Independência do Banco Central, a loucura final, por Andre Motta Araujo

Política monetária é instrumento de Estado, tal como entendem os grandes emergentes como Rússia, Índia e China, em nenhum deles existe a independência do Banco Central no sentido neoliberal.

René Magritte - modificado

Independência do Banco Central, a loucura final

por Andre Motta Araujo

A quem interessa a independência do Banco Central? Ao País é que não é. A POLÍTICA MONETÁRIA é uma arma fundamental para um PAÍS EMERGENTE subir de patamar, o Brasil não é uma economia rica, madura, onde só é preciso manter a estabilidade monetária para a prosperidade continuar.

Países emergentes precisam de instrumentos de política econômica para sair do pântano de miséria e desequilíbrio social. Política monetária não pode ser neutra para manter a tranquilidade dos rentistas, ela deve servir de instrumento do crescimento, como faz a China e como fez o Brasil quando cresce a 11,3% em um ano e quando teve o maior crescimento do planeta entre 1950 e 1980, os anos de ouro de um Brasil que crescia também socialmente.

Política monetária é instrumento de Estado, tal como entendem os grandes emergentes como Rússia, Índia e China, em nenhum deles existe a independência do Banco Central no sentido neoliberal. Mesmo nos EUA a independência é relativa. Já relatei aqui N vezes e com muito maiores detalhes em meu livro MOEDA E PROSPERIDADE a demissão de dois Chairmen do Federal Reserve System americano, Eugene Mayer e Thomas Mc Cabbe, pelos Presidentes Roosevelt e Truman, sem cerimônia, pedindo o cargo por divergências políticas pelo simples razão que o Banco Central não pode bater de frente com o Chefe de Estado eleito, ou sai um  ou sai outro, o eleito é que não vai sair, então o Presidente do banco sai pela porta dos fundos, a pedido.

O mais absurdo agora no Brasil é o “timing”. Dar independência ao BC quando os bancos tiveram um lucro extraordinário, de R$87 bilhões, em 2019, em meio a uma recessão que já dura seis anos. Os bancos já controlam na prática o Banco Central, indicando todos seus presidentes desde o Plano Real, todos ligados ao sistema financeiro assim como a maioria dos diretores membros do COPOM. Os bancos já controlam o BC, mas querem de papel passado.

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O projeto de lei que precisa passar é outro, é a AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS BANCÁRIOS, como tem nos EUA. A Consumers Financial Protection Bureau, criada em 2011 por lei federal, é uma agência do Governo dos EUA para proteger os clientes dos bancos, tem um orçamento de US$553 milhões e escritórios em todos os Estados. POR QUE NÃO COPIAM AQUILO QUE PROTEGE OS CLIENTES DOS BANCOS? Abaixo artigo meu sobre o tema [aqui].

A QUESTÃO DAS ‘GARANTIAS QUE BAIXAM OS JUROS’

O BC vem fazendo uma campanha com aparência de racional pela qual “se os bancos tiverem melhores garantias, os juros baixarão”, com isso propõe o uso das RESIDÊNCIAS para garantir os bancos. A campanha melhorou a garantia dos bancos, agora com imóveis, MAS OS JUROS NÃO BAIXARAM.

Hoje, os bancos, no primeiro atraso TOMAM AS RESIDÊNCIAS E LEILOAM MUITO RÁPIDO. Conheci um caso dramático, porque hoje, pelo novo Código de Processo Civil (Relator Luis Fux) os devedores perderam sua proteção legal, não tem mais Embargos à Arrematação, a retomada de garantia imobiliária é a jato, o leilão também e acabou. Todas as iniciativas do BC para melhorar o ambiente de crédito bancário, como o Cadastro Positivo e garantias reais para o credor, BENEFICIARAM OS BANCOS, e não melhoram para os clientes as condições de crédito. Hoje o Brasil continua tendo o spread bancário MAIS ALTO DO MUNDO, captam a 4,5% e reemprestam a 300%. O que o BC tem a dizer e a fazer sobre isso?

Sempre houve no mundo lei de usura, desde o Império Romano, por que não limitar o spread? O abuso do spread está evidenciado no lucro estratosférico dos  bancos brasileiros, não há paralelo no mundo em percentagem sobre a carteira de crédito, sobre os ativos totais e sobre o patrimônio líquido, a ponto de um banco global, como o Santander, o 2º maior da Europa, ter no Brasil um terço de seu lucro mundial. O BC se finge de cego e quer ser independente de quem?

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Obviamente é independente do povo brasileiro, que criou e capitalizou o Banco para servir ao País e não servir aos banqueiros e a Wall Street.

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6 comentários

  1. Leia-se CONTROLE TOTAL DA FAMÍLIA ROTSCHILD.
    Que é tudo o que está por trás de tudo. O resto são detalhes. Governar de fato sem responsabilidade; só os lucros.
    Como há duzentos anos (falta só dois para a isso chegar).

  2. A maior patranha da República, indivíduos que ninguém conhece ou votou com uma canetada tem o.poder de transferir centenas de bilhões para os abutres do rentismo sem serem questionados…….e pior, TODOS aceitam essa esbórnia como normal…..

  3. “Obviamente é independente do povo brasileiro, que criou e capitalizou o Banco para servir ao País e não servir aos banqueiros e a Wall Street.”
    Acontece que a maioria, inclusive muitos instruídos, com curso superior e mestrados + doutorados não se dá conta disso, e muitos até não tem capacidade para entender.
    Esse passo final da elite financeira é que vai colocar um imenso parafuso no caixão do capitalismo em nosso país. Mas, sem essa tragédia, através dos seus efeitos que virão, a maioria continuará cega e surda para o que está acontecendo.
    Só mesmo passando fome para acordar.

  4. rapaz ..que desanimo ..e quem tá lá nem ta preocupado com isso, no país do “foda-se” e da “banana”
    lamentável ..esta sim será a PIOR das medidas tomadas até aqui, pior até mesmo que o desmonte ou esvaziamento do BNDES, Petrobrás, PIS e FGTS juntos ..como com um disparo de flecha, já já Ines terá sido irremediavelmente morta.

  5. Desculpa, Sr. André, pois eu vou falar da independência do Juiz Federal Marcelo Bretas, o qual declarou que não abofela os recursos públicos sorrateiramente ou à força não por questão de foro íntimo, mas por medo de ser castigado.

    Pois bem. O juiz Marcelo Bretas não vê problemas em estar na companhia do misógino Bolsonaro pois ‘a participação de autoridades do Poder Judiciário em eventos de igual natureza dos demais Poderes da República é muito comum, e expressa a harmonia entre esses Poderes de Estado, sem prejuízo da independência recíproca’.

    É profunda a harmonia entre o Juiz Marcelo Bretas e o Presidente Bostonaro. A independência do juiz em relação ao Bostonaro é tão profunda quanto a harmonia entre eles, desde que, na eventualidade de ser distribuída alguma ação judicial envolvendo a Familicia de merda ao Juiz Marcelo Bretas, este se declare suspeito por ser amigo íntimo do Bolsonaro ou porque tenha interesse no julgamento do processo em favor do Bolsonaro. De outra forma, não haverá independência.

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