O pior tipo de argumento é…, por Matê da Luz

por Matê da Luz

Hoje vai ser um post-desabafo, algo rápido e rasteiro, mas que olha, vou te contar: tem cansado, e não é pouco não, querer entrar em diálogo. Porque não sei se acontece o mesmo por aí mas 1- as pessoas já estão com as armas levantadas; 2- você mal começa a falar e já é colocada num escaninho (direita, esquerda, hétero, homo e por aí vai…) e/ou 3- quase sempre o povo foge do tema pra te agredir como retruco. 

Um exemplo: você escreve ou fala que gosta muito do Obama, que está emocionada com o discurso dele para a mulher e que de repente encararia um romance pra vida toda com alguém que topasse esse tipo de parceria, ai, que lindo é o amor. Daí tem um ou dois perto de você – ou muitos pra comentar, se for em rede social, porque, né?, pra que conversar se a gente pode postar? – e já começa: “mas os democratas isso, os democratas aquilo”. Gente, eu não tô defendendo política. Não tô falando que o cara foi o melhor presidente do mundo, impecável ou coisa assim – tô falando que ele é um marido fofo e que, quem sabe, eu queira um marido assim, embasada somente pelo que vi publicamente naquele vídeo. 

Outro exemplo é quando a gente faz realmente uma crítica a algo e, no lugar de dialogar sobre o tema, as pessoas começam a desqualificar a gente. Tipo isso: “achei a medida do Doria de querer privatizar bibliotecas públicas uma droga”- e as pessoas começam: “mas e o Haddad? O que ele fez? Ciclovia? Ah, petista…”. Veja bem: eu posso não gostar de algo que o Doria fez porque a escolha é ruim mesmo, sabe? Não é só porque “ele não é o Haddad”, e eu dou risada escrevendo isso porque ao mesmo tempo que geral se aprofunda quando o contexto é superficial (como na questão do marido acima), se esquiva de dialogar quando o assunto vale. 

Mas, vamos lá, respiro e sigo porque, como dizia Cassia Eller, o mundo está ao contrário e ninguém reparou e, enquanto isso, a gente segue cada vez menos se comunicando e cada vez mais se estrumbicando por aqui. 

Hunf! 

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