O esquema Lava Jato e o politicamente correto, por Luiz Carlos Soares Moreira

As eleições norte-americanas que resultaram na vitória de Donald Trump foi também uma vitória da nova forma de articulação política com o uso de “chavões”.

O esquema Lava Jato e o politicamente correto

por Luiz Carlos Soares Moreira

Se fizermos uma análise das mensagens que o site The Intercept Brasil vem mostrando sobre a fraude chamada de Operação Lava Jato, é possível ver que tudo se vincula ao movimento que se criou nos Estados Unidos quando a direita radical se apropriou da expressão “politicamente correto”, conforme detalha com maestria a entrevistada Moira Weigel.

A Lava Jato foi forjada nas entranhas do Departamento de Estado Norte-americano. A estratégia de escandalizar o nosso país usando como arma o combate à corrupção, com o apoio incondicional da mídia brasileira de maior difusão, criou uma aura de que tudo deveria ser feito, mesmo que de forma irregular, contrariando princípios legais, para atingir o objetivo perseguido. 

Alguns passaram a esgrimir a frase “os fins justificam os meios” (exitus acta probat), atribuindo-a erroneamente ao pensador renascentista italiano Niccolò Machiavelli, como uma arma para realizar todos os seus desejos, passando por cima de qualquer ordem legal, especialmente de nossa Carta Constitucional.

Mesmo hoje, quando já se sabe de toda a podridão que envolveu essa tenebrosa operação intitulada “Lava Jato”, existem pessoas que se permitem bradar aos quatro ventos que não importa se a o combate arquitetado pela designada força tarefa em conluio com o Juiz Moro esteja eivado de ilegalidades, pois o “bem” perseguido fora alcançado.

O que nos deixa mais atônitos é quando constatamos que algumas dessas pessoas que defendem esse “chavão” se autoproclamam civilizadas e detentoras de formação superior.

Ao ouvir essas idiossincrasias tenho vontade de perguntar-lhes se algumas delas conhecem alguém que defenda os meios na busca do “mal”.

Esse raciocínio bizarro desenvolvido por algumas pessoas que defendem o “meio” para atingir o objetivo perseguido sob a alegação de que se quer fazer o “bem”, nos leva a uma afirmação popular que caracteriza muito bem o nosso homem do campo, quando com sua peculiar simplicidade assim se expressa: “quem quer pegar galinha não diz xô…xô…xô.”

As eleições norte-americanas que resultaram na vitória de Donald Trump foi também uma vitória da nova forma de articulação política com o uso de “chavões”.

O que o povo quer ouvir? Deve ter sido a indagação formulada pelo seus auxiliares, comandados por Steve Bannon.

A resposta foi simples: o povo quer poder exprimir aquilo que não exprimem por serem criticados na sua ignorância e deselegância, como politicamente incorretos. O povo quer bradar palavrões, utilizar xingamentos raciais e homofóbicos, sem vergonha do que diz.

Os estudos sobre esse comando determinante do comportamento de massa foi além e observou que o “politicamente incorreto” deveria se reproduzir no dia a dia, de forma a bloquear o livre raciocínio das pessoas.

Essa estratégia foi transferida para outros países e aqui no Brasil surgiu o energúmeno Bolsonaro.

A Operação Lava Jato fez desabrochar em algumas pessoas essa ideia de que o combate à corrupção não deveria ser interrompido de nenhuma forma, mesmo que atropelasse todas as instituições, legislações e até mesmo a nossa Carta Magna.

Criou-se a ideia de que o “politicamente correto” precisava ser combatido para que os desejos espúrios reprimidos pudessem aflorar.

É preciso ter a mente totalmente bloqueada para se acreditar nessa falácia.

Redação

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