Mangabeira Unger e os caminhos para a política brasileira, por Luis Nassif

Ele propõe, em síntese, a superação do primitivismo nos campos econômico, educacional e político, com a implementação de inovações institucionais para criar “uma democracia de alta energia”.

Folhapress - Zanone Fraissat

Polêmico, o filósofo Mangabeira Unger continua sendo dos pensadores mais instigantes da atualidade.

Sua entrevista, na Folha de ontem, é um belo roteiro para um projeto de país, rompendo com os paradigmas existentes e que, não enfrentados, acabaram jogando o país nas mãos de Bolsonaro.

No governo Lula, ele desempenhava um papel interessante. Não tinha nenhuma função operativa. O que fazia era avaliar as diversas políticas públicas e compor com políticas escolhidas um projeto de país. Desenhando o todo, e um todo bastante original e em conformidade com as características culturais do país, cada ator político, cada gestor público passava a ter ideia do seu papel no desenho final.

Foi assim que ajudou a catapultar as ideias do Plano Nacional de Defesa, o conceito da Amazônia Azul, captou bem os mecanismos de disseminação do conhecimento por pequenas e micro empresas.

Não diria que seu trabalho foi em vão, mas o conceito de Nação nunca penetrou nos governos brasileiros pós-redemocratização. Em Fernando Henrique Cardoso, por não se interessar por projetos de Nação. FHC sempre foi um político superficial, encantado com as lantejoulas do poder, mas sem nenhuma ambição de transformar o país. O que apreciava era as disputas políticas do seu Palácio de Versalhes, que ele já praticara no ambiente egotrip dos salões.

Lula levantou a bandeira da redução da miséria, em um trabalho reconhecido mundialmente. Mas a luta incessante pela governabilidade o afastou da ideia de projeto nacional e de redesenho institucional do país. Tentou remendar séculos de desigualdades com as ferramentas tradicionais. O modelo não resistiu ao fim do ciclo dos commodities.

No PT, a única liderança com projeto de país era José Dirceu, mas com a megalomania corrosiva que persegue todos os recém chegados ao baile principal.

Em alguns parcos momentos de tranquilidade, um ou outro dirigente ousava a bandeira do catching up – isto é, de políticas públicas capazes de cortar caminho em relação ao que foi percorrido por países desenvolvidos. Mas o imediatismo, a luta política diuturna, impedia qualquer ação mais continuada.

Não faltaram belíssimas tentativas de integração. Como as políticas em parceria coma ABIC (Associação Brasileira da Indústria da Construção), juntando bancos de dados da Bolsa Família com o Pronatec e, depois, tentando amarrar a nova mão de obra em grandes projetos do PAC.

Houve também tentativas virtuosas de parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria) em projetos de tecnologia, casando problemas imediatos da indústria com pesquisas acadêmicas em rede. Assim como o Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP), a mais bem concebida política industrial do país pós-redemocratização.

Mas, ainda assim, eram iniciativas isoladas, que não estavam na alma do governo.

Em sua entrevista, Mangabeira faz a crítica correta ao modelo lulista, reconhecendo seus méritos e suas fragilidades, e ao desmonte pós-impeachment, com o liberalismo selvagem de Paulo Guedes.

Sobre Lula

“Não se conduzir de forma a sugerir que ele prefere perder o poder para a direita a perder a hegemonia na esquerda”. Acertou na mosca. Este é o grande dilema político de Lula e do PT.

Sobre o modelo de centro-direta

Propõe que o investimento estrangeiro seja canalizado para a infraestrutura. E quer aumentar pouco a pouco a qualidade do ensino no sentido mais convencional, que é a aplicação de um paradigma empresarial à gestão das escolas, com meritocracia e padrões de desempenho.

Sobre risco Bolsonaro à democracia

“Aí eu vou fazer Justiça a ele: ele não é o único. Temos o Judiciário avançando sobre prerrogativas legislativas, cada Poder querendo ser o outro Poder. Como o Brasil perdeu o caminho e a frustração se generaliza no país, começam a buscar essas soluções de araque, e cada um fingir que é o outro”.

Sobre o laranja Bolsonaro

Em geral, como a elite brasileira não consegue fazer com que o povo eleja um presidente que organicamente encarne esse ideário, seus membros buscam um laranja para representá-los. Um banqueiro com doutorado em economia não vai se eleger presidente da República. A elite não consegue que a maioria das pessoas vote nele, então tem que arranjar um laranja. Para que o laranja seja eleito e entregue o poder de fato ao banqueiro e ao tecnocrata.

Sobre o projeto autoritário da direita

Por trás desse sonho da elite há uma manipulação autoritária que desrespeita o nosso povo. E existe um conteúdo totalmente errado, que não nos tirará da estagnação. Estamos de joelhos, estamos afundando. O risco não é o fascismo, o autoritarismo; o risco é a perpetuação da mediocridade.

As propostas

Ele propõe, em síntese, a superação do primitivismo nos campos econômico, educacional e político, com a implementação de inovações institucionais para criar “uma democracia de alta energia”.

Seu diagnóstico sobre cada ponto é certeiro.

Sobre o primitivismo econômico

O primitivismo econômico é a baixíssima produtividade do trabalho. O mundo dos emergentes, com as pequenas e médias empresas, vive numa retaguarda tecnológica, sem os instrumentos de crédito e, sobretudo, de conhecimentos avançados, que traduzam esse dinamismo empreendedor em produtividade, em vanguardismo.

Sobre o primitivismo educacional

O primitivismo educacional aparece quando vemos que a nossa educação continua historicamente vidrada em um dogmatismo doutrinário e em um enciclopedismo raso. É um modelo que briga com os pendores do brasileiro. O Brasil é uma grande anarquia criadora. Mas, em vez de burilarmos essa anarquia, tentamos suprimi-la, colocando-a dentro da camisa de força desse ensino retrógrado.

O Brasil, com sua grande anarquia criadora, oferece a matéria-prima humana para construir uma economia do conhecimento aprofundada e inclusiva. É possível usar instrumentos que o Estado brasileiro já tem, como Sebrae, Senai, bancos públicos, Embrapa.

Sobre o primitivismo político

E o primitivismo político é reflexo do fato de que não construímos as instituições de uma democracia de alta energia, que eleve o grau de participação popular organizada, supere rapidamente os impasses entre os Poderes por mecanismos institucionais próprios e aproveite o potencial experimentalista do regime federativo, para permitir a partes do país construir outros modelos.

 

22 comentários

  1. Como sempre, na primeira vez que você lê as análises do Unger parecem idéias profundas e certeiras, como seus admiradores como o Nassif acham. No entanto, se parar para raciocinar alguns minutos sobre o que ele está dizendo, não passam de um amontoado de clichês com palavras difíceis para ludibriar o receptor. Todos os seus argumentos não passam de conceitos abstratos e tão amplos que podem englobar qualquer coisa. Por fim, ele representa muito bem o grupo dos nossos ditos intelectuais, que têm críticas para tudo e todos mas nenhuma solução prática e aplicável para resolver qualquer problema, até porque se envolver na solução é muito mais difícil e pode não dar certo, e como é que vai posar de intelectual se no final deu tudo errado não é mesmo?

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    • Concordo totalmente. Quando ele é chamado para apresentar alguma proposta concreta, não consegue ir além do primitivismo dos intelectuais que acreditam que tudo se resolve no plano das idéias, como se a vida real fosse apenas um detalhe incômodo. Vejam, por exemplo, o seu ridículo Projeto para a Amazônia.

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    • Seu duro comentário obriga a admitir certas verdades. É fato que entre uma ideia vaga e uma linha de ação, há distâncias enormes. Sempre penso isto quando falam de direita e esquerda: teoricamente, ambas querem o benefício do homem, ainda que por caminhos e resultados distintos. Mangabeira Unger está em seu papel como gerador de ideias, se admitirem a mesma crítica se fez a Marx e a Smith. O que nos falta é o homem público que as dê forma e implemente as ideias como um sistema e não de modo aleatório. O vício não está no primeiro sujeito, mas no segundo. O que vocês demonstram é o espírito que escarnece da ciência e do conhecimento, deveriam ser mais modestos.

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    • Só neste Brasil atual uma figura prolixa e bizarra como esta consegue espaço para suas análises surrealistas. E quando é que este sujeito vai perder este sotaque caricato?
      Outra bola fora do GGN…

  2. A crítica sobre o PT preferir perder o poder para a direita ao protagonismo na esquerda é risível.
    O PT, como o maior Partido progressista no Brasil iria se dissolver por conta da classe média raivosa ou da Rede Globo?
    Não li a matéria original, mas o resumo reproduz a cantilena de que o PT foi o responsável pela vitória de Bozo, colocando a culpa na vítima de forma semelhante aos casos de estupro.
    Quanto às críticas de condução da política econômica , concordo em parte, pois é fácil falar de fora.
    O que não foi dito foi quanto a inexistência do enfrentamento ideológico e ao falso republicanismo do PT, que deixou prosperar sem resistência o Golpe da direita.

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    • A estratégia eleitoral do PT produziu os seguintes resultados: (1) vitória de Bolsonaro; (2) redução na quantidade de deputados (diminuiu de 69 para 56; já foi 88 em 2010); (3) rupturas em alianças históricas com partidos de centro-esquerda, após as eleições; (4) manifestação pública de reprovação à estratégia eleitoral por governadores e senadores do PT, após as eleições.
      Deve-se corrigir a afirmação de que o “PT é o maior partido progressista”. Lula já afirmou que (1) o PT é o único partido do Brasil, porque os demais são siglas; (2) o PT não nasceu para ser partido de apoio.

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    • Queriam que o PT, PT, PT se jogasse da ponte para o guarda da cancela permitir a passagem, ou então que ele simplesmente abandonasse o campo para eles baterem uma bolinha…

      Nenhuma surpresa, afinal, o pacto da falecida Nova Republica sempre foi este, deixar qualquer representação popular como coadjuvante. Enquanto o Partido dos Trabalhadores ficava de megafone em porta de fabricas, etc, a democracia era “excelente”, e as “instituições funcionavam”. Aquele Montenegro do IBOPE até se empolgava com “tiorias” do tipo “o PT, PT, PT tem um ‘teto’ eleitoral”, “Partido classista”… Ganhavam eleições na base dos casuísmos das sucessivas legislações eleitorais, bombardeio de saturação nas comunicações, e GRANA PESADA dos financiadores de campanha das coalizões antipetistas. Achavam que tinham alguma superioridade moral ou intelectual, mas o que tinham somente GRANA. À medida em que foram se acumulando as derrotas eleitorais, partiram para ignorância, literalmente; a primeira coisa que detonaram foi o próprio sistema de financiamento de campanha. Perceberam que o PT, PT, PT ganhou no JOGO DELES; não engolem nem vão engolir jamais isso…

      Muita gente boa não entende até onde vai o amor pela desigualdade na sociedade brasileira: ricaços e grande parte da classe média JAMAIS vão aceitar que alguém que não seja um dos seus pares esteja em posição de mando.

  3. UNGER PODERIA FALAR DO PRIMITISMO DO PAÍS DELE,VCS NÃO ACHAM Q SERIA MELHOR?
    OBS:POR FAVOR ME RESPONDAM.ABAIXO, OBRIGADO!

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    • Lamento que sua resposta seja na linha dos bolsominions: a de acusar os erros dos outros descartando o que há de razoável numa ideia. Pensar com o fígado não costuma ser boa alternativa. Não há país neste mundo que seja uma Utopia. Há erros e acertos nos EUA e sim, há aspectos profundamente primitivos. Ao menos, eles têm a coragem de discutir de modo mais aberto do que nós, que nunca ressecamos o tumor do escravagismo e do racismo, velados que são. Não sou fã, tampouco advogado de Unger, mas reconheço que ele traça diagnósticos muito bons. No entanto, se a população não se atenta a discutir sobre como, quais e por que meios queremos mudar, permaneceremos tão primitivos quanto seu comentário.

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  4. Repito aqui o que comentei no post sobre a frase de Lula :

    LIBERTAR O PAIS DOS MILICIANOS.

    Como disse, Mangabeira Unger, o povo não vota em banqueiro e por isso os banqueiros lançam seus laranjas como candidatos : Bozonaro não teve pudor ao defender as milicias quando ainda deputado discursou na BA. Foi está figura que foi lançada candidato a laranja de banqueiro : está desempenhando seu papel de laranja de banqueiro . Triste Brasil. Sim Lula, precisamos resgatar esse país das mãos das milícias : e antes que seja tarde demais : alô STF, kd vc

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  5. O boçalnaro REPRESENTA, sim, a elite financeira, empresarial e agrária. Enquanto TEIMAREM em não reconhecer o adversário, já era. Poucos entenderam a adesão dele aa pauta neoliberal. “Era o que tinha” contra a volta da esquerda. É isso que as tais elites têm na cabeça. O antipitismo do boçalnaro é IDÊNTICO ao do Paulo Guedes, da Globo, de FH, do veio da Havan, dos militares dos fazendeiros etc. O ponto exato é que ele, boçalnaro, e seu séquito, tem SOMENTE isso na cabeça, e bulhufas de noção dobre o funcionamento da economia ou do Estado.

  6. Nesta mediocridade geral uma voz que pensa merece ser ouvida. O Brasil não sairá da encalacrada enquanto não resolver a questão da falta de legitimidade da política. Crise de representação, fosso entre Estado e sociedade. É preciso inovação institucional para resolver o mal dos males: a desigualdade, e o Estado monarquico é a primeira fonte de desigualdade a ser enfrentada.

  7. Mangabeira : discorrendo sobre a modernidade das caravelas e as possibilidades com o descobrimento das Américas. Gianotti e FHC devem estar se roendo de inveja, com tamanha vanguarda. A Elite Intelectual Esquerdopata. Um Cargo Público para pagar as contas e um título ou emprego em Instituição Internacional para avalizar seu currículo. Paris / Nova York / Brasília financiados a dinheiro e cargos públicos. Quanta novidade no Pensamento Intelectual Tupiniquim e suas Elites, nestas 9 décadas?!!! O que Mangabeira disse sobre o ‘Governo mais corrupto da história brasileira?” Realmente a visão de futuro das Elites brasileiras tem uns tons de naftalina que são inacreditáveis. O Mundo caminha e avança, enquanto o Gigante dorme. Ou rumina. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

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  8. “Não se conduzir de forma a sugerir que ele prefere perder o poder para a direita a perder a hegemonia na esquerda”

    Todos os candidatos ditos de esquerda, incluindo o mestre de Mangabeira, preferiram uma vitória do Bozo a do PT. Pura lógica politica-eleitoral. Avaliaram que bozo seria um oponente mais facil de derrotar em 2022 do que o PT.

  9. Prezado Nassif, em geral eu concordo com você e continuo te achando o mais importante jornalista brasileiro, mas minha interpretação nesse caso é diferente. Lula fez o que deu pra fazer e ninguém faria melhor, dadas as circunstâncias. Harvard e os americanos “de esquerda” preferem Ciro Gomes, a gente já sabe. Americano pensa em americano em primeiro lugar, em americano em segundo lugar, em americano em terceiro lugar, e se sobrar tempo, ainda pensa em americano. Então o filósofo americano Mangabeira (não nos iludamos) não ia dizer nada diferente do que disse e do que ele já vem dizendo há uns dois anos. E é por isso que eu continuo apoiando Lula e o PT e não me deixo desfrutar por Harvard.

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  10. De vez em quando Mangabeira Unger é sacado pela mídia como se fosse uma arma secreta, um oráculo capaz de nos dar o rumo. E qual é o rumo? Eu não consegui captar. Democracia de alta energia é expressão tirada da ciência política estadunidense, aquela democracia de altíssima voltagem que elegeu Trump. É uma expressão que pode significar muita coisa e nada também. Aliás, o Brasil e sua Constituição quase revogada estabelece uma estrutura de participação popular invejável, o problema é que as instituições não investem nessa estrutura, particularmente o judiciário. Por mais que se tente distribuir o poder aqui, mais eles agem para concentrar.
    O mais impressionante de tudo é esperar que um partido que tem voto e ainda representa 30% da população resolva sair do jogo. Por que ninguém exige que a Rede, o PSDB, saiam do jogo se não representam ninguém? Por que só os partidos de origem popular devem fazer essa gentileza que nunca foi exigida dos partidos da burguesia? Pessoas que falam em democracia mas não aceitam a eleição de milicianos? O povo decidiu votar em Bolsonaro, aceitem. Parte do povo decidiu se abster de votar, aceitem. Esse é o povo brasileiro. Isso não é culpa de Lula ou do PT, aceitem. E não venham com discurso que é “para o bem do Brasil”, pois em nome do “combate à corrupção” , ou do “melhor interesse da criança” muita desgraça se fez. Chega. Nem Lula, que foi preso, vem com um discurso desse. Cabe a nós, os que discordamos desse governo, mostrar ao povo a merda que fizeram, conhecer o povo para saber porque fizeram essa merda, mas não tentar manipular a vontade do povo interditando candidaturas ou partidos. Lula ficou preso um ano e sete meses, em meio a um desgoverno completo e o que os oráculos têm a oferecer é tirar Lula e o PT do páreo? Cadê o líder Ciro, que não surgiu? Cadê a líder Marina, que não surgiu, nem com todos as pragas ecológicas ocorridas? Daqui a pouco vão sugerir que Lula morra para, enfim, os caminhos ficarem abertos. Assim é fácil.

  11. o iluminismo é espírito do tempo que gerou as energias transformadoras que engendraram as condições ambientais, as ideias e as ações que levariam à ruptura com o modelo de sociedade que já estava em crise estrutural – o feudalismo medieval, fundado na fé católica como visão de mundo e de homem, na economia de escambo e trabalho não assalariado, e nas virtudes políticas da monarquia absolutista.

    A resposta à saída da crise foi a construção de uma humana utopia: compreender o mundo e a sociedade (o homem) pelo viés da razão (aptidão para conhecer e dominar a relação causal que se dá na natureza e as relações de cooperação e de competição que agrega a sociedade comunicativa), fundada no conhecimento científico, no capitalismo explorador da força de trabalho e no regime democrático-representativo legitimado pela vontade da maioria.

    Neste momento em que experiência da vida planetária está completamente ao influxo do movimento que impulsiona a história do modelo Ocidental, os valores, as ideias e as práticas que dão sustentabilidade à modernidade, tal como configurada pelo iluminismo europeu, estão sendo demolidos por uma guerra geral desencadeada pelas forças conservadores que pretendem resistir ao movimento da grande roda, já movida pelo motor das novas tecnologias de computação e telecomunicação.

    Na cíclica do pêndulo histórico já vai longe, na linha do tempo, mais uma transição, mais profunda e mais complexa: sucessiva ruptura com demolição da velha modernidade. Então, não custa nada perguntar. Para além das narrativas tático-eleitoral, Mangabeira Unger apresenta os elementos de um novo sistema? Ou apresenta remendos à estrutura carcomida? Pretende construir um caminho autenticamente brasileiro com base na necessidade de se responder à nossa realidade com um projeto emprenhado de utopia? Ou está apenas incumbido de atrelar o País ao projeto globalizador do Destino Manifesto?

    Se o intelectual coloca Lula e o PT como responsável pelos danos que o espírito da pós modernidade vem causando ao equilíbrio e à funcionalidade dos sistemas, feito um furacão raivoso e violento, então, já se pode diagnosticar, desde logo, a presença de um primitivismo no campo dos riscos: provavelmente não haverá inovação institucional e nem democracia de alta energia.

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