O dia em que Javier Bolsonaro descobriu que seu amor por Trump não é correspondido, por Joaquim de Carvalho

Esse traço da personalidade de Trump já foi revelado por jornalistas que cobrem a Casa Branca: se Bolsonaro quisesse respeito de Trump, deveria ser mais discreto

Por Joaquim de Carvalho

No Diário do Centro do Mundo

Jair Bolsonaro segue Donald Trump no Twitter, e já até compartilhou postagens dele. Mas não é seguido pelo presidente dos Estados Unidos. Nunca foi. Trump segue 46 pessoas, a maior parte delas de seu círculo familiar e de amizades, nenhum chefe de Estado.

A constatação de que Bolsonaro não é seguido por Donald Trump, alardeada na rede social ontem, foi recebida por internautas como a prova do desprezo do presidente dos Estados Unidos pelo seu homólogo ao sul.

O desprezo é fato, mas a evidência não está na conta de Trump no Twitter.

A evidência veio mais cedo, quando o presidente dos Estados Unidos se manifestou sobre a tragédia do coronavírus no Brasil e considerou o país, um mau exemplo.

“Se você olha para o Brasil, eles estão num momento bem difícil. E, falando nisso, continuam falando da Suécia. Voltou a assombrar a Suécia. A Suécia também está passando por dificuldades terríveis. Se tivéssemos agido assim, teríamos perdido 1 milhão, 1,5 milhão, talvez 2,5 milhões ou até mais”, afirmou.

Foi a segunda, vez durante a semana, que Trump se manifestou com desprezo em relação ao Brasil. Na segunda-feira, anunciou que convidaria para a reunião do G7 nos Estados Unidos Rússia, Índia, Coreia do Sul e Austrália. Excluiu o Brasil

Mais tarde, Bolsonaro postou no Twitter que havia conversado com Trump por telefone e que participaria do G7 ampliado. Essa atitude é humilhante para um chefe de estado.

Em público, Trump diz uma coisa. Numa conversa particular, outra. Parece o caso de uma pessoa traída que diz aos amigos, depois que a traição se tornou pública: “você não sabe, mas ele disse que me ama, e que até vai me levar para a festa”.

Por que Trump faz questão de humilhar Bolsonaro?

Claro que se deve considerar que Trump costuma não valorizar os que o bajulam, ao contrário do que faz, por exemplo, com pessoas mais distantes.

É o caso do líder da Coreia do Norte, Kin Jong-un, já elogiado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos.

Esse traço da personalidade de Trump já foi revelado por jornalistas que cobrem a Casa Branca: se Bolsonaro quisesse respeito de Trump, deveria ser mais discreto.

O mais provável, no entanto, é que o desprezo de Trump por Bolsonaro atenda a um comportamento pragmático: a aproximação de Bolsonaro afasta eleitores nos Estados Unidos.

E Trump, apesar de aparecer com 10 pontos atrás de Joe Biden na última pesquisa eleitoral, segue firme na sua disposição de permanecer mais quatro anos à frente do governo norte-americano.

A consultora Olga Curado disse, em uma live do DCM esta semana, que a imagem de Bolsonaro como incompetente e nocivo à humanidade já está cristalizada no mundo, e é muito difícil que se reverta.

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