Ironias de um mundo enlouquecido, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Se aproximando demais dos EUA o Brasil está ficando cada vez menos próximo de si mesmo.

Ironias de um mundo enlouquecido

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A Rede Globo ajudou a derrubar Dilma Rousseff e a eleger Jair Bolsonaro. Mas quem contabiliza os lucros dos erros cometidos pelo clã Marinho é a Rede Record.

Maior aliado dos EUA no Oriente Médio, Israel costumava ser atacado por homens-bombas palestinos. O homem bomba que facilitou os mega-incêndios florestais nos EUA foi um norte-americano apoiado pelo governo israelense: Donald Trump.

O Apartheid imposto aos palestinos por Israel é considerado legal nos EUA. E até os norte-americanos negros conservadores que admiram Nelson Mandela se recusam a combatê-lo.

Nero martirizou cristãos após culpá-los pelo grande incêndio de Roma. Os cristãos norte-americanos e brasileiros apoiam os incendiários Donald Trump e Jair Bolsonaro, mas odeiam Nero.

O Vietnã derrotou os EUA na década de 1960. Em 2020 aquele pequeno país está vencendo a pandemia que derrota norte-americanos, europeus e brasileiros.

Devastada pelas bombas “made in USA”, a Alemanha Ocidental se tornou o maior parceiro comercial dos EUA na Europa em razão do Plano Marshall. O plano de Putin é simples: separar dois ex-inimigos vendendo aos alemães o combustível que eles não conseguiram conquistar ao invadir a Rússia na II Guerra Mundial.

A Inglaterra colonizou a América do Norte. Boris Johnson tem feito tudo o que pode para consolidar a colonização dos ingleses pelos EUA.

Vizinho da China, o Japão está mais próximo dos EUA.

Se aproximando demais dos EUA o Brasil está ficando cada vez menos próximo de si mesmo.

Leis norte-americanas foram utilizadas para punir supostos desvios cometidos pela Petrobras no Brasil e pela Siemens na Alemanha sem o conhecimento das autoridades destes dois países. Mas as Leis brasileiras e alemãs não serão usadas para reprimir os crimes financeiros cometidos pelos banqueiros nos EUA com o conhecimento da autoridades norte-americanas.

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Paulo Guedes está destruindo a economia brasileira e usando o Brasil para garantir o aumento dos lucros do banco dele.

Apesar de proibida pela Constituição, a censura voltou a ser considerada legal por alguns jornalistas brasileiros.

Luiz Fux foi enfiado no STF pelo PT, mas faz questão de demonstrar ódio por Lula e vassalagem a Bolsonaro.

O Exército ficou profundamente irritado quando os norte-americanos conseguiram destruir a Engesa abortando a produção do tanque EE-T1 Osório (concorrente brasileiro do M1 Abrams). Consolidado o golpe de 2016, os generais não fazem questão nenhuma de produzir armamentos sofisticados “made in Brasil”. Eles preferem comprar tanques M1 Abrams “made in USA”.

Nossas cores eram verde e o amarelo quando Manuel Bandeira publicou esse poema:

“Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

– Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.”

Bolsonaro bate continência para a bandeira azul e vermelha de listras e estrelas. Mas não convém muito divulgar uma versão atualizada do poema de Manual Bandeira. Ele pode acabar sendo censurado.

“Mike Pompeu branco

Mike Pompeu malvado

Mike Pompeu sempre de mau humor

Imagino Mike Pompeu entrando num Brasil infernal

-Licença, meu Itamaraty!

E Ernesto Araújo bonachão:

-Entra, Mike Pompeu. Você não precisa pedir licença.”

O bom comerciante nunca humilha e ofende seus fregueses. Todavia, o Brasil bolsonariano é tão esquisito que, apesar de militares traficarem drogas ilegais até no avião presidencial, um general xingou os professores de maconheiros.

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3 comentários

  1. DEFENDENDO FÁBIO (sem que ele pedisse): Não ficou sozinho não…pois há muita gente, daquelas gentes que não têm apenas cérebro do tamanho de uma moeda, gentes estas que abominam o país hipocritamente democratico. Afinal, só idiotas se rebaixam (como faz o Boçalnaro), ante o imperialismo assassino dos EUA. Mas essa raça maldita ainda há de ser consumida pelo fogo-nuclear…e quem sabe lá brotem sementes de um novo povo que não mereça tão triste fim.

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