O dia em que conheci Frei Betto, por Jean Pierre Chauvin

O dia em que conheci Frei Betto, por Jean Pierre Chauvin

Deixemos o pessimismo para dias piores” (Frei Betto, em 9 de agosto de 2018)

Tinha ouvido Frei Betto falar. Tinha notícias do autor de Batismo de Sangue. Hoje o conheci.

Como membro do Comitê Lula Livre na USP, havia me comprometido a chegar antes do horário previsto para o evento ter início. Aulas pela manhã. Café com uma colega das Letras. Retirada de dois livros na Biblioteca. Reunião do Programa de Pós-Graduação.

Tomei um café correndo e parti em direção ao vão da Faculdade de História. Eram16h30. Ajudei a carregar mesas, conheci novos colegas. Conversei com amigos, especialmente sobre a necessidade de unir as esquerdas.

Aproximadamente às 17h, Armando Boito nos cumprimenta e avisa que trouxera Frei Betto em seu carro.

Instantes depois, ele caminha em nossa direção. Traz uma grande mala: são os vários livros que publicou.

Faço-lhe companhia,o tempo inteiro, a pedido dos amigos.

Daqui a pouco, a mesa para Frei Betto está posta. Agilmente, ele abre a mala de livros e pergunto-lhe se precisava de ajuda: “Sim. Vai me dando os livros, que eu vou organizando. Tem um jeito de colocar”. Daqui a pouco, lembra da conversa que havíamos estabelecido: “Você é professor de literatura, né? Vou te dar o livro que acabou de sair” [Ofício de Escrever].

E foi assim que apertei as mãos do homem. Conversamos. Montamos a banca com seus livros. E ganhei uma obra sua como presente.

O ato prosseguiu, permeado por dezenas de falas. O discurso que imperou foi o da união das esquerdas. Vários partidos e entidades se fizeram representar.

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20h15. Frei Betto conclui a sua fala para a plenária com a frase utilizada aqui como epígrafe.

Às 20h40, deixei o vão da Faculdade de História.

Tomei o primeiro ônibus, em frente a Casa de Cultura Japonesa. Tomei o segundo ônibus na Avenida Rebouças.

A poucas quadras de casa, as doses de emoção reprimidas por mais três horas agora afloram.

Obrigado, Frei Betto. Hoje reaprendi que todo homem faz parte da história.

 

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