O evangelho Harry Potter dos evangélicos, por Albertino Ribeiro

Às vezes me pergunto de qual escola saíram os pastores que aparecem na televisão. Será que se formaram em um seminário mesmo ou na escola Hogwarts?

O evangelho Harry Potter dos evangélicos

por Albertino Ribeiro

Segundo pesquisa do Datafolha publicada no início do ano, 31% da população brasileira é evangélica, ou seja, aproximadamente 65 milhões de pessoas.

Os neopentecostais também fazem parte desse universo, porém, embora professem a fé em Jesus, optam por uma rigidez de comportamento que cerceia a liberdade dos fiéis e deturpam a racionalidade do evangelho, criando uma espécie de amálgama entre teologia e bruxaria à moda Harry Potter.

Às vezes me pergunto de qual escola saíram os pastores que aparecem na televisão. Será que se formaram em um seminário mesmo ou na escola Hogwarts? E o que eles ensinam aos fiéis? A busca da simplicidade do evangelho ou da pedra filosofal?

Em conversa com um amigo evangélico sobre a covid-19, ele disse que não usava máscaras e nem se importava de ficar perto de alguém doente porque havia sobre ele um manto espiritual que o protegia.

Recentemente, durante um culto realizado em uma dessas Igrejas em Campo Grande/MS, o pastor pediu para que todos se abraçassem, alegando que aquele ambiente estaria livre do coronavírus.

Tal pensamento mágico não está na bíblia, inclusive, encontramos algumas narrativas em que essa forma de comportamento é desaconselhada.

No livro de provérbios encontramos: “o prudente percebe o perigo e busca refúgio; o incauto, contudo, passa adiante e sofre as consequências”.

Em outro texto no livro de Matheus, quando o diabo leva Jesus ao lugar mais alto de um prédio e pede pra que o mestre pule, o espertalhão cita uma passagem bíblica: “aos seus anjos dará ordem para que não tropece em nenhuma pedra”. Imediatamente o mestre retruca: também está escrito: “não tentarás ao senhor teu Deus”.

Leia também:  O olhar de meu pai, por Luis Nassif

Por sua vez, a teologia da prosperidade postula que o crente, se estiver em comunhão com Deus, não fica doente e nem sofre com problemas financeiros porque ele é filho do Rei do universo e “merece o melhor da terra”. Contudo próprio Jesus disse “no mundo tereis aflições”.

Os inconvenientes não param por aí. Usando o versículo “Feliz é a nação cujo Deus é o senhor” (salmos 33), líderes religiosos ajudaram a eleger Bolsonaro para presidente acreditando ser ele o escolhido de Deus para o cargo.

Trata-se de mais um erro teológico, pois transfere o relacionamento entre o povo de Israel e Deus no velho testamento para o Brasil de hoje. Ademais, a segunda parte do versículo diz claramente: “o povo que ele (Deus) escolheu para lhe pertencer”.

Portanto, não se trata de um país fazer o catecismo para transformar-se numa nação que pertença a Deus; ele que escolheria, se ainda fosse o caso. Não existe nação, no sentido geopolítico, que pertença a Deus. Hoje, tudo isso não passa de um supremacismo religioso e descabido.

Aturdidos por esse equívoco hermenêutico, depositam sua confiança em crenças estranhas à doutrina cristã, criando indivíduos neuróticos. Estes vivem em constante dissonância cognitiva e tornam-se fortes candidatos a terem uma mentalidade esquizoide.

Albertino Ribeiro – Jornalista e Bacharel em economia.

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6 comentários

  1. “[…] Os neopentecostais […] deturpam a racionalidade do evangelho, criando uma espécie de amálgama entre teologia e bruxaria à moda Harry Potter. […]” [????!!!!]
    “Racionalidade do evangelho”? Onde?
    Um cara nasce de uma virgem, anda sobre as águas, transforma água e, vinho, ressuscita um parça, ressuscitaa si mesmo… bem racional… Um cara é feito do barro, uma mina feita de uma costela… etc. etc. etc.
    O que os neonazipentelhostais fazem é reescrever o livreto com a sua própria lógica literária: o fantástico, a fantasia. A “bibra sagrada” está mais para Harry Potter mesmo.

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  2. Proponho uma discussão mais interessante: pq não há meia ação policial para prender essa corja por charlatanismo e enriquecimento ilícito.

  3. Nassif: eu classificaria de “razoável” esse texto do Albertino. Pena não separa joio de trigo. Manda tudo pra virar farinha no Moinho doutrinário. “Evangélico” (e isso ele tem de saber) é qualquer que siga a doutrina cristã, segundo o NovoTestamento, independente se Protestante, Romano ou Ortodoxo etc. Eu, por exemplo, sigo o modelo “Protestante”, “Reformado” etc. Assim, faço parte de grupo “evangélico”, distintíssimo dos “avivados” ou da “patota da prosperidade”. O escrito dele, apesar de abordar males “avivados” e pouco recomendáveis, confunde alho com bugalho.

    • Bem lembrado pelo jcordeiro, para separar o joio do trigo, pois existem muitos irmãos protestantes, evangélicos, etc, gente boa e de bem, que não podem ser discriminados pelos os outros oportunistas.
      Paz e bem
      Sebastião Farias
      um cidadão brasileiro nordestinamazônida

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