O marronzinho da Folha de S.Paulo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Corre um boato de que o trabalhado mais difícil na atualidade é aquele atribuído à Ombudsman da Folha de São Paulo. De fato, é impossível desmentir dezenas de páginas de um jornal numa única coluna.  Tudo indica que a Folha de São Paulo se transformou num exemplo típico de imprensa marrom https://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa_marrom

Os primeiros indícios deste fenômeno remontam à comprovada ficha falsa de Dilma Rousseff que o jornal alegou que poderia ser verdadeira. Antes disto, porém, o dono do jornal havia chamado a ditadura de ditabranda. A dita certamente foi branda com os barões da mídia. A família Herzog, contudo, sabe exatamente como a dita tratou de forma dura os jornalistas.  

A tentação da mentira é imensa. Considerado um pecado capital pelos judeus, o falso testemunho tem sido fonte de miséria e sofrimento desde tempos imemoriais. Julio César, ele mesmo um consumado mentiroso que encobriu as brutalidades que cometeu na Gália e na Espanha, disse que em seu Belum Civile:  

“Nonnulla etiam ab iis qui diligentiores uideri uolebant fingebantur”    

“Algumas notícias eram fruto da imaginação mesmo daqueles que queria passar por mais bem informados.” (A Guerra Civil  – edição bilíngüe, tradução de Antonio da Silveira Mendonça, Estação Liberdade,  São Paulo, 1999, p. 170-171) 

Impossível esquecer que George Bush Jr. conseguiu invadir o Iraque repetindo a exaustão que Saddan Hussein tinha armas de destruição em massa. A imprensa dos EUA repetiu estas mentiras como se fossem verdades inquestionáveis e, mesmo depois de admitir seu erro, sequer cogitou a necessidade de indenizar os familiares dos iraquianos despedaçados e mortos durante a sangrenta campanha imperial norte-americana.  

As mentiras contadas pelo governo norte-americano para iniciar a segunda Guerra do Iraque lembram muito aquelas que foram contadas para justificar a Guerra do Vietnan. Sobre estas disse Hannah Arendt:  

“Em circunstâncias normais o mentiroso é derrotado pela realidade para a qual não há substituto; por maior que seja a rede de falsidade que um experimentado mentiroso tenha a oferecer, ela nunca será suficientemente grande para cobrir toda a imensidão dos fatos, mesmo com a ajuda de um computador. O mentiroso que consegue enganar com quantas falsidades comuns quiser, verá que é impossível enganar com mentiras de princípios. Esta é uma das lições que podiam ser apreendidas das experiências totalitárias e da assustadora confiança de seus dirigentes no poder da mentira  – na capacidade de, por exemplo, reescreverem a história uma e outra vez para adaptar o passado à ‘linha política’ do momento presente, ou de eliminarem dados que não se ajustam às suas ideologias.” (Crises da República, Hannah Arendt, Perspectiva, São Paulo, 2013, p. 16/17) 

Nós não estamos em guerra. Mas a imprensa paulista parece ter declarado guerra ao governo do PT. Em razão disto, a Folha de São Paulo rebola para produzir e divulgar mentiras que realcem a justiça da pretensão dos golpistas e que desmereçam os argumentos racionais em favor da preservação do mandato da presidenta eleita pelos brasileiros. 

O princípio do poder é a realização de eleições e o respeito ao Tribunal que as organiza, proclama o resultado e empossa os candidatos eleitos. Uma parcela da mídia, contudo, parece querer ela mesma eleger o presidente do Brasil, como se o país não tivesse um povo ou como se este mesmo povo não pudesse ser dotado de soberania. O golpe vira impedimento e este se torna um substituto para o poder do povo, cabendo aos donos dos jornais dizer não só quem não será o presidente como quem pode receber a faixa presidencial. 

A guerra não é um princípio. Mas certamente começará em razão da negação do mesmo. Quem perde a eleição não governa. Quem ganha governa até o fim do mandato. Qualquer outra solução levará inevitavelmente à destruição de toda e qualquer possibilidade de coexistência pacífica entre os partidos políticos, entre o exército e seu povo e entre aqueles que fazem parte deste e votam de maneira distinta. 

Octavio Frias de Oliveira Filho era um mentiroso sofisticado. Nos últimos meses ele se transformou num boneco de ventríloquo. Quem está puxando as cordinhas que fazem seus lábios se moverem e dita as enfadonhas cantigas de maldizer publicadas na Folha de São Paulo e que estão levando o país para o abismo?  

Ao ver uma foto do dono da Folha hoje lembrei de outra figura caricata do jornalismo brasileiro: o Marronzinho https://pt.wikipedia.org/wiki/Marronzinho. Não foi ele que inventou a imprensa marrom, mas ele a produziu muito e se deu mal. Há alguns anos atrás, após ter cumprido pena e ser convertido em nome de Jesuis, ele ainda podia ser visto na Rua Antonio Agu (no centro de Osasco-SP) fazendo arengas evangélicas num megafone. Se não tomar cuidado, Otavinho poderá substituir Marronzinho em breve.  

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora