O desemprego não está na agenda – crônica de um desastre anunciado, por André Motta Araújo

Com o apoio da mídia, o plano de "uma economia de mercado para 30 milhões e o resto que se lixe" vai de vento em popa. É o que temos hoje.

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O desemprego não está na agenda – crônica de um desastre anunciado

por André Motta Araújo

UMA VISÃO NÃO TEÓRICA DA ATUAL SITUAÇÃO ECONÔMICA

Vivendo em São Paulo desde que nasci, muitas décadas, jamais vi tal quantidade de pobreza nas ruas paulistanas. São caminhantes andrajosos, mulheres com crianças à porta de padarias e feiras, adolescentes e rapazes com caixas de engraxate nas costas pedindo um lanche ou uns trocados, idosas na porta de bancos e farmácias, mendigos nas estações do metrô. Pedintes sempre houve, mas jamais em tal quantidade. Há no ar, à vista d´olhos uma miséria crescente, assustadora porque ela é o portão da fábrica do crime. Os brutos não enxergam, os mais sensíveis sentem no ar. Falo de uma São Paulo, rica, falo do bairro dos Jardins onde vivi nos últimos 50 anos, também do Centro e de bairros centrais, há um clima claro de desalento e carência crescente, triste.

BANCOS BRASILEIROS NÃO SE INCOMODAM COM A RECESSÃO

Em todas as recessões do Século XX, foram nove nos EUA, na Grande Depressão de 1929, na crise financeira de 2008 com epicentro em New York, os BANCOS são os primeiros afetados, perdem rentabilidade, alguns quebram. Na crise de 1929 nos EUA quebraram 8.000 bancos, na crise de 2008 quebrou o Lehman Brothers, o CITIGROUP só não quebrou porque foi salvo pelo Tesouro americano, esse é o padrão.

Na recessão brasileira de 2014, que continua até hoje, os bancos brasileiros têm crescimentos de lucros a cada trimestre SEM INTERRUPÇÃO. No último trimestre, janeiro a março de 2019, bateram novo recorde com crescimento de 16% numa economia estagnada, só o BRADESCO anunciou o lucro de R$ 6,2 bilhões, um crescimento de 22,3% sobre o trimestre anterior. A economia no mesmo trimestre não cresceu praticamente NADA, HÁ ALGO DE MUITO ERRADO NUMA POLÍTICA ECONÔMICA QUE PERMITE ESSA ABERRAÇÃO. O erro está nas taxas de juros que o Tesouro paga, piso para todas as demais taxas de juros, existem LFT (Letras Financeiras do Tesouro) dando rendimento de 14% ao ano, quer dizer 10% de juro real. Nenhum País do planeta tem um Tesouro que paga taxa real semelhante, nem o mais atrasado País da África, o Tesouro do Japão tem juro negativo, cobra para guardar o dinheiro dos bancos e dos ricos, na Europa Tesouros acham muito pagar 2% ao ano nominal. Tesouros guardam liquidez que não tem onde ficar, não há razão alguma para o Tesouro do Brasil pagar taxas aberrantes em títulos em Real que não tem risco algum, podia pagar pouco mais que zero.

Esse verdadeiro assalto ao Tesouro do País, que custa muito mais que o déficit da Previdência, só é possível porque o sistema financeiro beneficiário desses juros controla o BANCO CENTRAL e o TESOURO, através de prepostos que o sistema financeiro indica e o Governo aceita por medo dos “mercados”.

Tal distorção criou uma NOBREZA RENTISTA, tal qual a nobreza francesa ao tempo de Luís XVI para a qual o crescimento e o desemprego são IRRELEVANTES.

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O TURISMO RENTISTA EM ALTA

O rentismo financeiro proporcionado pela dívida pública com altíssimo piso da SELIC possibilitou a que uma parte da sociedade viva de juros sem que tenha qualquer vinculação com a economia produtiva. A essa camada se soma outro tipo de rentismo, a do alto funcionalismo e seus aposentados e pensionistas que dispõem de super renda para gastar, renda essa também desligada da economia produtiva e do crescimento econômico do País.

A soma dessas duas camadas sociais e seus agregados criou uma sociedade do “dolce far niente” que não depende do bem-estar geral da população porque tem meios, que ao fim do dia, são pagos pela economia produtiva através de impostos e juros pelos que realmente geram riqueza.

Uma prova desse quadro é que, em plena e longa recessão, com altíssimo desemprego, subemprego e desalento da massa da população, o setor de turismo de luxo no Brasil CRESCEU ESPETACULARMENTE em 2018 e a Associação Brasileira de Agências de Viagem-ABAV prevê novo crescimento de 15% em 2019 (jornal VALOR ,26 de janeiro de 2019-pag.B7), isso em plena recessão profunda, gente que não trabalha viajando pelo mundo com recursos gerados no Brasil.

Em cinco anos de recessão um vasto setor da economia se reconfigurou para atender 30 milhões de brasileiros com alta renda, como se fosse o total do País.

Nos anos 50, 60 e 70 a publicidade brasileira produziu em grande quantidade anúncios de bens para a classe pobre e classe média, Casas Pernambucanas, TVs Philco, liquidificadores Walita,  Volks baratos, biscoitos Piraquê. Hoje a publicidade brasileira é dominada por bancos, XP Investimentos e similares, OMINT e seguros-saúde para a alta classe média, inacessíveis para as classes C e B, carros de luxo. A publicidade para o mercado popular minguou.

Essa reconfiguração plasmou uma nova situação econômica: a ESTABILIDADE NA MISÉRIA E RENDA CONCENTRADA, uma nova economia de ILHAS DE CONSUMO em meio a oceanos de pobreza.

O PROJETO QUE NÃO EXISTE

Não há no atual governo projeto algum para o Brasil sair do oceano de pobreza a que foram condenados 180 milhões de brasileiros. As “reformas” são necessárias porque há ajustes a serem feitos permanentemente em vários núcleos da Administração, não é maná e nem novidade MAS essas reformas, que nada mais são do que ajustes gráficos, NÃO produzem riqueza por si só, não geram renda nova e a quimera de que por causa delas virão investimentos (de onde?) é uma promessa de existir um tesouro no fim do caminho. Não há relação entre essas reformas e investimentos de qualquer tipo.

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O Brasil foi campeão mundial de atração de investimentos nas décadas de 50, 60 e 70, anos do “milagre econômico”, com ALTA INFLAÇÃO, DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO, DÉFICIT CAMBIAL, mas havia algo que hoje não há e nem se projeta que haverá: DEMANDA de compras da população rica, média e pobre.

DEMANDA depende de renda e essa se cria RAPIDAMENTE com investimentos públicos, algo que os neoliberais anacrônicos de hoje nem sonham porque eles acham que só o investimento privado move a economia, algo irreal nas economias desenvolvidas e absurdamente irreal nas economias emergentes.

OS CEGOS DE CHICAGO

Uma das características dos sábios é mudar o pensamento a cada ciclo de vida porque muda o mundo e mudam as circunstâncias. O neoliberalismo de Chicago poderia ser comprado quando, na virada dos anos 60 para os anos 70, o Estado do bem estar social começou a ficar muito pesado, veio na ideia do neoliberalismo de Hayek, Thatcher e Reagan uma veia revisionista que se configurou no “menos Estado e mais mercado”.

Mas a crise de 2008 colocou uma lápide no tumulo do neoliberalismo dos anos 70 porque foi o Estado americano quem salvou o mercado.

Os “cegos de Chicago” de hoje não se reciclam e nem ajustam sua visão de mundo por falta de base cultural e daquilo que o verdadeiro sábio tem em abundância: a dúvida permanente. O verdadeiro sábio não tem certezas absolutas, está sempre pronto a rever conceitos. O cego (para não dizer burro) tem CERTEZAS FINAIS E ABSOLUTAS sempre. Se chá de tangerina curou uma gripe na sua infância ele vai querer curar um câncer com chá de tangerina.

Essa é a genialidade de Keynes contra as certezas de Haeyk. Há vários Keynes, o de 1910 era um, o de 1919 (“Consequências Econômicas da Paz”) era muito diferente, o Keynes que salvou a economia americana e mundial com o New Deal em 1933 (carta a Roosevelt em 30 de Maio de 1933) era outro, já o magistral Keynes de Bretton Woods, que criou o Fundo Monetário, o Banco Mundial e a Organização Mundial de Comercio (antigo GATT) em 1944 era ainda mais novo do que os Keynes anteriores. Esse é o verdadeiro sábio. Louve-se Milton Friedman que sabia rever conceitos, no fim da vida reviu muitos deles em magníficas conversas com Alan Greenspan, seu antigo adversário de ideias. Essa revisão de Friedman jamais é citada pelos “cegos” (ou burros) de Chicago, preferem o Friedman antigo, o medíocre não gosta de mudar de caminho.

O atual motorneiro da economia cita reformas chilenas de Pinochet que fracassaram a ponto do ditador chileno expulsar os neoliberais de seu governo com a demissão do Ministro da Fazenda Sergio de Castro e trocá-lo por um general. As consequências das reformas neoliberais chilenas custaram o cargo a Pinochet, perdeu de maneira vexaminosa o referendo que lhe custou o poder, exilou-se e o Chile teve na sequência governos socialistas.

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De qualquer modo, comparar o Chile ao Brasil é mais um sinal de estupidez,  nada, absolutamente nada tem a ver o Chile com o Brasil, as economias são completamente diferentes, assim como a demografia, a geografia, a educação, a formação cultural. De qualquer modo lembre-se que, mesmo no auge do neoliberalismo chileno, ninguém cogitou de PRIVATIZAR a CODELCO, a estatal do cobre chileno, até hoje 100% estatal, já aqui querem vender a PETROBRAS.

UM TIME DE OPERADORES DE BOLSA

Hoje dirige a economia brasileira um time de operadores de bolsa, sem qualquer visão de políticas públicas, que aliás detestam. É uma raridade.

Grandes economias emergentes como Índia, China e Rússia são dirigidas por economistas formados no campo das políticas de planejamento e projetos públicos. A economia chinesa, falsamente de mercado para o público externo, é baseada em PLANOS DE DESENVOLVIMENTO criados e executados pelo Estado. Na Índia, em escala menor, o Estado é central na economia, no México o Estado está completo no petróleo, eletricidade, saneamento.

No Brasil de hoje, mesmo na área neoliberal, há economistas com visão de Estado e experiência em políticas públicas. Não estão neste Governo com exceção de um, mas que compensa sua má experiencia no Estado com uma invencível falta de criatividade e de projeto de País, Joaquim Levy, cujo cardápio é um só.

O CONTO DAS REFORMAS E A CONDENAÇÃO DO PAÍS À POBREZA FINAL

O mito da “reforma que resolve tudo” convence cada vez menos pessoas mas como não há nada mais na prateleira é o que se oferece, contando sempre com o apoio luxuoso da mídia econômica brasileira, a pior do planeta pelo sabujismo e falta de postura, entrevistas-volley, sem um contraponto como o que nos brindou a GLOBONEWS onde João Borges timidamente pergunta ao rei da empáfia, presidente da PETROBRAS, que pontificava ao perguntador seus planos para liquidar com a PETROBRAS, falava barbaridades “as refinarias só rendem 7% ao ano”, então porque alguém vai comprá-las?

Com o apoio da mídia, o plano de “uma economia de mercado para 30 milhões e o resto que se lixe” vai de vento em popa. É o que temos hoje.

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42 comentários

  1. Por falar em desemprego, o Wilton Moreira escreveu:

    “Há um velho argumento keynesiano, mas adotado também pelos economistas neoliberais, de que a tecnologia aplicada à indústria e o aumento da produtividade dela decorrente, embora fechem boas vagas em alguns setores, acabam por criá-las em outros, mais à frente. E que, ao final, os trabalhadores acabam por se beneficiar do desenvolvimento tecnológico da economia de mercado”.

    Keynes? Ora, bem antes de Keynes, mais precisamente, em 1849, Marx escreveu, em “Trabalho Assalariado e Capital”:

    “A maquinaria produz os mesmos efeitos numa escala muito maior, ao impor a substituição de operários habilitados por operários sem habilitação, de homens por mulheres, de adultos por crianças, pois que a maquinaria, onde é introduzida de novo, lança os operários manuais em massa para a rua, e onde é desenvolvida, aperfeiçoada, substituída por máquinas mais frutuosas, despede operários em grupos menores. Retratamos atrás, a traços rápidos, a guerra industrial dos capitalistas entre si; esta guerra tem a peculiaridade de nela as batalhas serem ganhas menos pela contratação do que pelo despedimento do exército operário. Os generais, os capitalistas, disputam entre si quem pode mandar embora mais soldados da indústria.
    Os economistas contam-nos, por certo, que os operários tornados supérfluos pelas máquinas encontram novos ramos de ocupação.
    Não se atrevem a afirmar diretamente que aqueles mesmos operários que foram despedidos arranjam lugar em novos ramos do trabalho. Os fatos contra esta mentira são demasiado gritantes. Eles de fato só afirmam que para outras partes constitutivas da classe operária, por exemplo, para a parte da jovem geração operária que já estava pronta para entrar no ramo da indústria decaído, novos meios de ocupação se abrirão. Esta é, naturalmente, uma grande satisfação para os operários caídos. Não faltarão aos senhores capitalistas carne e sangue frescos para explorarem, e mandar-se-á os mortos enterrar os seus mortos. É mais uma consolação que os burgueses oferecem a si mesmos do que uma que dão aos operários. Se a classe inteira dos operários assalariados fosse aniquilada pela maquinaria, que horror para o capital, o qual sem trabalho assalariado deixa de ser capital!
    Admita-se, porém, que os que foram diretamente desalojados pela maquinaria e a parte inteira da nova geração, que já espreitava este serviço, encontram uma nova ocupação. Acreditar-se-á que a mesma será paga tão alto como a que se perdeu? Isto contradiria todas as leis da economia. Vimos como a indústria moderna traz sempre consigo a substituição de uma ocupação complexa, mais elevada, por outra mais simples, mais subordinada.
    Como poderia, pois, uma massa de operários lançada fora dum ramo da indústria pela maquinaria encontrar um refúgio num outro, a não ser que este seja pago mais baixo e pior?”

    • Se isso fosse verdade, desde a época de Marx (mais de 100 anos atrás) teria havido um aumento gradual do desemprego estrutural, a ponto deste chegar a 100% na época atual, colocando fim no próprio capitalismo por falta de consumidores. Como se sabe, não foi isso o que aconteceu. Desde a época de Marx, a taxa de desemprego tem oscilado, e o padrão de vida dos trabalhadores aumentou enormemente.

      O desemprego causado pela automação, ao contrário do desemprego causado por uma recessão, corresponde a um aumento do faturamento dos patrões, ao invés de uma diminuição. Isso significa que os capitalistas disporão de mais capital, que pode ser investido em outras atividades, recriando a médio prazo a oferta de emprego que foi suprimida no curto prazo. Ao longo dos anos, o que se observa é o fenômeno da mutação de empregos: desaparecem os galpões barulhentos repletos de operários realizando tarefas repetitivas, e surgem os escritórios onde funcionários mais qualificados operam as novas tecnologias que permitiram uma maior produtividade.

      • Que beleza!! Me lembra aqueles caras que vão a Angra dos Reis e por lá circulam em iates e mansões, empregando a “gentalha” das favelas aos montes, para servi-los nesses mesmos iates e mansões, e afirmam com toda a empáfia do mundo: “estamos distribuindo riquezas, dando empregos e gerando prosperidade”. Pois é!!!E Angra se tornou uma imensa favela cercada de água por todos os lados.E a matança vai seguindo desenfreada!!!! Mas o píor é ver gente que circula em pizzarias concordando com eles, e entendendo que está tudo certo nesse nosso mundo de deus.POrém, como diz o “rabino” Edir Macedo: ” o Espírito Santo não quer saber de orações, ele quer que você meta a mão no bolso”

        • Diria Marx que:

          “Há uma espécie de riqueza que é inativa, pródiga e devotada ao prazer, cujo beneficiário se comporta como um indivíduo efêmero, de atividade desenfreada e sem propósito, que encara o trabalho escravo dos outros, o sangue e o suor humanos, como a presa de sua ambição e vê a humanidade, e a si mesmo, como um ser supérfluo e voltado ao sacrifício. Assim, ele adquire um desprezo pela humanidade, expresso na forma de arrogância e de malbaratamento de recursos que poderiam sustentar cem vidas humanas, e também na forma da ilusão infame de que sua extravagância irrefreada e seu interminável consumo improdutivo é condição indispensável ao trabalho e à subsistência de outros. Ele vê a realização dos poderes essenciais do homem apenas como a realização de sua própria vida desordenada, de seus caprichos e de suas idéias inconstantes e bizarras. Tal riqueza, contudo, que vê a riqueza somente como um meio, como algo a ser consumido, e que é, portanto, tanto senhora como escrava, generosa como mesquinha, caprichosa, presunçosa, vaidosa, refinada, culta e espirituosa, ainda não descobriu a riqueza como uma força inteiramente estranha, mas vê nela seu próprio poder e fruição antes que riqueza. . . meta final.” – Marx, Manuscritos Econômicos-Filosóficos.

          É o causo desses proprietários de iates de Angra.

      • O amigo tem toda razão, a qualificação para operar novas tecnologias é uma realidade… na Italia e na França vi muitos garçons “mais qualificados”, alguns até doutorados e mestrados. E motoristas, então?… Outro dia viajei com uma recém formada em engenharia, como sou engenheiro conversamos muito sobre nossas qualificações para dirigir.

        • Isto é outro fenômeno: a supervalorização das carreiras que exigem mais preparo (nível superior) produziu uma oferta superior à demanda. Mas se pós-graduados se sujeitam a trabalhar de garçons, então um garçon não ganha tão mal assim. Masi do que na época de Marx, com certeza.

      • Ponto questionável é que no ciclo “patrão fatura mais com automação” -> “patrão investe em outros empreendimentos que absorvem a mão-de-obra que ficaria ociosa pela automação”, o que se nota é o aumento da concentração de riqueza. Essa concentração nunca declinou, apenas vem aumentando em especial em momentos de “crise”. “Crise” significa oportunidade mas apenas para quem já tem o que investir. Além disso pode-se questionar a diferença entre padrão de vida e padrão de consumo – quanto gastava um operário no início do século, com antidepressivos? – e pode-se questionar se aumento de renda está mesmo relacionado a acréscimo em qualidade de vida. Quanto ganha um assalariado em um país que oferece Saúde, Educação, moradia, transporte, previdência, lazer, tudo isso público? E quão bem vive?

        Tem muitas variáveis mas não é complicado de entender…

        • O problema do Pedro Mundim é que, por falta de cultura, ele confunde pobreza relativa com pobreza absoluta. Se tivesse lido Marx, ele saberia que:

          “Ainda que fosse tão verdade como na verdade é falso que os rendimentos médios de todas as classes tivessem aumentado, a disparidade de rendimentos teria ainda crescido e, conseqüentemente, o contraste entre riqueza e a pobreza surgiria com maior evidência. Pela razão de que a produção total aumenta é que igualmente as necessidades, os anseios e as carências também se elevam, tornando-se assim viável que a pobreza relativa se desenvolva enquanto a pobreza absoluta decresce. O russo não é miserável com o seu óleo de baleia e o seu peixe rançoso, porque na sua sociedade isolada todos têm idênticas necessidades. Mas numa sociedade em desenvolvimento, que no intervalo de dez anos intensifica em um terço a produção total em relação à população, o trabalhador que ganha a mesma quantia ao fim de dez anos não permanece na situação financeira razoável em que estava, mas fica um terço mais miserável”. – (SCHULZ, 1843 apud MARX, 2005, p. 73).

          http://filosofia.fflch.usp.br/sites/filosofia.fflch.usp.br/files/posgraduacao/defesas/2014_mes/2014_tese_julia_lemos.pdf

          “Uma casa pode ser grande ou pequena, e enquanto as casas que a rodeiam são igualmente pequenas ela satisfaz todas as exigências sociais de uma habitação. Erga-se, porém, um palácio ao lado da casa pequena, e eis a casa pequena reduzida a uma choupana. A casa pequena prova agora que o seu dono não tem, ou tem apenas as mais modestas, exigências a pôr; e por mais alto que suba no curso da civilização, se o palácio vizinho subir na mesma ou em maior medida, o habitante da casa relativamente pequena sentir-se-á cada vez mais desconfortado, mais insatisfeito, mais oprimido, entre as suas quatro paredes.

          Um aumento perceptível do salário pressupõe um rápido crescimento do capital produtivo. O rápido crescimento do capital produtivo provoca crescimento igualmente rápido da riqueza, do luxo, das necessidades sociais e dos prazeres sociais. Embora, portanto, os prazeres do operário tenham subido, a satisfação social que concedem baixou em comparação com os prazeres multiplicados do capitalista que são inacessíveis ao operário, em comparação com o nível de desenvolvimento da sociedade em geral. As nossas necessidades e prazeres derivam da sociedade; medimo-los, assim, pela sociedade; não os medimos pelos objetos da sua satisfação. Porque são de natureza social, são de natureza relativa” – Karl Marx

      • O desemprego estrutural só não é avassaladoramente mais elevado porque a jornada de trabalho foi reduzida à metade desde o tempo em que o Marx escreveu o texto do qual o trecho supratranscrito foi retirado. Entretanto, com a iminente Revolução Industrial 4.0, se a jornada de trabalho de trabalho não for reduzida sensivelmente, teremos um índice de desemprego elevadíssimo. E com tanta gente supérflua do ponto de vista do capital, não se sabe o que acontecerá.

        O Pedro Mundim achar que são os próprios produtores da riqueza capitalista que consomem a referida riqueza e que, portanto, se o número de desempregados for demasiadamente elevado, o capitalismo acaba. Isso é uma falácia, conforme se pode conferir a seguir:

        “O mais a produção capitalista se desenvolve, o mais ela tem que produzir numa escala que não tem nada ver com a demanda imediata mas que depende duma EXPANSÃO CONSTANTE DO MERCADO MUNDIAL. Ricardo utiliza a afirmação de Say segundo a qual as capitalistas não produzem para o lucro, a mais-valia, mas que produzem valores de uso diretamente para o consumo – para seu próprio consumo. Ele não toma em conta o fato que as mercadorias devem ser convertidas em dinheiro. O consumo dos operários não basta, porque o lucro provem precisamente do fato que o consumo dos operários é inferior ao valor do seu produto e que ele (o lucro) é tão grande como o consumo é relativamente pequeno. O consumo dos próprios capitalistas também é insuficiente.” – Karl Marx” (Teorias sobre a Mais-valia; a teoria de Ricardo sobre o lucro)

        Não é o número de desempregados que levará o capitalismo à bancarrota, é a saturação dos mercados.

        O Pedro Mundim confunde taxa de lucro com massa de lucro. Em decorrência disso, ele afirma que a aplicação de tecnologia poupadora de mão-de-obra na produção aumenta o faturamento do patrão. De fato, mas a taxa de lucro cai cada vez mais. suponha dois capitalistas concorrentes que vendam produtos similares de mesma qualidade e cujos custos de produção por unidade sejam equivalentes. Se um deles vende a unidade por R$ 10,00 e o outro vende a unidade do mesmo produto por R$ 20,00, o primeiro terá uma taxa de lucro menor mas terá uma massa de lucro maior. O segundo, ao contrário, terá uma taxa de lucro elevada e uma massa de lucro reduzida, já que o preço do seu produto inibirá a demanda. Marx não fala de massa de lucro, mas de taxa de lucro.

        • Curioso, desde os tempos de Marx as jornadas de trabalho foram grandemente reduzidas, mas os salários, ao invés de diminuir proporcionalmente às jornadas, também aumentaram enormemente. Isso prova o que eu disse: a automação gera desemprego, mas também mais renda, fazendo com que haja recursos para criar novos empregos com salários maiores. É por isso que operário da época atual não quer saber de socialismo, eles aderiram ao capitalismo.

          A taxa de lucro, de fato, é uma variável aleatória, mas a massa de lucro tem aumentado sempre. Não fosse assim não haveria crescimento econômico.

  2. Mais uma vez Andre Araujo dá uma aula de economia e de Gestão com uma didática que até uma criança de 6 anos é capaz de compreender!

  3. Sr.André, neste contexto tão bem elaborado por você, podemos observar que este estado de coisas recebe todo o suporte midiático, jurídico e politico desde o golpe de 2016 e agora pelo governo bosonaro-olavo de carvalho.

  4. Eles estão levando em quarto anos o Brasil a uma situação deplorável.
    Centro e cinquenta milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, tirando o pouco que o povo conquistou!!!

  5. Perguntar não ofende, é a certeza inicial. Em sendo assim, porque não fazer oposição a eles, questionando as convicções dessa gente, em lugar de lamentá-los por não representarem o povo? A outra certeza é que a questão não é ser um “Maluco Beleza”, com nome e sobrenome inglês ou não, mas examinar, apoiado numa razoável extensão de dados e na descrição precisa (ou objetiva, porque não?) do que se fez no Chile ou algures, sob a inspiração do perigoso Friedman, no auge de suas primeiras maluquices ou depois delas, com as novas? Enfim, estou certo (outra certeza!) de que os “Malucos Beleza” nunca leram e, se leram, nunca entenderam “As Teses sobre Feuerbach”…

  6. Há uns 15 anos que não tenho aparelho de TV e outro dia visitando parentes vi como tem propaganda de remédios uma atrás da outra, o que antigamente as emissoras até evitavam por choque de concorrência. Por outro lado vemos que as pessoas com menos recursos estão sendo diariamente abandonadas por este ultraliberalismos perverso, porque desumano e o número destas é acrescido a cada dia. Nem percepção histórica do momento eles tem, já que não notam que atualmente, 70% dos nascimentos se concentram em países chamados subdesenvolvidos. Vão poder visitar o exterior por mais um tempo enquanto tiverem seus modos de explorações em atividade, mas estes modos estão em vias de se tornarem inviáveis. Parece que estão amealhando o máximo que podem, cientes de que a futura crise não terão mais bancos centrais (dinheiro público) a socorrerem.

  7. Prezado André

    Grande artigo, mas precisamos enfatizar uma colocação; Joaquim Levy tem visão de Estado e de políticas Públicas, mas realmente é um desastre; a recessão piorou quando ele começou a tesourar tudo e derrubou a economia. Tenho para mim que uma das causas do golpe de estado de 2016 foi o desastre econômico que ele produziu (e que a mídia porca escondeu, dizendo que “são necessários os cortes e o ajuste para enfrentar o caos produzido por Lula 1 e 2, e Dilma 1”)

  8. Sabe AMA(André Motta Araújo)este país não vai se desenvolver NUNCA MAIS se não romper com os bancos/financeiras, Guedes/Bolsonaro estão dificultando o acesso ao capital(dinheiro)estão estruturando a miséria ,como se entrega um país a ser administrado por banqueiros justamente por quem não tem interesse nenhum q aja prosperidade a todos e portanto dinheiro no bolso!? Incrível o governo ter como prioridade a CAPITALIZAÇÃO AOS BANCOS(previdência)e quererem vender isso como algo bom e necessário, se aproveitam da inércia e ignorância do povão e AFIRMO q se aprovada NUNCA MAIS este país se liberta da miséria!!!O PT não deve ter vergonha de denunciar isso só pq seus governadores são favoráveis a “reforma”pra mim isso só seria a prova cabal do poder dos bancos q dobram até a oposição não há contradição!!!

  9. Eu acho que a explicação é mais simples. Assim como na iminência de guerra, os fabricantes de armas aumentam seus lucros, ou ocorrendo um surto de gripe, os farmacêuticos vendem mais, se um governo é gastador, os bancos necessariamente têm seus lucros aumentados.

    O governo precisa gastar menos, e melhor. Só isso vai por fim a esta distorção.

    • O governo precisa gastar melhor mas ele não precisa gastar menos, ele tem é que arrecadar mais, principalmente dos capitalistas, dos acionistas, dos detentores de grandes fortunas e dos sonegadores.

      • Sim o governo tem q gastar menos…com juros a banqueiros!!!
        Obs:Me vem a memória agora uma fala do Bebiano q jocosamente afirmou q o Estado não pode mais gastar igual antes com benefícios sociais isto foi o maior absurdo e não vi ninguém da oposição rebater isto a época nem dizerem q o não podia era o Estado gastar tanto com juros,FALHA GRAVE,mas Bebiano pagou pela leviandade foi CHUTADO DO GOVERNO,BEM FEITO, recentemente tb houve uma declaração de um General q tá no meio ambiente dizendo q o Estado não tem dinheiro pra manter parques e por isso deve privatizar é moole!?E ninguém rebate o General vendido!!

      • O preço de tudo está sujeito à lei da oferta e da demanda, inclusive o preço do dinheiro (juros). Se o governo gasta mundo e precisa do dinheiro dos banqueiros, é claro que a taxa de juros tende a subir.

        • Se a taxa de juros tende a subir, o capital dos bancos tende a aumentar. Com o aumento do capital financeiro, a taxa de juros cai, pois o capital financeiro também está sujeito à lei da oferta e da procura.

      • Arrecadar mais é a solução? Pelo visto, você acredita que o dinheiro dos capitalistas está todo embaixo da cama, prontinho para ser confiscado pelo governo e transformado em estradas, escolas, hospitais e tudo o mais.

        Ocorre que o dinheiro dos capitalistas está aplicado de mil maneiras, e quem confisca-lo joga no pobreza todos aqueles que dependem direta ou indiretamente da forma como o dinheiro está aplicado. Você acredita mesmo que beneficia o país tirando o capital das mãos de quem é capaz de empreender para colocá-lo nas mãos de quem só sabe desviar para caixa 2 e contatar empresas de parentes?

        • Enton o pobrema não é a maior arrecadação, são os desvios. Então a solução não é arrecadar menos, é arrecadar mais e desviar menos, e não arrecadar menos e desviar mais

  10. A realidade social do país foi sequestrada e é refem da tal reforma. Segundo o próprio governo só vai acontecer alguma coisa depois da privatização ( que eles chamam de capitalização ) da previdência.
    No momento a miséria, o desemprego e a desesperança vão acabar assim que a tal reforma for sancionadade. Segundo a grande mídia tudo irá melhorar depois da tal Reforma. Eles falam de evitar um caos no futuro enquanto o caos já está instalado. Mas para a chantagem e ameaça ter efeito a população é é bombardeada todos os dias nos telejornais. Nos telejornais o Brasil é uma campanha pela Reforma e Privatização e um espetáculos de mortes e balas perdidas.
    O autista Guedes, não tira os olhos da planilha e por detrás dos títulos demonstra uma profunda ignorância ( ou talvez ganância) sobre a economia real de um país. Mas tenho quase certeza que depois da Reforma ele volta para os Estados Unidos.
    A Reforma da qual somos reféns deixa o país parado e estagnado, pois segundo eles os empresários, só vão investir quando estiverem seguros de seus lucros, o governo não vai investir porque tem que poupar eo Palácio continua sua cassa às bruxas, agora pretendendo acabar com a educação pública assim que acabar com a previdência.
    Eu não consigo compreender como este governo tem apoio da indústria e de outros segmentos da economia real não da virtual. Ou talvez faça parte do plano colocar todo o país na bolsa de Nova York, e decretar definitivamente que vamos obedecer as leis do mercado.

  11. É sempre um grande prazer ler os artigos do André Araújo. Assim como o André e o Nassif, eu também sou economista autodidata, sem o maneirismo e ideias pré-concebidas do cabeções, e afirmo sem nenhum medo de errar, compreendo a ciência econômica muito mais que os cabeções ortodoxos, que no fundo apenas labutam em causa própria, com interesse financeiro. No Rio é a mesma coisa, nunca vi tamanha quantidade de pedintes, é profundamente lamentável. A escolha de Levi para o ministério da fazenda foi o início de tudo, ou o fim da era de ouro do presidente Lula.

  12. A propósito, André, uma dúvida que tenho há algum tempo, como pode haver taxas negativas? Por que alguém compraria títulos a juros negativos, não seria melhor deixar o dinheiro entesourado em bancos? Até hoje não consegui achar alguém que saiba essa resposta. Parabéns pelo grande livro!

    • Meu caro, não há o que fazer com a liquidez grafica. Os bancos precisam deixar a liquidez em algum lugar, o Banco do Japão é o unico lugar onde fazer o “parking”, o empoçamento dessa liquidez, não é papel que possa ser guardado em cofre, é liquidez que tem dois caminhos: ou emprestam com algum risco ou deixam guardada em algum lugar. No Japão o unico lugar para qualquer volume é o Tesouro e esse para aceitar guardar cobra uma taxa, assim como um guarda moveis cobra pela aramazenagem de mesas e sofás.

      • Caro André Araújo, no Japão simplesmente não existem roubos. As empresas ou pessoas poderiam deixar o dinheiro em cofres, ou nos bancos. Os próprios bancos não teriam necessidade de fazer colocações no Banco do Japão, simplesmente deixariam em guarda própria e não perderiam dinheiro. Ainda não consigo entender. Abraço.

        • Meu caro, não é dinheiro fisico, é dinheiro contabil, centenas de bilhões de yens, precisam ficar em algum lugar sem risco.

  13. Somos um projeto de enorme sucesso. O Golpe Fascista de 1930 inventou este Estado das Ditaduras de Federações e Cartórios. Uma Nação sem Sociedade. Uma Elite que se sustenta direta ou indiretamente do Estado e Poder Público, enquanto uma Legião de Zumbis, apenas ruminam. 88 anos de enorme sucesso !! Os 4.500 Reais de Auxílio-Moradia, que Moro reclamava serem indispensáveis ao parco salário de uns 32.000 Reais como Juiz, estes 4.500 Reais, são Rendimentos maiores que os Vencimentos de mais de 93% dos Brasileiros. E estamos aqui discutindo que temos uma Democracia, uma Nação, um Futuro. E que isto de alguma, forma poderia estar comprometido. Somos Lunáticos!!! Quando em 9 décadas, Batalhões e Batalhões de Miseráveis tiveram um País? Um Emprego? Um Futuro? Não à toa, vendem território, liberdade, soberania como se fosse mortadela. A boiada assiste….

  14. O neoliberalismo foi criado para concentrar a renda. Como nenhum político ou milionário pode fazer uma campanha dizendo:
    – ei, seu pobre, eu vou roubar você, seu futuro e de seus filhos.
    Ou,
    – ei, passa a grana! Meu programa é deixar você sem educação, saúde, emprego e aposentadoria!
    Então eles dizem:”as reformas necessárias!, o ajuste fiscal!”.
    Essa reforma da previdência não vai dar nem “para o cheiro”, uma vez que o mercado DI recebe 1 trilhão por dia da sobra de caixa dos bancos. Imagine quando (sim, quando) a taxa subir a 17% a.a.
    O Brasil é o país com mais recursos do planeta. Poderia ser uma potência.
    A elite, a mídia e os milicos são esse lixo que ficou exposto.
    Quem pega no arma, realmente é bandido. É mais fácil vermos os pobres morrerem de fome, como os idosos do Chile. Ou comendo rato, como em vidas secas, ou comendo sopa de grama como já acontece na África…caminhamos pra lá?
    O desfecho da dívida sem fim é a inflação. E aí é que há a definitiva concentração de renda.
    Pois bem, depois que todo mundo estiver bem fudido: bolsominions, pobres, classe média, policiais e milicos, a direitona e a mídia dirão:
    – Deu errado porque pegamos leve.
    – pegamos leve por conta do marxismo cultural!
    – Agora vai dar certo, nós vamos pegar pesado!
    – é com vocês, Dória, Moro e dalagnhol…

  15. Como sempre, o André Araújo dá uma aula.
    Depois de ler seus artigos aqui no GGN, estou lendo o livro dele, “Moeda e Prosperidade”. Não terminei ainda mas já aprendi muito e indico a todos que quiserem compreender como funciona a economia internacional e como, nosso triste país, governando por uma elite predatória, perdeu a oportunidade, principalmente a partir da política neoliberal implantada por FHC, de ser transformar num pais economicamente independente.
    Depois do relativo sucesso dos governos Lula, temos agra essa gente no poder, que destruirá o pouco que temos de bom, como o artigo de hoje explica muito bem.
    Ao André gostaria de enviar um abraço e perguntar se ele planeja escrever outro livro, sobre os governos do PT.
    Bom dia a todos e todas.

    • Agradeço e retribuo seu abraço e a menção ao meu livro. Estou pensando em um livro compilando uma seleção de meus artigos aqui no blog, especialmente alguns reproduzidos em muitos blogs como World News, Brasil 247, DCM, Pravda, etc.

  16. Esta claro que este governo não fará nada para solucionar o maior problema brasileiro, que é o desemprego, e ainda virá com uma Reforma Previdenciária que vai empurrar as aposentadorias de todos, mas principalmente dos mais pobres que são 80% da população brasileira hoje para 65 anos, o pobre perderá o emprego aos 50 anos e dificilmente conseguirá a aposentadoria aos 65. A coisa vai explodir em breve é o que o nosso sempre atento André Araújo está percebendo, em breve teremos movimentos de rua contra a pobreza e o desemprego.
    Eu diversas vezes propus a ideia de subsidiar o emprego com uma espécie de “Seguro Emprego” que cairia diretamente na conta do trabalhador; mas uma coisa é certa este governo incompetente e ligado aos interesses dos mais ricos jamais fará algo assim. Terá vida curta.

  17. O problema está no nosso modo de pensar, sentir… viver. Anos de doutrinação capitalista, primitivista, egóica e bárbara – provavelmente nossos ancestrais fossem selvagens e vivessem apenas para livrar a própria cara – nos aleijaram da única característica que faz da gente humanos: a construção da Humanidade. Humanidade é algo que só existe quando a gente, animais potencialmente humanos, se associa em grupos. E quanto maior esse grupo, mais humanidade se faz.

    Por exemplo a gente aplaude quando um cara da iniciativa privada constrói um foguete e leva meia dúzia de multi-milionários para o espaço. Ora no que isso contribui para o bem-estar geral? Se o cabra quer fazer esse foguete, ué… que faça. Mas a gente aplaudir como se fosse de nosso interesse? Como se cada um de nós pudésse embarcar nesse foguete? Ora, não é muita alienação de nós mesmos, de nossas realidades coletivas e até individuais?

    • Wicked World
      (Black Sabbath)

      The world today is such a wicked place
      Fighting going on between the human race
      People go to work just to earn their bread
      While people just across the sea are countin’ the dead
      A politician’s job they say is very high
      For he has to choose whose gotta go and die
      They could put a man on the moon quite easy
      While people here on Earth are dying of all diseases

      A woman goes to work every day after day
      She just goes to work just to earn her pay
      Child sitting crying findin’ life much harder
      He doesn’t even know who is his father.

  18. Quer coisa mais desoladora que a manchete do último domingo no Estadão ? Os maiores empregadores nesse Brasil da austeridade são Ifoods e Uber, se é que da para considerá-los empregadores, são na verdade plataformas que dependem do bico feito pelas pessoas para conseguir alguma renda ou complementar o salário.

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