição, trata-se de definir uma tática de frente ampla informal, de diálogo amplo com todos os setores políticos e sociais que possam agir em comum na defesa das liberdades, dos direitos, da democracia, do Estado Democrático e da Constituição. Trata-se de construir uma maioria social em torno desses pressupostos e de sua defesa e trata-se de agir para defende-los e denunciar ações do governo que os ataquem. Isto não significa diluir-se no interior dessa frente e nem mesmo limitar-se a ela. No plano das lutas sociais, por exemplo, é possível e necessário consolidar uma frente mais combativa e programática, seja de resistência em defesa da democracia e dos direitos, seja de luta em torno de um programa de reivindicações e de mudanças. Se o governo Bolsonaro atacar as liberdades, a democracia e a Constituição se tornará ilegítimo pela sua ação.

Algumas análises, principalmente de natureza psicológica, acerca o futuro que nos espera com Bolsonaro, chegam a beirar o delírio, pois sugerem o aparecimento de um fascismo inevitável vindo das ruas, das massas, do povo. A conclusão é equivocada porque a análise é equivocada. A vitória de Bolsonaro não se deveu a um suposto pendor fascista do povo, ao seu conservadorismo entranhado que jazia adormecido e foi desporto pela pregação do líder. A imensa maioria do eleitorado que votou em Bolsonaro não é fascista e nem sabe do que isto se trata. Bolsonaro venceu, principalmente, por dois motivos: 1) porque o povo queria mudanças e identificou em Bolsonaro o candidato que proporcionaria as mudanças, mesmo que isto significasse um salto no escuro; 2) por um sentimento difuso antiPT, que foi amplamente explorado não só por Bolsonaro, mas por outros, a exemplo de Alckmin, Dória etc.

A ideia de que o povo brasileiro é bolsonaro e que Bolsonaro é a encarnação do povo é uma ideia falsa. Se existem fascistas, trata-se de uma minoria. Uma das tarefas da oposição é impedir que essa minoria se transforme em maioria. O povo não está tomado por uma psicose bolsonaro-fascista. Ele quer simplesmente que o Brasil e a vida mudem para melhor. Não quer a corrupção, não quer que o dinheiro público seja roubado e quer um Estado eficiente. Por isso a moralidade na política precisa ser uma bandeira das esquerdas, assim como um programa de reformas amplas, que busquem mais eficiência, menos privilégios e mais justiça e igualdade. Se Bolsonaro não garantir uma vida melhor, o povo se voltará contra ele. Como o programa e os compromissos do governo Bolsonaro pouco têm a oferecer ao povo, as esquerdas precisam ganha-lo para enfrentar novas batalhas.

De qualquer forma, as oposições de esquerda não terão êxito contra o novo governo se não se organizarem nas bases sociais da periferia. Para mudar o Brasil é preciso construir uma aliança entre o povo pobre e as classes médias. A demonização e culpabilização das classes médias, como fazem alguns escritores, é um redondo equívoco.

Resistência e mudanças são consequência de força social e política organizada, algo que as esquerdas vêm negligenciando. As esquerdas se comunicam mal. É preciso ter capacidade de convencimento, discursos e mensagens persuasivos. Organização e persuasão são os pressupostos da legitimidade de um líder, de um partido e de um programa. Ou se tem as virtudes para se ter essas capacidades, para organizar os meios, ou a história das esquerdas no Brasil será uma história de sucessão de derrotas. Discursos arrogantes, pretenciosos, radicalóides e vazios não passam de cortinas de fumaça para encobrir fracassos e derrotas.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).

12 comentários

  1. A oposição vai ter que saber

    A oposição vai ter que saber fazer oposição  ..e BOZO, truculento e ignorante, radical, vai ter que aprender a governar e negociar, coisa quase que impossível de acontecer

    TUDO me leva a apostar numa ruptura  ..com a turma dos RINOCERANTES e dos MAFIOSOS de Curitiba ganhando espaço

    No mais, vai depender da conjuntura econômica e dos resultados alcançados

    FATO é que a MAIORIA já começa a acreditar na FRAUDE de que o PT é o pai da corrupção, e que seu governo foi o CAOS.

    LULA jaz esquecido pelo POVO  ..suas conquistas sociais, estatísticamente  INCOMPARÁVEIS, já começam a se diluir e serem escondidas dos mais jovens (35% dos eleitores NÂO sabe do antes do governo LULA  ..outra parte não lê, fica jogando game, assistindo netflix, MMA ou se “formando” via whatsapp)

    Se a oposição ficar fazendo marola a todo tipo de questão, penso que ela vai se dar mal (e nós juntos)  ..veja o caso do desarmamento por exemplo, muito barulho por nada..

    ..tremenda bobagem dos do CONTRA ..aqui se mata com pá, faca, pedra, tapa e até vaso sanitário

    Não gosto do BOZO ..tenho profundo desprezo, NOJO dele e da família ..acho que a tempos ele devia estar PRESO por atentado a democracia e apologia a diversos tipos de crime ..inafiançáveis, pois o considero um TERRORISTA pós anistia

    dito isso

    TODOS sabem, ou deveriam saber, que a proibição (ou dificultação) à posse de armas foi uma pegadinha da esquerda rosinha

    https://pt.wikipedia.org/wi

    O POVO, em 2005, nos raros momentos em que foi convidado a dizer o que pensa, disse NÃO, o Estado não devia proibir a posse, e o que fez o governo ?..editou uma MP contrariando o povo e dificultando as regras (ato que NÃO ajudou a diminuir as estatísticas)

    QUALQUER IDEIA na democracia tem que ser debatida com respeito, ÉTICA e civilidade ..SÃO MILHÕES DE REALIDADES !!!! ..problema é que BOZO e o inominável GOLPEARAM a democracia e, pra mim, não tem legítimidade de exercer o Poder, o comando.

    No resto, que se libere as armas ..e que se PUNA quem delas fizer mal uso

    O ESTADO precisa intermediar RELAÇÕES e conflitos ..assistir ao fragilizado, injustiçado ou incapacitado ..garantir a isonomia ..essa de ficar dando regras ao indivíduo a todo momento e em todos os segmentos, tal como um Estado evangélico e/ou muçulmano, é inadmissível.

  2. Governo do caos

    Bolsonaro vai apostar no governo do caos. Vai constantemente acusar a esquerda de querer sabotá-lo e possivelmente criar atentados para poder culpar a esquerda. Com essa tática, poderá quem sabe aumentar seu poder de governo e até chegar a uma ditadura propriamente dita, governando por decreto, declarando estado de sítio, etc. Bolsonaro nunca jogou limpo em sua vida e acreditar que agora ele vai governar pura e simplesmente tentando resolver os problemas do Brasil seria pura inocência. Ele vai colocar fogo no país e culpar a esquerda, podendo assim dar sustentação e credibilidade a suas atitudes. Não duvido nada de termos um atentado em sua posse, já iniciando sua trajetória de terror.

  3. Conexão
    As eleições no Brasil tem calendário que conecta o legislativo e o executivo. As câmaras estaduais e federais são renovadas junto com os governadores e a presidência. Se as esquerdas não reconhecem as eleições como legítimas, todos os eleitos de esquerda deveriam recusar tomar posse, o que é uma sandice. A esquerda no Brasil é democrática, e por isso valoriza a instituição do voto e o eleitor, mesmo que este tenha votado na direita.

  4. O ano de Marx

    O antimarxismo atual não conhece Marx, é pura ideologia, opera por sobre a espuma levantada pelas disputas em torno das ideias marxistas

     

    Não seria necessário que diversos integrantes do futuro governo Bolsonaro insistissem na ideia de “libertar o Estado brasileiro do marxismo cultural” para que se percebesse que um espectro voltou a circular no Brasil em 2018.

     

    https://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2018/12/o-ano-de-marx.html

     

     

       

  5. Uma das decisões mais

    Uma das decisões mais acertada do PSOL foi ter colocado na presidência do partido um jovem inteligente e antenado, assim como ter dado espaço a uma liderança promissora como Guiherme Boulos. Também o partido conseguiu um feito extraordinário, que foi ter elegido metade da sua bancada feminina. O pequeno partido de esquerda tem se apresentado como uma legenda bem diferente após o golpe do imepachment, bem menos sectária e disposta a dialogar com o próprio PT e a classe média.

    Por outro lado o PT ainda está muito preso a sua antiga estrutura burocrática e sindical. Está com dificuldade de se adaptar as novas tendências políticas. Com a mudança da relação de trabalho as antigas estruturas sindicais não assegurarão eleitores suficientes para eleger bancadas significativas. Por outro lado outras formas de organizações estão surgindo em torno de militância virtual que está sendo desprezada pelo partido.

    Os movimentos “ele Não” e “vira voto” que ocorreram nas últimas eleições mostraram que há muita disposição na sociedade brasileira em resistir à extrema direita e possibilidade de apoio aos partiddos de esquerda. O PT sai dessas eleições com um gigantesco ativo de 47 milhões de eleitores que estão abertos às propostas do partido, no entanto esses eleitores precisam ser conquistados.

    Outra falha do PT é seu péssimo trabalho nas redes sociais. O partido despreza a importância de influenciadores progressistas da internet. O que a direção do partido deveria fazer é convidar e dar espaço para simpatizantes do partido a integrar a estrutura do partido e estimulá-los a produzir conteúdos. Hoje o principal recurso de disputa ideológica são os influenciadores de redes sociais que estão produzindo conteúdo espontaneamente e são muito próximos do seus seguidores.

    Uma dica para o partido é estimular seus militantes a criar canais de youtube e começar a produzir conteúdo e a atrair seguidores, como a direita fez e foi muito bem sucedida. Deixar bem claro aos futuros candidatos do partido a necessidade de intereção com seus eleitores com canais diretos por meio de redes sociais. Essa é uma tendência que veio para ficar.

    Líderes políticos como Bernier Sanders nos EUA, Jeremy Corby na Inglaterra e Mélenchon na França têm explorado muito bem as redes socias. Eles produzem muito conteúdo e suas redes sociais são bastante movimentadas, além de estarem presentes e vários eventos dos seus respectivos partidos. Algo bem diferente do que tem feito o Haddad, que fica semanas sem postar nada nas redes sociais e aparece muito pouco em eventos do partido. O candidato petista precisa manter o diálogo com os mais de 47 milhões de eleitores que votaram nele no 2º turno, isso é um capital político que não pode ser desperdiçado.

    No Brasil há uma estrutura gigantesca de mídia alternativa capaz de fazer contraponto a mídia hegemônica, mas falta atrair pessoas que estejam fora da bolha da esquerda que consome esse conteúdo alternativo. Por isso a importância de ampliar o alcance dessa mídia alternativa com o estímulo de influenciadores jovens que possibilite atriar mais pessoas.

  6. O professor Fornazieri tem a

    O professor Fornazieri tem a tendência a ser “bonzinho” demais, um pouco naif. O que vai determinar como as oposições vão se comportar será como se comportará o governo, e não o contrário. A esquerda não será proativa, definindo sua tática de atuação, será reativa. Em bom português, se defender para não ser exterminada.

    Bozo não tem outra agenda senão “acabar com os vagabundos”, quais sejam, petralhada, comunistas, sindicalistas, sem terra, sem teto, viados, travecos, sapatonas, maconheiros e por aí vai. Estes não terão outra saída senão traçar uma estratégia de sobrevivência.

    Não tem como pensar em atuar como oposição institucional, sejam os partidos ou os movimentos sociais, num ambiente de estado democrático de direito, porque este já não existe mais. Veja bem, se Lula foi preso “apenas” para não ganhar a eleição, já teriam pensando em soltá-lo. Não soltam porque sabem que ele seria o líder da oposição, com grande poder de arrigementação popular.

    Não interresa ao novo governo se a oposição vai lhe conferir legitimidade ou não. Tão cagando e andando, eles é que vão decidir até que ponto, e que “oposição” eles vão legitimar. Creio que o Ciro e o pessoal do centro, tipo PSB, serão tolerados, o resto será considerado terrorista. Inclusive o professor 

  7. ESQUERDA? QUANDO TIVEMOS ISTO?! FASCISMO ESQUERDOPATA

    Projetado através de um Estado Ditatorial Absolutista fundado num Golpe Civil Miltar Caudilhista e mantido por todas Elites e Feudos de Capitanias Hereditarias num Parasitismo que perpetuaram a Indústria da Vitimização, do Coitadismo, do Fatalismo, da Pobreza, do Analfabetismo, do Atraso,… O desepero bate à porta de Fundamentalistas e Fanáticos. Obrigado por nada. Muito menos pela censura. Até nunca mais.   

  8. O inferno está cheio de boas intenções

    O fato é que as forças progressistas foram infantis em todo o processo de crise politica que se instalou no pais que, sejamos honestos, vem bem antes do impeachment. Mas essa não é a questão proposta pelo autor. Eu me atenho a um ponto apenas, para não ser cansativo. Será de fato ilegitimo não reconhecer o processo eleitoral mesmo se tendo participado dele? No meu entendimento dois erros não fazem um acerto. Os seguidores do lulismo que me perdoem, mas foi Lula que insistiu em ser candidato, baseado em pesquisas para lá de duvidosas que mediam sua intenção de voto mas não a sua rejeição. Se os demais partidos progressistas foram na onda lulista, lançando candidatos alternativos para se diferenciarem do discurso hegemônico petista, isso não faz do bolsonarismo legitimo nem redime o golpe. Para ficar num exemplo, juristas da Alemanha disseram que uma candidatura como a de Bolsonaro jamais seria autorizada em seu pais. Devemos julgar o momento politico por suas consequências, não pelas boas intenções, ou a falta delas, de seus protagonistas E uma questão de vaidade intelectual, não de realismo politico fazer-se de bom moco e pensar “no quer o povo ira dizer?”.  Porque quando ele teve a oportunidade sua maioria nada disse ou votara em Haddad.  O autor esquece que há em torno de 160 milhões de adultos com mais de 16 anos. Só 145 milhões se registram para votar, 103 milhões ou se ausentaram, ou votaram em branco e nulo, ou em Haddad. O que o autor não diz é que ele rubrica a “esperteza” do judiciário de distinguir os votos entre “validos” e não “validos”. Como cientista politico deveria saber que a eleição é um momento da política, não a sua única representação e, de longe, a sua mais essencial. Portanto, como momento ele foi superado por 2019 que se inicia, sob o sinonimo da governabilidade. Pode alguém que representa pouco mais de um terço dos adultos se sustentar no poder? E a questão de Maquiavel: conquistar e manter. É um novo momento, a politica é dinâmica, seu cenário muda e suas regras também com ele. Não há razão para se ater a ingênuos conceitos de bom mocismo. É a ética da responsabilidade que se imporá sobre a ética da convicção do autor.

  9. Professor da Escola de Sociologia e Política??? Será???

    No currículo resumido do professor Aldo Fornazieri aparece que o mesmo é professor de Sociologia e Política, pois começo a duvidar disto! Simplesmente parece que o mesmo não entende nada de política!

    Achar que um governo fascista ou protofascista (para não entrar em discussões estéreis do que é o governo Bolsonaro) deve-se esperar que ele entre na racionalidade para aí fazer uma oposição parlamentar e ordeira, é simplesmente desconhecer por completo a história da humanidade.

    Governo fascistas (ou protofascistas) sempre assumem o poder com minoria de votos da população em relação ao universo dos votantes, caso nazistas, fascistas italianos e mais alguns governos desta característica. Exatamente por não haver um fechamento de fileiras contra estes governos minoritários e por eles não resistirem a nenhuma outra eleição que siga a implementação do seu governo eles simplesmente eliminam a oposição (eliminação política, física e daí por diante), com a eliminação desta oposição parlamentar, jornalística, sindical e associativa, se instala o que se vem a chamar o governo integral (ou totalitário) que significa que tudo deve ser controlado pelo governo.

    O Professor (???) de Sociologia (???) e Política (????????????) simplesmente se faz de Poliana e espera que estes governos assumam posições democráticas permitindo que a oposição os retire do poder através das eleições, podem pegando um banquinho e sentem para esperar, pois a espera vai ser longa. Pois uma oposição aos governos fascistas assumindo o poder haveria uma série de cobranças dos malfeitos do passado que resultaria num verdadeiro inferno dos fascistas (ou protofascistas), pois em termos de malfeitos seria uma enxurrada de denúncias, vejam o porque da longa transição dos governos militares, foram simplesmente uma forma do passado ser encoberto por dezenas de negociações, eliminações de provas e de até uma auto anistia.

    Não sei não, será que ele é professor de política?

     

    • Interpretação

      É preciso saber interpretar textos. Em nenhum momento o professor afirma que esperta algo. Pelo contrário, incita os progressistas a não respeitarem quem não os respeita. Existem bons curso que ensinam interpretar textos.

  10. Bolsonaro e o papel das esquerdas

    Boa tarde

    A decisão de não comparecer à posse do esfaqueado foi acertada. E essa decisão não implica em negar que ele foi eleito de forma legítima, os métodos da campanha foram até ilegais, como o financiamento das mensagens das redes sociais, por exemplo, algo visto como natural pela chamada justiça eleitoral. O PT e o PC do B, que formavam a chapa inicial e depois com a adesão do PSOL, não contestaram o resutado. Não vamos falar das abjetas mentiras alardeadas durante a campanha: kit gay etc. O mais abominável foi a pregação do emprego da violência física contra os opositores de esquerda. Que não ficaram apenas nas palavras. Simpatizantes desse eleito mataram gente.

    Então, faz bem o PT em não comparecer à posse, até porque haveria uma feroz provocação, agressões etc., tal como ocorreu em São Paulo durante a diplomação dos eleitos.

    Lendo o Texto do Professor Aldo e dos comentaristas fica claro o diagnóstico dos erros das esquerdas e, também, os desafios que vem por aí. Gostaria de ressaltar a intervenção do Wilton. De fato, os partidos de esquerda precisam se “antenar” com os novos tempos. Fazer militância como eu fazia nos anos 1980 é algo que não cabe mais. E o PT, maior partido de esquerda, revela-se lento, parado … como bem chamou a atenção o Wilton e tantos outros nesse espaço, é urgente uma renovação no método de organização e de comunicação, principalmente com a juventude. 

    E que ninguém espere, do bloco de parlamentares que apoia o esfaqueado, nenhum tipo de cordialidade, respeito à Constituição e às “instituições” e  outras baboseiras. Ano que entra, haverá um verdadeiro rolo compressor nesse parlamento. Prevalecerá a força bruta. E se algo a ser votado não agradar à cúpula das Forças Armadas (que exercerá o governo de fato), basta apenas fazer ameaças via tuíter. Todas as propostas anti-povo serão aprovadas, sem piedade. 

    Uma boa passagem de ano a todos e todas e tudo de bom

  11. Errei, erramos

    “Se a resposta é a de que as eleições estavam irremediavelmente  comprometidas em sua legitimidade, a atitude mais coerente seria boicotá-las. 

    Segunda forma de ver a questão da legitimidade eleitoral: mesmo com o golpe e  com o impedimento ilegal de Lula, as eleições foram legítimas e as esquerdas participaram delas conferindo-lhes legitimidade. Aliás, durante a campanha eleitoral, as esquerdas e os analistas não questionaram a legitimidade das eleições. Se as eleições, mesmo com o golpe, mesmo com a interdição de Lula e mesmo com as fake news foram legítimas, não se pode agora questionar a sua legitimidade e a legitimidade do governo Bolsonaro. Não se pode adotar um golpismo de esquerda.”

    Um comentarista já cantou a pedra de que um erro não justifica o outro e assim tentarei evitar a redundância do debate.

    Para mim, de todos os assuntos, política é o mais complexo, difícil para iniciantes ingênuos e ignorantes como eu.

    Mesmo com tal ressalva e para colocar uma questão na esperânça de dialogar com os argumentos do Dr. Aldo Fornazieri, sem deixar de aludir à atual voga da propalada autocrítica pós-golpe, com toda sua carga polissêmica (em termos reducionistas: a oposição entre a  pregação reacionária da autocrítica “confessional”, para a assunção suicidária de crimes imputados pela “ética” burguesa golpista, em oposição à autocrítica progressista no sentido do aprimoramento de táticas e estratégicas para o exercício efetivo do poder), quanto dos erros das esquerdas, ou seja, quanto de seu afastamento dos anseios identitários das classes subalternas oprimidas, pode ser atribuído ao fato de que elas se curvaram, de maneira submissa, dócil e humilhante, aos valores burgueses, desde o debacle do império soviético em 1989?

    Interessante é que, com as denúncias de Kruschev contra os crimes do stalinismo, fenômeno semelhante ocorreu: Partidos comunistas se fragmentaram, etc., tudo redundando em algum tipo de capitulação aproximativa com a “economia dos mercados”.

    Contudo, nada disso acontece com os direitistas (liberais). Vide o atual governo do Bozo et caterva, a exemplo do que pode ser aferido, a olhos istos, em posicionamentos complacentes de inúmeros comissários do mercado atuantes em nossos oligopólios midiáticos.

    O nazifascismo foi mais do que execarado pela história, mas os liberais “democratas”, os sectários da “economia de mercado”, jamais se vexaram de recorrer aos métodos canônicos de tais regimes execráveis de antanho, sempre que julgaram necessário.  

      

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