O impacto da política ambiental brasileira no agronegócio, por Paulo Henrique 

Em um cenário de ameaça de recessão mundial, o país pode estar na contramão da economia mundial, estampando o selo de “ambientalmente incorreto”, comprometendo as exportações do agronegócio e, por consequência, diminuindo nosso PIB.

O impacto da política ambiental brasileira no agronegócio

por Paulo Henrique 

A desastrosa política ambiental do Governo Bolsonaro, encabeçada pelo Ministro Ricardo Salles poderá trazer muitos prejuízos ao agronegócio brasileiro. Em pouco mais de 7 meses o Brasil já comprou briga com a França, Alemanha e Noruega. Mais ainda, criou tensões desnecessárias com 195 países signatários do Acordo de Paris.

Até junho o Ministério da Agricultura já havia liberado o uso de 197 agrotóxicos com 49 incluídos na escala de e “extremamente tóxicos” – alguns desses proibidos no restante do mundo. Em números absolutos, isso significa que o Brasil utiliza 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano, sendo o maior consumidor mundial (IBAMA e ANDEF, 2019). Os impactos disso para a contaminação de fontes de água e morte de insetos polinizadores já começam a afetar certas cadeias produtivas. Um exemplo dramático é o sumiço das abelhas em algumas regiões do país. Pesquisas divulgadas pela UNESP apontam para o papel dos inseticidas nesse sumiço gerando impacto na polinização de plantas e na produção de mel.

O INPE foi duramente atacado pelo Ministro do Meio Ambiente e pelo próprio Presidente da República. O Diretor Ricardo Galvão, figura conhecida e respeitada no meio científico nacional e internacional, foi exonerado do cargo – mesmo com mandato – por ter divulgado dados do desmatamento da Amazônia revelando que em julho de 2019 houve aumento de 278% no desmatamento na nossa principal floresta tropical, em relação ao mesmo período de 2018. Pronto, foi o estopim para o Governo chamar o Diretor do INPE de “mentiroso” e “sensacionalista”. Pior ainda, desacreditaram a metodologia de um dos institutos brasileiros mais respeitados.

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Como consequência, a Alemanha anunciou o congelamento de R$ 156 milhões de reais para o Fundo Amazônia e, agora, a Noruega anuncia o congelamento de mais R$ 134 milhões. Ao todo, quase R$ 300 milhões de reais que seriam destinados a pesquisas e mapeamento da situação de desmatamento e preservação da floresta, estão cortados. O Governo? Faz pouco caso e o Presidente ainda sugere que esses recursos sejam aplicados no reflorestamento da Alemanha – país europeu que já reflorestou mais de 1 milhão de hectares e possui 1/3 de seu território coberto de florestas -.

A imagem que o Brasil de 2019 passa para o mundo é a de um país que não respeita o meio ambiente e, num momento em que os países desenvolvidos passam a valorizar o consumo de produtos ecologicamente sustentáveis, nossos produtos do agronegócio podem sofrer sanções e passar a ter dificuldade de entrar em países europeus e asiáticos.

Estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) revelam que, em 2019, a agricultura e a pecuária brasileiras contribuirão para 23,5% do PIB do país. Em um cenário de ameaça de recessão mundial, o país pode estar na contramão da economia mundial, estampando o selo de “ambientalmente incorreto”, comprometendo as exportações do agronegócio e, por consequência, diminuindo nosso PIB.

Paulo Henrique – Professor Associado I da Universidade Estadual do Piauí. É biólogo e cirurgião-dentista formado pela UFPI, mestre e doutor em Ciências pela UNIFESP. É membro da Sociedade Europeia de Doenças Infeciosas e ex-candidato ao Senado pelo Piauí em 2018.

2 comentários

  1. ‘A caravana passa, enquanto os cães ladram’. Não senhor, sim senhor… 9 décadas de Estado Caudilhista Absolutista Esquerdopata Ditatorial Fascista chegam ao fim. Com ele vai-se a Síndrome de Cachorro Vira Latas. Coincidência, a volta de um Presidente Paulista depois de 9 décadas? Afinal estamos na Pátria das Coincidências.

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