Jair Frias, o publisher do ódio e da miséria, por Gustavo Conde

Infelizmente, é fantasia um jornal que possa se auto financiar sem mentir e servir ao mercado financeiro de maneira permanente e crescente.

Jair Frias, o publisher do ódio e da miséria

por Gustavo Conde

Advertência: este texto é uma paródia do editorial “Jair Rousseff” do jornal Folha de S. Paulo

Jair Bolsonaro decerto não é o primeiro presidente a flertar com a elevação sem limites da produção industrial de fake news por acreditar que, mais adiante, a sucessão de mentiras se transforme em verdade.

Essa, de fato, tem sido a praxe nacional desde o restabelecimento da democracia, estimulada pelas práticas empresariais que fixam padrões jornalísticos obrigatórios desde que a Lava Jato cooptou toda a imprensa corporativa brasileira.

Bolsonaro, no entanto, tem o azar e a sorte de suceder – na prática de mentir diariamente – o jornal Folha de S. Paulo, que levou a fórmula da ‘mentira repetida mil vezes que se torna verdade’ aos limites da capacidade do leitor e da lei – o que resultou na maior crise de confiança no jornalismo da história e custou a credibilidade do próprio debate público.

Azar por ter herdado um jornalismo desacreditado e excessivamente fantasioso, com poucas opções de argumentações técnicas à disposição; sorte por contar com um clima de desova de fake news já pronto e estabilizado com cifras de escárnio e requintes de falta de caráter – o jornalismo praticado pelo jornal Folha de S. Paulo – já em vigor.

O fracasso da última geração de editorialistas da Folha de S. Paulo deveria bastar para que ensaios de desova de fake news vinda diretamente de um governo central, sempre frequentes no modus operandi dos grandes jornais brasileiros, fossem deixados de lado.

Infelizmente, é fantasia um jornal que possa se auto financiar sem mentir e servir ao mercado financeiro de maneira permanente e crescente.

Na ilusão de que estimularia as vendas, o jornal Folha de S. Paulo elevou sua capacidade de mentir e distorcer a notícia a níveis jamais imaginados. Gerou insegurança, perda recorde de assinaturas, ódio à política, uma profunda crise de confiança e uma fuga recorde de leitores.

Bolsonaro, tudo indica, sonha com o propósito de driblar mais uma vez a necessidade de falar a verdade – que desde 2016, é mantida nos níveis mais baixos da comunicação de um governo, num ajuste relativamente cínico.

Abriria caminho, assim, para uma ampliação das distorções e das mentiras para agradar o eleitorado estúpido e semiletrado da classe média paulista e de outras regiões, além dos novos aliados do jornalismo corporativo e da ala militar – decrépita – do governo.

Não se discute a importância de reforçar o cinturão de mentiras oficiais, ainda mais depois do impacto devastador da pandemia. Mas derrubar o teto da barbárie assentida, por motivo supostamente social ou estratégico, será manobra insensata mesmo sob a lógica eleitoral mais desavergonhada, tão cara aos partidos políticos fantasiados de jornal, como o caso do jornal Folha de S. Paulo.

A mais de dois anos da disputa presidencial, o presidente estaria contratando uma crise futura e colocando em risco até mesmo a capacidade de mentir dos grandes jornais brasileiros, duramente conquistada por nossas elites nas últimas décadas.

Fantasiar mais, a esta altura, significa elevar a ‘overdose’ de ‘mentiras públicas’ – que ruma a mais de 90% da capacidade do PMIB (Produção de Mentira Interna Bruta) do jornalismo brasileiro -, criar desconfiança no mercado de favores que equilibram a solvência factual, pressionar o deboche e a impostura dos editorialistas de plantão e solapar o tão almejado discurso monofásico da imprensa, única forma efetiva de atenuar as históricas tentativas de o povo soberano tomar as rédeas do país.

Ao final, os mais prejudicados serão, como de hábito, os ricos e milionários, que por inconveniência política constituem também a menor parcela do eleitorado.

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