O preço da sentença do Lula? Apitos para cachorro de Procusto, por Armando Rodrigues Coelho Neto

O Brasil pode se surpreender a qualquer momento como o fato de, entre os recados transmitidos pelos apitos para cachorro, possa vir a qualquer instante a senha para golpe. Alerta! Alerta! Desperta! Barata se mata no chão. Depois que voa é mais difícil.

O preço da sentença do Lula? Apitos para cachorro de Procusto.

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Antas, bois, jumentos e porcos, entre outros têm sido objeto de depreciação quando são comparados aos bolsopatas. Aceite desde já o leitor nossos pedidos de desculpas, pois animal algum merece a comparação com quem tem o dever de ser racional e se comporta à revelia da ciência e do avanço civilizatório.

“Dog-whistle” (apito para cachorro) é uma espécie de apito que emite sons em frequência mais alta, e que não é captada pelo ouvido humano. Mas que é facilmente percebido pelos os cães. Na política, a expressão é usada para ilustrar discursos como o do Bozo. Com esse apito, manda recados fascistas para seus cúmplices.

De há muito falo não haver equívoco nas imagens, falas, erros grotescos da caterva que se instalou no Planalto Central. Primeiro se erra para mandar uma mensagem, depois corrige e manda outra. Quando Moro, então comparsa de Bozo, mandou enquadrar Lula na Lei de Segurança Nacional, não foi erro e sim recado.

Quando Bozo iria liberar R$ 200 reais para ajudar trabalhadores durante a crise da pandemia Covid-19, o Congresso aumentou para R$ 500. Bozo subiu para R$ 600 e levou louros. Enquanto a massa crítica se detém na aglomeração de pobres buscando o dinheiro, ele libera R$ 1,2 trilhão aos bancos, quer “passar a boiada”.

No chiqueirinho do Planalto, onde Bozo ofende jornalista e agride a Nação, Bozo manda recados similares aos fascistas. A título de bênçãos, patifes levantam a mão. Nesse momento, Bozo está falando com evangélicos e fascistas. De quebra, profere frases que viram lacração para uso da súcia e facções de sua matilha.

Tudo faz parte do zumbir do apito para cachorros do Bozo. A página Meteoro Brasil, no YouTube, é didática sobre DOG-WHISTLE POLITICS, uma expressão utilizada por institutos de pesquisas eleitorais (EUA), popularizada pelo jornalista William Safire. Cada parte de um discurso político é dirigida para um tipo de cão (pessoa).

No Brasil, fingindo saudar os produtores de leite, Bozo fez um brinde com um copo de leite, mandando dois recados ao mesmo tempo: um de apoio aos produtores de leite e outro para os fascistas com o seu apito para cachorros. Os supremacistas raciais brancos se orgulhavam de ser intolerantes a tudo, menos à lactose.

Bozo tentou disfarçar a mensagem fascista, mas Alan dos Santos, blogueiro seu apoiador (acusado de difundir fake news), não. Ele repetiu o gesto afirmando que “entendedores entenderão”, tendo ao lado um comparsa que diz “subliminar, subliminar”. Foi um apito para “supremacistas mulatos e mestiços”.

Nesse contexto, os produtores do Meteoro Brasil destrincham o truque do DOG-WHISTLE POLITICS, que é a política feita com apito pra cachorro. Um dos asseclas do “presidente”, Roberto Alvim, foi demitido da pasta da Cultura, ao mandar recado para os nazistas, imitando Joseph Goebbels (propagandista do nazismo).

Com apitos dirigidos a vários grupos de cachorros uma ameaça está no ar. No site OUTRASMÍDIAS, o sociólogo Cândido Grzybowski diz que “Já entramos num perigoso caminho de desconstrução da democracia”. Na aparência formal existe, mas princípios e valores éticos e políticos vitais estão sendo corroídos.

Com palavras de Umberto Eco, vários sinais inequívocos da ascensão do fascismo são apontados. O nacionalismo vulgar, elemento agregador entre seus adeptos, é um deles (hoje presente na apropriação da bandeira nacional), enquanto se tratam como “patriotas”. Com ares caricatas, usam a camiseta da corrupta CBF.

Outro elemento é o culto da tradição, pois toda a verdade já está revelada há tempos. Enquanto isso, há repulsa ao modernismo, a negação da ciência (pandemia é gripezinha), conquistas humanas configuram perversidades da ordem natural. A terra é plana e mudança climática é uma “invenção de comunistas”.

Rejeição ao pensamento crítico é uma regra. Aceitar a verdade da ordem estabelecida (por eles) é sentença e toda divergência é traição. A “escola sem partido”, que na verdade tem partido, integra seus dogmas com desprezo ao debate. A liberdade de expressão é a liberdade de expressão de suas verdades, sem debate.

Os diferentes não são bem-vindos e tratados como criminosos. São também racistas e para sustentar suas bandeiras a vida tem que ser uma guerra permanente. Violência é regra, paz é balela. Desse modo, até em pandemia o cidadão tem que ser um soldado, como diz Bozo. É nesse rol que entra o culto à morte pela luta.

Heroísmo. O herói é um ser excepcional, sem medo da morte. O herói vira mito real. É assim que tratam o controvertido episódio da facada, no melhor estilo do folclórico personagem Odorico Paraguaçu (novela O Bem Amado – Globo). Ali, o que seria um falso atentado, por fatores extras, resultou na morte de Odorico.

Machismo é virtude tão definitiva que ambientalistas são tratados como homossexuais. Visto como doença ou desvio de caráter, o homossexualismo permanece sob flagrante hostilidade.  O machismo avança pelo patriacarlismo, de forma que a questão sexual se faz presente nas relações de poder.

Com acerto, a visão de Umberto Eco era de que estava em curso um populismo de ficção, que hoje se sedimenta em postulados do fascismo. Os apitos são claros.

O Brasil pode se surpreender a qualquer momento como o fato de, entre os recados transmitidos pelos apitos para cachorro, possa vir a qualquer instante a senha para golpe. Alerta! Alerta! Desperta! Barata se mata no chão. Depois que voa é mais difícil.

Um dos fortes substratos do fascismo é a intolerância. É nesse ponto que reporto o leitor ao mito de Procusto. Na mitologia grega, para atrair os viajantes que passavam na estrada próxima da sua casa, eles eram seduzidos por Procusto. Depois que os hóspedes dormiam, ele os amarrava à uma cama de ferro e os amordaçava.

Se o hóspede fosse maior do que a cama, suas pernas eram cortadas para se ajustar ao tamanho do leito. Caso fosse menor que a cama, era esticado para que ficasse do mesmo tamanho. Em qualquer uma das situações, as vítimas morriam.

Esse mito é utilizado nos debates psicológicos sobre a intolerância e a inteligência emocional. Muitos brasileiros correm o risco de terem que se adaptar, sem chances de sobrevivência, ao tamanho da cama que Bozo, com apoio militar, pretende impor. Sob o espectro de Procusto, Bozo já deu claros sinais de intolerância.

A síndrome de Procusto é marcante nos intolerantes, nas pessoas com perfis frustrados ou autoestimas frágeis. Irascíveis, não têm controle sobre suas emoções, tomam como ofensa as capacidades e acertos dos outros. Têm medo de mudança e possuem uma postura/posição irracional. Sucesso alheio é agressão.

Como se vê, a sentença contra Lula teve um preço muito alto para a Nação. É preciso urgentemente tirar o apito e faixa do louco que “preside” o país. Com a mesma pressa, é preciso, sobretudo, neutralizar seus cães sem focinheira.

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

https://outraspalavras.net/outrasmidias/onze-sinais-do-fascismo-segundo-umberto-eco/

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