Meu desamparado Levy, por Rui Daher

Em coluna para o site de CartaCapital, publicada ontem, comemoro o fato de o economista Samuel Pessôa, articulista da Folha de São Paulo, ver “Luzes no fim do túnel” para a economia brasileira.

Justifica sua esperança pela queda no rendimento real e o aumento no desemprego, fatores que farão “mais rapidamente a inflação (…) convergir para o centro da meta”, e permitirão baixar os juros, crescer e empregar.

Sei de muitos a comungarem tal ficção baseada em roteiros do FMI. Daí não ter sido necessário para ver a tese de Pessôa reforçada de forma ainda mais dramática.

Hoje, e sempre na “Folha”, certa Ana Estela de Souza Pinto se insurge contra o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), lançado pelo governo (aliás, “por Dilma”, que encarna o diabo e inventa zumbis). 

Esperta, a colunista faz Levy inocente, enganado e crucificado em suas boas intenções fiscalistas, e demoniza Guido Mantega. Não fosse eu gentil, veria nisso estelionato jornalístico.

Ancorada em Walther Funk, que foi ministro da Economia do Reich, a analista joga suas funestas iscas para que o desemprego mantenha a paz dos cemitérios:

1.     “Não vale para todos (…) ressurgem os remendos das ajudas setoriais”;

2.      “Alimenta grupos de interesses (…) uma comissão vai definir quem merece a misericórdia pública”;

3.     “As contas são opacas (…) é paternalista”;

Termina, mais uma vez livrando a cara de Levy, na esperança que ele veja o PPE, apenas como “um monstrengo bobo, como os das séries dos anos 1960, que mal chegavam para assustar os Três Patetas”.

A falta de sensibilidade com o desemprego no Brasil é fatal. Fez-nos campeões nessa modalidade de desgraça por muitas décadas. Hoje em dia, o fato de ter sido reduzido é visto como um cancro que parou o País e o jogou numa festa consumista irresponsável. De pobres, miseráveis e indigentes. Quem aí não catalogado, pode.

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E não me venham com babaquices econométricas aqueles que estão bem empregados e podem consumir os supérfluos que quiserem, já que rebentos da meritocracia.

Pergunte a dona Ana Estela ao Sr. Chico Escapa, morador em Engenheiro Marsilac, o que ele pensa em trabalhar menos horas, ver reduzido seu salário em parte, mas continuar empregado e com benefícios mantidos.

Qual o motivo para, em 1990, terem criado o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)?

Se ele não serve, o modelo é outro, há ideias e soluções melhores, uma reforma trabalhista, por exemplo, provável demorar 10 anos para ser aprovada no Congresso de Cunhas, Renans, ou nos arremedos ortodoxos de quem segue a cartilha FMI, proponha-as, dona Ana Estela.

Qualquer forma de amenizar o desemprego é melhor do que presenciar o drama de famílias à espera da demissão, ouvindo-nos propor paciência, sacrifícios, pois Levy acha Mantega um bobo, Ana Estela o PPE um monstrengo, e Pessôa diz que para aguentem. Tudo vai dar certo, como na Grécia.

Vou correndo pro “Dominó de Botequim”. Lá está a Salvação.

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8 comentários

  1. coerência

    Os Economistas e jornalistas que acham que o desemprego é a solução para a crise poderiam dar sua contribuição ao país pedindo demissão e nos livrando de suas bobagens.

  2. Rui, não perca tempo com esses

    Samuel e Ana Estela que escrevem na fsp. Não valem uma linha da sua bela prosa.

    Mais uns idiotas diplomados que escrevem mais uma versão da teologia econo-evangélica.

    Não vamos estragar nosso domingo com esse lixo.

    E estou sendo bem educado.

  3. É impressionante a

    É impressionante a resistencia da mediocridade ORTODOXA que chegou até o Seculo XXI depois de um século que suas pobres soluções foram demolidas por Keynes em 1933. Nada mudou em soluções criativas que proporcionem equilibrio

    na economia? É preciso o açoite de uma pseudo AUSTERIDADE para depois, sabe-se lá quando, voltar o emprego?

    Pior que um economista ortodoxo, é um economista ortodoxo MEDIOCRE e sem brilho.

    Se a inflação é o PECADO CAPITAL que impede o crescimento como é que o Brasil cresceu com a taxa anual recorde mundial de 1970 a 1980 de 8,6% do PIB , TAXA ANUAL DE CRESCIMENTO, numa década inflacionaria? Nenhum outro Pais do mundo cresce até então a essa taxa e em todos esses anos a inflação foi alta. E nem precisa dizer que havia PLENO EMPREGO.

    Como um Pais como o Brasil que tem necessidade UM TRILHÃO DE REAIS EM INFRA ESTRUTURA, só de sanemaneto basico necessitamos de 250 BILHÕES DE REAIS, todos os insumos são domesticos, não é preciso importar quase nada, temos mão de obra disponivel, porque não se EMITE REAIS para fazer essa obras? Vai provocar inflação? Talvez, o gasto é escalonado, não é imediato, é melhorar tolerar alguma inflação a conviver com um mega desemprego.

    É uma questão de ideologia, a India cresceu e cresce com inflação, mais de 7% ao ano e todos respeitam a India.

    A ORTODOXIA É FUNDAMENTAL PARA O SISTEMA FINANCEIRO, QUANTO MAIS RECESSÃO MELHOR, mas para a população que não vive de renda financeira é suficiente o emprego, o ideal seria o emprego sem inflação e em segundo lugar o emprego com alguma inflação.

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