Leilão de saneamento em Alagoas: ricos não precisam mais pagar a água dos pobres, por Paulo Gala

Esses municípios apresentam condições médias de atendimento bem inferiores àqueles que terão sua concessão transferida por meio da licitação

Por Paulo Gala

Atualmente, a empresa estatal Casal opera em 76 municípios do estado de Alagoas com uma população total de 2,633 milhões habitantes. a Casal obteve em 2018 uma receita total de R$ 527,04 milhões e uma despesa total com os serviços de R$ 412,4 milhões; um resultado operacional de R$ 114,6 milhões. Houve recentemente leilão de concessão em que dez municípios ricos foram concedidos em bloco à BRK Ambiental. Somam uma população de 1,216 milhões de habitantes (46,2% do total da antiga companhia); uma receita total de R$ 324,6 milhões (61,6% do total); uma despesa total com os serviços de R$2 15,3 milhões (52,2% do total); e um resultado operacional de R$ 109,3 milhões (95,3% do total).

Assim, os 66 municípios que permanecem operados pela Casal abrangem 53,8% da população atualmente atendida pela empresa; 38,4% da receita atual da Companhia; 47,8% da sua despesa total com serviços; e apenas 4,7% do resultado operacional da Casal. o conjunto remanescente de 66 municípios da Casal, embora some 87% do total atendido pela companhia até esta licitação, tem pouquíssima participação em seu resultado operacional. esses municípios remanescentes têm muito menor atratividade que aqueles já licitados na região metropolitana. Além disso, até que sejam realizadas as licitações, continuarão sendo operados por uma Casal destituída de mais de 95% do seu resultado operacional, sem condições de realizar investimentos em seus sistemas.

Esses municípios apresentam condições médias de atendimento bem inferiores àqueles que terão sua concessão transferida por meio da licitação. O índice de atendimento com água é inferior a 75% da população em quase 90% destes municípios, apenas nove têm sistema de esgotos operado pela CASAL, com índice de atendimento inferiores a 35% da população. 47% deles têm população inferior a 15.000 habitantes, e apenas 4 municípios têm população superior a 50.000 habitantes. A culpa de tudo isso? A Casal empresa estatal da água ineficiente que até hoje não resolveu o problema do saneamento ou a pobreza dos municípios que não gera recursos para as obras? A solução privada irá resolver? As condições de saneamento dos municípios pobres de Alagoas serão ainda mais precarizadas; agora uma estatal depletada de sua joia fará o que? Os dois bilhões da outorga vão para pagar dívida. As pessoas mais carentes continuarão sem água e esgoto e a estatal será ainda mais criticada. O subsídio cruzado acabou, os ricos não precisam mais pagar a água dos pobres! Nos municípios ricos onde há riqueza o saneamento ficará um brinco! A empresa concessionária terá altos lucros e o sistema de mercado fará o que melhor sabe fazer: concentrar renda e riqueza!

Referências

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_Saneamento_de_Alagoas

https://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/al/alagoas/noticia/2020/09/30/empresa-vence-leilao-da-casal-com-lance-de-r-2-bilhoes.ghtml

https://economia.uol.com.br/colunas/2020/10/09/no-leilao-do-saneamento-de-maceio-os-pobres-de-alagoas-pagam-o-pato.amp.htm?__twitter_impression=true

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3 Comentários

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Barreto

- 2020-10-11 12:00:26

O famoso capitalismo Caracu, o Privado entra com a cara, o Estado...

Rodolfo Matos

- 2020-10-10 17:29:00

Um dos objetivos da privatização do saneamento é controlar as populações rurais através da água restabelecendo o coronelismo que fora desarticulado durante os governos de Lula e Dilma. Os políticos locais podem agora prometer obras cosméticas de saneamento básico ou construção de açudes em terrenos particulares controlados por esses mesmos políticos pra fidelizar a população rural.

alfredo machado

- 2020-10-10 16:09:44

Isto não é e nem pode ser chamada de privatização, quem sabe "assalto à mão armada". Dos 76 municípios atendidos, 2,1 milhões de pessoas, 10 deles são cedidos a uma concessionária, bloco este que fica, de acordo com último resultado, com o equivalente a 95% do lucro obtido pela empresa estadual com o serviço prestado a 76 municípios, como é fácil perceber, tudo isto é muito impressionante. E assim, logo adiante a estatal inevitavelmente se arrebentará, uma vez que lhe sobrará míseros 5% do seu resultado operacional, e as 1,2 milhões ou mais passarão a ter serviço precário de água e esgoto, este é o modelo de privatização que será aplicado para este e outros setores, uma verdadeira festa do arromba. Seria interessante que aquele governo soubesse quantos dos 2,6 milhões de alagoanos têm dificuldade com o serviço de esgotamento sanitário e fornecimento de água potável neste momento, para comparar com a situação daqui a 3 anos.

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