O maior desafio é sempre o primeiro, por Sergio da Motta e Albuquerque

O maior desafio é sempre o primeiro, por Sergio da Motta e Albuquerque

Por quê este texto é importante?

O ano de 2018 foi muito difícil para quase todos os brasileiros. Foi um ano de discórdias que ainda parecem insuperáveis, neste momento. Amizades desfeitas, famílias divididas, amores assassinados. Vivemos isso tudo. Poucas vezes em nossa História estivemos tão divididos.

A cena de horror acontece todos os dias sob o manto obscuro dos sentimentos. Mutos brasileiros sentiram que um determinado ex-presidente foi o pior demônio que já governou o Brasil. E que o nosso país afundou por sua culpa. Não puderam provar, com provas totalmente transitadas em julgado, que algum dia houve tal culpa. Mas a percepção da sociedade de que houve o maior escândalo de corrupção da História deste país, e que ele foi provocado por Lula, foi incontestável: a maior parte do povo acreditou nisso. Haddad foi derrotado. A percepção pobre, manipulável e corrompida que temos dos fatos concretos foi, e é maior e mais forte que a realidade factual. A crença irracional asfixiou a razão, e a ignorância foi, mais uma vez, mais poderosa que a lei. Acreditamos que o ano de 2019 vai ser melhor porque precisamos muito de um período de tempo para respirarmos em alívio. Nada indica que este tempo virá. O cansaço e a raiva aumentam, entre a população.

Agora, com o início grosseiro, sectário e divisivo do novo governo, o ódio entre nós parece aumentar. Mas há quem saiba lidar com esses afetos perturbados dos que não aceitam um governo inepto e maléfico que, infelizmente, acabou sendo preferido nas urnas. Sem uma proposta sequer. Como não sentir frustração e raiva?

Leia também:  Foi golpe! E agora, MP?, por Daniel Serra Azul Guimarães

Há, para nossa felicidade, quem consiga equilibrar seus impulsos de desamparo, desprezo e ódio. Um deles é Toni Pelosy, músico, engenheiro de som, produtor musical e amigo da democracia. Toni é uma alma gentil como há muito não vemos. Este texto abaixo veio de seu perfil no Facebook – um campo minado de ressentimentos e enfrentamentos diários. Toni rompe com isso tudo, e propõe uma alternativa ao ódio que nos divide agora. Vamos ler o texto dele.

 

    O maior desafio é sempre o primeiro

                                                                                                                             Toni Pelosy

 

Acordo no primeiro dia do ano com o primeiro desafio: escolher entre afeto e o

imediatismo. Por imediatismo, eu iria banir um amigo ( talvez mais) da minha vida.
 

Mas por afeto, fui olhar com o olhar da minha alma para o seu coração. Pessoa boa,

generosa, mas principalmente ‘‘amiga’’. Penso: assim como uma doença, o ódio

dele por questões políticas vai passar. Como tenho visto sempre, pela decepção e

isso passa cedo ou tarde. Desconheço uma pessoa (que não seja fanática, claro) 

que não tenha se decepcionado com seu ídolo político.<img alt="” src=”/sites/all/modules/wysiwyg/plugins/break/images/spacer.gif” style=”border-width:1px 0px 0px;border-right-style:initial;border-bottom-style:initial;border-left-style:initial;border-right-color:initial;border-bottom-color:initial;border-left-color:initial;border-image:initial;border-top-style:dotted;border-top-color:rgb(204, 204, 204);margin-top:1em;width:582px;height:12px;” title=””>

Leia também:  Demissão de Bolton mostra a face diplomática de Trump

Mas no caminho ‘da real’, muitas marcas das desavenças ficam pelo caminho. Se 

durante este percorrer o amor plantado não for valorizado e se eventuais

dissabores não forem neutralizados ficarão as cicatrizes.
 

Penso que entre amigos e amigas, as únicas cicatrizes permitidas são as da vida –

até como atestados do convívio, da história.
 

Então, entre a rusga e a compreensão, esta última me faz calar sem encolher. Rezo,

medito, torço para que a doença possa se auto-curar com a vacina do afeto

aplicada em doses regulares nos corações que padecem de ódio.
 

 

 

Um bom ano de paz, compreensão e respeito pra todo mundo.

 

                                                Original publicado no Facebook no dia 5 de Janeiro de 2019

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

4 comentários

  1. Meu ídolo político é o Lula e

    Meu ídolo político é o Lula e eu NÃO estou decepcionado com ele.

    Estou é muito indignado e revoltado com o que estes bandidos de toga estão fazendo com o maior presidente da história do Brasil.

    Torço muito para que, ainda em vida, eu veja estes sanguessgas miseráveis do sangue do povo brasileiro pagarem pelo mal que fizeram ao Brasil desde 2005.

    Eu acredito que toda desgraça que estamos vivendo neste país é responsabilidade direta destes salafrários.

    Se dependesse de mim seriam TODOS fuzilados.

  2. É uma atitude elevada, mas

    É uma atitude elevada, mas não acredito que resolva os conflitos. Mesmo porque, conflitos dessa ordem tem raízes profundas e não será a tentativa de um diálogo que irá resolvê-los. Os EUA  precisaram de uma guerra civil para sair de um impasse. Aqui, a  desigualdade social talvez seja a maior do mundo, em termos relativos. Lula tentou mudar essa realidade, de forma pouco profunda, e mesmo assim e por isso mesmo, foi perseguido e preso.

  3. Se eu
     

    Se eu for me livrar de minhas amizades por divergências ideológicas vou ficar sem amigo nenhum.

    As minhas maiores amizades com uma exceção apenas, são coxinhas.

    Para a minha alegria, entretando, meus amigos não coxinhas, botaram  a família  no avião  e foram  por 4 dias seguidos dar  Bom Dia Presidente Lula!  lá na República do Paraná, no acampamento da resistência.

    Eles, internacionais que são, com filho que mora e estuda na Alemanha, e filha que vai fazer medicina, acompanharam-se dele também para essa maratona e foram  todos portar-se como verdadeiros patriotas.

    Abençoei-os.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome