Joaquim Barbosa, a panela de pipoca e a união das esquerdas, por Felipe Pena

 
Joaquim Barbosa, a panela de pipoca e a união das esquerdas
 
por Felipe Pena
 
O velho clichê de que a esquerda só se une na prisão parece se confirmar novamente. Juristas de várias partes do mundo, capitaneados por John Camaroff, professor da Universidade de Harvard, afirmam que Lula é um preso político. E essa conclusão parte de uma análise estritamente técnica, com base na sentença do juiz Sérgio Moro, que, para estes juristas, se mostra inconsistente por não corresponder à denúncia, não apresentar provas e aplicar o chamado lawfare, método pelo qual o raciocínio jurídico é usado de forma fraudulenta para fins determinados a priori.
 
No caso de Lula, o fim determinado da prisão seria impedir sua candidatura à presidência, já que ele é líder em todas as pesquisas de opinião. Foi diante dessa realidade que dois outros candidatos da esquerda partiram em solidariedade ao líder petista: Manuela D’Ávila, do PC do B, e Guilherme Boulos, do PSOL. E reparem no uso da palavra solidariedade. Nenhum dos dois abriu mão da própria candidatura. Eles apenas se uniram ao ex-presidente diante do que consideraram ser uma grande injustiça. Portanto, estavam solidários, não submissos. E este é o conceito determinante da união.

 
No dia da prisão de Lula, o ato em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo também contou com representantes de outras legendas de esquerda, como PSTU, PCO e PCB. Só faltaram o PDT e o PSB para completar a união. Não faltam mais. Ou, pelo menos, parece que não.
 
No PDT, o candidato Ciro Gomes já iniciou uma aproximação com o PT através de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e coordenador do programa do partido. No PSB, a desistência de Joaquim Barbosa só deixa um caminho para os militantes: alianças à esquerda. E isso foi definido na convenção nacional do partido, não é uma simples conjectura, apesar da federação de interesses abrigados na sigla.
 
Ainda não é possível afirmar que essas legendas conseguirão manter o barco unido. Provavelmente, haverá três ou quatro candidatos fortes no primeiro turno. Mas, se forem capazes de segurar o leme, terão capacidade para colocar um deles na disputa final. Portanto, vale relembrar os quatro princípios básicos da união, outro clichê muito útil nos dias atuais.
 
Primeiramente, união quer dizer assumir riscos. União é fazer pipoca usando uma panela sem tampa e não deixar que nenhuma delas caia no chão.
 
Segundo, são esses riscos que fortalecem a união. Quanto maior o desafio, maior a grandeza da união. O desafio da esquerda é manter a panela cheia.
 
Terceiro, é verdade que a união faz a força, mas é ainda mais verdade que a humildade faz a união. Não é preciso ter uma panela de prata. Basta o bom e velho teflon para se manter unido.
 
E, por último, é preciso ter paciência.
 
Se você quer ir rápido, vá sozinho.
 
Se você quer ir longe, vá em grupo.
 
A união das esquerdas é um filme que está apenas começando. A pipoca na entrada do cinema tem várias marcas, mas existe uma que representa a todos: a solidariedade.
 
A campanha #LulaLivre é um símbolo forte dessa solidariedade.
 
Felipe Pena é jornalista, escritor e professor da UFF. Autor de 16 livros, entre eles “Crônicas do Golpe”, foi comentarista do Estúdio I, na Globonews, e diretor do documentário “Se essa vila não fosse minha.”

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8 comentários

  1. Foi diante dessa realidade

    Foi diante dessa realidade que dois outros candidatos da esquerda partiram em solidariedade ao líder petista: Manuela D’Ávila, do PC do B, e Guilherme Boulos, do PSOL. E reparem no uso da palavra solidariedade. Nenhum dos dois abriu mão da própria candidatura. Eles apenas se uniram ao ex-presidente diante do que consideraram ser uma grande injustiça. Portanto, estavam solidários, não submissos. E este é o conceito determinante da união.

    Solidariedade que Ciro NÃO teve. Até porque ele “não segue a agenda petista” — Tentativa de “ficar bem” com o PIG e os coxinhas.

    No PDT, o candidato Ciro Gomes já iniciou uma aproximação com o PT através de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e coordenador do programa do partido

    Ciro quer os votos de Lula, mas não quer se comprometer com nada. Ou seja, só quer ganhar, e somente ele, porque ele faz política olhando para o próprio umbigo.

    Ele quer a união das esquerdas? Ele topa se vice do Haddad, por exemplo? DU-VI-DE-Ó-DÓ!!!

    Um “esquerdista” que não é atacado pelo PIG…. estranho, não?

    Haddad, Boulos, Manuela…  Esses são de esquerda. Vamos com eles.

     

  2. Juridicamente irrelevante no

    Juridicamente irrelevante no STF, exceto para a Rede Globo (de quem se tornou ator coadjuvante na novela Mensalão), JB saiu da ficção histórica direto para o esgoto. Nem o clã Marinho aposta as fichas nele. O negão pensou que era bamba e no fim ficou de tanga.

  3. A pipoca na entrada do cinema tem várias marcas

    A pipoca no cinema é uma só cara e da rede de cinema …

    Foi-se o tempo …

  4. A esquerda light quer a união
    A esquerda light quer a união em torno do Ciro. Só que Ciro não é esquerda, muito menos light. Ciro odeia o PT. Na eventualidade de tudo dar certo para a esquerda light e Ciro ser eleito, Ciro vai dar um pé na bunda do PT no dia 2 de janeiro de 2019. Aí o PT vai reclamar de golpe. A história vai se repetir como uma farsa.

  5. o ninho de tucano  não saiu

    o ninho de tucano  não saiu do ciro… esse  ainda vai fazer aliança safada e como está no comentario acima: “esquerdista” que não é atacado pelo PIG!  aí tem coisa e da mais feia de ler, ver e SOBREviver, se der…

  6. Estava torcendo pra ver

    Estava torcendo pra ver Joaquim Barbosa na disputa eleitoral. Meu sonho. Todos veriam, in loco, como esse cara não tem conhecimento político suficiente pra ser vereador. Uma coisa é sentar-se numa cadeira do STF e fazer politicagem e teatro para sair de braços dados com Ruck e Angélica ou Neymar, se achando o rei da cocada preta, não por ser preto, mas por vaidade em excesso, a outra, é peitar candidatos conhecedores dos problemas brasileiros, coisa que ele mal conhece, porque tem complexo de vira-lata, e se pensa um alemão.

    A propósito, quem indicou esse malandro para juiz da Suprema Corte foi Lula. E sobre Lula, nem mesmo durante aquele mensalão o vimos citar o nome do seu padrinho, tão pouco desde o impeachment. Lula tem sido alvo de comentário em toda a imprensa, em toda a blgofera, porém J.B. não emite um piu sobre ele. Será por quê?

    Mas muitos dos brasileiros estão a dizer que com a desistência de J.B. votarão em branco, ou anularão seus votos. Ele estava, talvez, querendo saber como iria nas pesquisas, e somente isso. É muito preguiçoso pra enfrentar a labuta de um presidente.

     

     

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