Mercado sem trabalho, por Ricardo de Menezes Barboza e Mauricio Furtado

Uma em cada quatro pessoas no mercado de trabalho brasileiro está desempregada, subempregada ou desalentada.

Mercado sem trabalho

por Ricardo de Menezes Barboza e Mauricio Furtado

A taxa de desemprego no Brasil está em 12,3%. São 13 milhões de pessoas desempregadas. Isso dá um universo de pessoas maior do que a população da Bolívia ou da República Tcheca.

Se contabilizarmos a população subocupada (que trabalha menos de 40 horas semanais, mas que gostaria de trabalhar mais) e a população desalentada (que gostaria de trabalhar, mas que desistiu de procurar emprego), chegaremos a uma taxa de desemprego ampliada de 25%.

Uma em cada quatro pessoas no mercado de trabalho brasileiro está desempregada, subempregada ou desalentada.

Desde 2017, a taxa de desemprego livre de influências sazonais vem em uma lenta trajetória de queda. Atualmente, há um risco não desprezível de que volte a aumentar.

Na década de 60, o economista Arthur Okun descobriu uma relação negativa entre crescimento do PIB e variação do desemprego. Essa relação ganhou o nome de “lei de Okun”.

A lei de Okun é bastante intuitiva: como a produção de bens e serviços necessita de trabalhadores, então um PIB mais elevado aumenta a quantidade de trabalhadores empregados. O aumento da população empregada, por sua vez, reduz a população desempregada. Ao final do processo, tem-se que quanto mais cresce o PIB, mais a taxa de desemprego diminui.

Estimamos a “lei de Okun” para o Brasil. Utilizando dados desde 1997, encontramos que a taxa de desemprego costuma diminuir quando o crescimento do PIB ultrapassa 2,2%. Essa relação, contudo, pode ter se alterado no passado recente, em função de algumas mudanças institucionais que ocorreram no país, como a Reforma Trabalhista.

Estimativas da lei de Okun utilizando dados mais recentes sugerem que o desemprego pode cair com um crescimento mais modesto, de cerca de 1%.

Eis que surge a notícia triste: com as perspectivas de crescimento do PIB descendo a ladeira, é provável que o desemprego permaneça em patamar elevado, podendo aumentar no futuro próximo.

A taxa de crescimento do PIB de 2019, prevista pelo consenso de mercado, está em 0,85%, sendo que no início do ano estava em 2,5%. Essa revisão baixista já está contaminando as previsões de crescimento para 2020.

Para que a situação se altere, é preciso que a atividade seja estimulada com os instrumentos de política econômica. No contexto brasileiro de contas públicas dramáticas, caberia ao Banco Central reduzir ainda mais a taxa Selic. A ociosidade gigantesca e as expectativas de inflação abaixo da meta permitem que isso aconteça.

Do contrário, a péssima situação do mercado de trabalho deve continuar nas cenas dos próximos capítulos. Com desemprego de dois dígitos, seguiremos discutindo o “mercado sem trabalho” e as consequências políticas (bem) desagradáveis que essa situação implica.

Ricardo de Menezes Barboza e Mauricio Furtado são economistas.

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6 comentários

  1. O regime golpista entregou nossas riquezas ao Trump….riquezas que garantiriam um futuro confortável para todos nós e agora resolveu matar o povo

  2. Mercado de Trabalho? Com AntiCapitalismo de Estado? 9 décadas produzindo esta tragédia e queremos Trabalho? Combatendo Indústrias? Combatendo Industriais? Combatendo a Meritocracia? Combatendo o Lucro? Combatendo a AgroIndústria? Combatendo o AgroNegócio? Combatendo a Agropecuária? Combatendo o Capital? Incentivando a Pobreza, a Burocracia, o Atraso, a Bandidolatria, o Corporativismo, o Estado Absolutista? SOMOS SURREAIS !!!! Outro ´dia, numa matéria neste Veículo, as rotas aéreas dentro do Brasil, antes e depois das Privatarias. Nos dois casos, tais rotas cobriam de Porto Alegre a Brasilia em direção ao Litoral até Fortaleza (99% das rotas aéreas). O Brasil coberto por Rotas Aéreas Regulares em 1/4 do seu território. Território maior que toda a Europa. E ainda hoje, estamos falando em DESEMPREGO? Somos Lunáticos ?!!! Somente a Cobertura Aérea Regular de todo Nosso Território (SOMENTE ISTO) já seria suficiente para resolver o atual quadro de Desemprego. Pelo Amor de Deus !!! Um cérebro para este Gigante. Pobre país rico. !!!!

  3. Livre mercado, aumento de produtividade, oligopólios globais e informatização não rima com emprego.
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    As grandes corporações internacionais que dominam as instituições do comércio internacional como a OMC criaram uma verdadeira arapuca que simplesmente levam a solução do problema do desemprego na humanidade somente a uma solução, uma nova guerra mundial.
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    Talvez economistas e os chamados “operadores do mercado” de tanto fumarem o cachimbo da ideologia do livre mercado e aumento da produtividade em termos planetários só estão levando a uma única solução para acabar com o desemprego no mundo, a guerra com a demolição de grande parte da infraestrutura do mundo atual e a morte de uma parte significativa da população.
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    Com os processos de globalização da produção, onde naturalmente estão formando oligopólios internacionais que começaram por setores estratégicos, como da informática onde poucos países dominam a cadeia de produção e um número ínfimo de empresas vão inviabilizando a concorrência, a palavra chave dos economistas liberais e dos seus operadores do mercado.
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    A cada setor estratégico há a tendência de não mais do que uma dúzia de empresas de âmbito planetário dominem este setor. Como estas empresas para combaterem a concorrência, buscam a maior produtividade possível e esta só é atingida com o máximo de robotização, processos de inteligência artificial e o mínimo possível de capital variável (mão de obra) é inexorável ao caminho da Última Grande Crise Internacional, pois enquanto os países mais desenvolvidos conseguem combater o seu desemprego com programas de assistência social ou mesmo com futuros programas de renda mínima, os demais países não desenvolvidos serão condenados a uma economia de subsistência.
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    Nunca o mundo esteve tão perto de permitir uma vida digna e um trabalho para a população planetária, mas os grandes oligopólios que simplesmente vão escolher a onde haverá emprego e a onde haverá miséria, não permitirão esta sociedade de abundância que a tecnologia e a ciência permitem.
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    Não adianta economistas desenvolvimentistas traçarem rumos para um desenvolvimento localizado numa só nação ou num grupo de nações, o desemprego estrutural, maior ilusão ainda se vê nas cabeças dos liberais, que pensam que transformando o povo de um país a miséria eles seriam capazes de trabalhar por qualquer coisa, que no passado seria dito um prato de comida e uma cama para dormir, pois eles não se dão conta que a cota de miseráreis no mundo dispostos a trabalhar por esta remuneração, é imensa e não é necessário aumentar ainda mais o exército de reserva de trabalhadores.
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    Só há três caminhos na organização do mundo atual, ou que muitos chamam de utópico, onde o tempo de trabalho fosse reduzido em níveis planetários para que todos pudessem trabalhar, ou uma sociedade distópica que vemos em centenas de filmes premonitórios de ficção científica ou ainda uma boa guerra mundial que destruindo a sociedade que existe nos dias atuais, cria o pretexto de um novo relance da economia capitalista.
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    Há outro caminho? Claro que há, porém este caminho é inviabilizado por toda a divisão do mundo em que somente uma coisa é unificada, o comércio, se no lugar de uma OMC tivéssemos uma organização internacional que regulasse o comércio não simplesmente pelo valor das mercadorias mas sim pelas condições de trabalho que levassem em conta a redistribuição da riqueza e a divisão do trabalho minimizando as jornadas desse até que todos tivessem um trabalho digno e honesto e não houvesse o natural (na situação dos dias de hoje) desemprego estrutural teríamos uma sociedade que poderia durar mais milhares de anos. Porém uma coisa é certa, não seria dentro do sistema capitalista de produção.

  4. Confunde efeito com causa. Só para ficar num caso: o movimento Lula Livre não produz resultados não pq não quer ou tem estrategia errada e sim pq está sitiado. Se o consórcio que elegeu a banca,da qual Bolsonaro é um mero preposto, resolver defenestrá-lo ele cai amanhã. Quer ver? Se uma simples reportagem do Intercept secundados por alguns arroubos de jornalismo verdadeiro por parte ínfima da velha mídia e mais uma capinha da Veja, produziu um pequeno abalo nesse consorcio,imagine o resultado desse mesmo consórcio fazendo o bate estaca diuturnamente, e por longo tempo e por meios lícitos e ilicitos, a favor do impeachment do presidente como fez com a Dilma!

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