O feirão de renegociação de dívidas é uma das esperanças dos bancos e do Estado, mas… por Rogério Maestri

Todo este imbróglio vai se transformar em breve no chamado momento de Minsky (o estouro da bolha), pois tudo está indo nesta direção

O feirão de renegociação de dívidas é uma das esperanças dos bancos e do Estado, mas… por Rogério Maestri

Muitos estão vendo uma pequena retomada de vendas no Natal, alguns acreditam na retomada outros estão descrentes, mas na realidade ela é real, mas será um belo voo de galinha.

Tanto os bancos como o governo estão num jogo extremamente perigoso, o feirão de descontos para a renegociação das dezenas de milhões de pessoas com dívidas vencidas e estão insolventes.

Somente no cartão de crédito, segundo o SPC Brasil, há 52 milhões de pessoas em débito,  em atraso em mais de 3 meses, isto não inclui os empréstimos a pessoas físicas (bancários) e/ou crédito direto ao consumidor. A renegociação dos bancos pode atingir a 90% da dívida e esta será parcelada em 100 vezes.

Da mesma forma o governo federal está fazendo uma renegociação de dívidas tributárias prevista na chamada medida provisória (MP) do Contribuinte Legal. Esta renegociação poderá atingir 70% do valor da dívida. O feirão do governo federal não é tão legal assim para os pequenos contribuintes, pois só entrarão nestes somente que está com a dívida não paga há mais de quinze anos e está disputando judicialmente o pagamento, já os grandões (quem tem dívidas de mais de R$ 15 milhões.) vão negociar diretamente com a PGFN e aí vale o QI.

As pessoas físicas no caso de contratos habitacionais da Caixa Econômica Federal, que poderão até utilizar o FGTS, serão aceitos atrasos com mais de 360 dias.

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Todo este feirão parece que tem dois objetivos, o primeiro e mais importante é salvar os balanços dos bancos e o segundo e garantir alguma liquidez maior no mercado.

Porém, sempre existe um porém, quem está em dívida com cartões, cheque especial, crédito direto e qualquer outro tipo de financiamento, vai pagar as primeiras parcelas e depois esgotado as reservas vai entrar no vermelho de novo, pois o que é certo mesmo é que os salários estão caindo, e se não conseguiram pagar com salário e estabilidade maior não vão conseguir agora.

O jogo é simples, o governo libera uma parcela do FGTS, pequena, mas como em torno de 55% das dívidas estão entre R$500,00 a R$999,00 a parcela liberada do FGTS cobre de 100% a 50% das dívidas.

Toda esta engenharia que o governo está montando é para chegar até próximo às eleições, porém como ressaltei em outro comentário que virou um artigo, o que não está sendo levado em conta são dois fatores que tudo isto não resolverá, a produtividade da indústria e a baixa lucratividade das mesmas.

O governo pretende simplesmente torrar todas as reservas internacionais, baixando inclusive os impostos de importação, incentivar um comércio baseado na importação a custo baixo (tipo a das lojas da Havan), e lá pelo fim de 2020 ou meio de 2021 estaremos no FMI como a Argentina chegou com o Macri.

Porém (de novo outro porém), o problema que se aproxima no nosso país com grande velocidade é igual o que já está acontecendo nos países europeus e nos USA, uma provável insolvência bancária com o desnudamento que os Bancos brasileiros irão sofrer, a queda de seus rendimentos devido as taxas de juros decrescentes que tenderão a zero e negativas na média (ou seja, a soma dos juros absurdos de poucos que pagam com a soma zero dos que não pagam).

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Todo este imbróglio vai se transformar em breve no chamado momento de Minsky (o estouro da bolha), pois tudo está indo nesta direção, por exemplo, a subida dos valores nas bolsas de valores, tanto aqui como nos USA sem que haja nenhuma sinalização que o capital investido valha realmente. O problema básico é que na atual situação o setor financeiro é o verdadeiro inimigo dos trabalhadores e junto com eles dos setores produtivos do capitalista (que ficaram dependentes dos lucros e do poder do capital financeiro). Assim, estamos na beira de uma crise do capitalismo que não é causada pela queda da lucratividade do capitalismo (que já caiu o que tinha que cair), mas sim na “fragilidade” das instituições financeiras que emprestaram de forma irresponsável a juros escorchantes no passado e com a queda das taxas de juros (juros dos que pagam menos os juros dos que não pagam) e cheias de dívidas.

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