OCDE e governo Bolsonaro, a água e o vinho, por Andre Motta Araujo

Então achar que entrar na OCDE é ganhar na loteria é pura ignorância, vale tanto como ser membro do clube Marriot, que dá desconto no bar do hotel.

Foto Agência Brasil

OCDE e governo Bolsonaro, a água e o vinho

por Andre Motta Araujo

Os que no Brasil propõem a entrada do Brasil na OCDE não devem ter a mínima noção das vantagens e desvantagens do Brasil como país membro da OCDE, entidade intergovernamental criada a partir da Administração do Plano Marshall em 1948, sediada no Chateau de La Muette em Paris.

Devem achar que é bacana ser sócio do clube dos ricos, que também tem remediados como México, de onde vem o diretor-geral e Grécia, que quebrou como Pais e chegou no fundo do poço do caos financeiro, sendo sócia fundadora da OCDE, que NÃO é um clube dos ricos, é muito mais do que isso.

Achar que ser sócio da OCDE dá um selo de qualidade a um País. O México é sócio há quinze anos, o diretor geral foi Ministro da Fazenda do México e o país cresceu em 2019 menos que o Brasil, que cresceu uma merreca. Então achar que entrar na OCDE é ganhar na loteria é pura ignorância, vale tanto como ser membro do clube Marriot, que dá desconto no bar do hotel. Alguns tontos acham que com essa entrada virão mais investimentos ao Brasil e os juros irão baixar nos empréstimos, tolices de quem não tem a menor noção de geopolítica e economia global.

O QUE A OCDE É E NÃO SERVE AO BOLSONARISMO

A OCDE é tudo o que o governo Bolsonaro não é e não quer ser. É uma entidade de gente civilizada que dá grande valor aos direitos humanos, à cultura, à educação, ao meio ambiente, a saúde e à evolução da humanidade, não tem nada lá de obscurantismo, terraplanismo e negacionismo.

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A equipe econômica deve achar ótimo entrar na OCDE porque podem usar a entidade como álibi para cortar gastos e ajustar o orçamento.

Mas o DNA da OCDE é o humanismo que vem de um projeto generoso como foi o Plano Marshall, inspiração de um dos grandes estadistas do Século XX, o General George Marshall, Comandante Supremo dos Exércitos dos EUA na 2ª Guerra e depois Secretário de Estado do Presidente Truman.

Toda a cultura, o ambiente iluminista, todo o projeto da OCDE é frontalmente contrário a tudo o que o Governo Bolsonaro faz na administração do Brasil.

Por isso parece incompreensível, mesmo descontando a ignorância cavalar dos proponentes dessa aventura, que o Brasil veja alguma vantagem nessa candidatura CUJO TESTE se dará já na votação da entrada, onde haverá oposição de alguns e armadilhas de outros, exigindo cumprimento de metas, especialmente de meio ambiente. Entrar nessa entidade, para esse Governo, é de uma incongruência única, nada tem a ver.

PORQUE O BRASIL PASSOU À FRENTE DA ARGENTINA

Na fila de pretendentes ao ingresso na OCDE, a Argentina DE MACRI estava à frente do Brasil, que tinha protocolado seu pedido no Governo Temer.

Mas com a eleição de Alberto Fernandez para a Presidência da Argentina esse País perdeu o interesse em ingressar na OCDE. O Plano Econômico de Fernandez é inteiramente fora das regras da OCDE, situação onde não teria sentido a Argentina agora entrar na entidade.

Portanto o repatrocínio de Trump não é favor nenhum ao Brasil, simplesmente é o reconhecimento da nova situação após a eleição de Alberto Fernandez. O apadrinhamento de Trump é simples cortesia, o ingresso do Brasil depende do voto unânime dos 36 membros, o que diante da política negacionista de meio ambiente do Brasil tem riscos.

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TRUMP E A OCDE

A ironia da cortesia de Trump, cortesia gratuita, em relação a OCDE, é que Trump detesta a entidade e não dá a mínima importância a ela.

Mas para o Brasil os custos já são altos, o Brasil deixou o status de país emergente na OMC, o que trazia grandes vantagens tarifárias para a exportação de produtos brasileiros. Já o ingresso na OCDE, se aprovado, não trará qualquer vantagem ao Brasil, MAS vai criar constrangimentos e obrigações em mais de 100 requisitos, limitando a margem de manobra do Estado, razão pela qual governos anteriores do Brasil não se interessaram nesse ingresso.

O Brasil NUNCA precisou de padrinhos para entrar na OCDE, sendo um dos cinco maiores países do mundo. Hoje, o apadrinhamento dos EUA é até negativo para esse ingresso, que não depende deles. Na atualidade, com más relações gerais com a Europa e com a OCDE, não se entende o porquê dos EUA levar o Brasil pela mão, como se o Brasil fosse um anão que precisa de muletas, é ridículo e humilhante e ainda acham isso bonito. Desde quando o Brasil precisou de padrinhos para ser sócio de mais de 100 organizações intergovernamentais e multilaterais, sócio fundador como na ONU e OEA.

A EQUIPE ECONÔMICA E O CÍRCULO OBSCURANTISTA

A equipe econômica pensa tirar vantagens na OCDE porque ela estipula constrangimentos na linha do que a equipe pensa, MAS para o círculo obscurantista de meio ambiente, educação, cultura, patrimônio histórico, direitos indígenas, direitos humanos, a OCDE é a negação frontal do que pensam os bolsonaristas.

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É impressionante a desorientação, o desconhecimento, o ilusionismo que se vê nos círculos governamentais, tudo reverberado pela mídia sabuja, sobre esse evento OCDE, mais uma das pataquadas de nossos tempos sombrios. Se nossa grande diplomacia não viu vantagens antes, por que agora?

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3 comentários

  1. Pegando aquele ônibus lotado custando quase 7 reais a passagem, depois de espera de mais de 40 minutos, realidade de décadas, pensei: ‘pelo menos o Brasil entrará na OCDE’. Quantas mudanças gloriosas neste Brasil da Redemocracia ?!!! O Brasil doutrinado por 9 décadas é muito óbvio. Um amigo com 35 anos de contribuição, exultante pela Aposentadoria. Alertei para conseguir antes da queda da Dilma. Queda da Dilma !!! Impossível, já tenho todos anos de contribuição e tempo. Alguns dias depois, outro conhecido na mesma situação. Fiz a mesma recomendação. É o Brasil. É só ver sua realidade absolutista e autoritária. É só ver a Imprensa. Qualquer semianalfabeto consegue enxergar isto. Resumo, depois da queda da Dilma Governo de Temer, Bolsonaro passando seu 1.o ano, nenhum dos dois ainda se aposentaram. O problema é recente? É de agora? É só por falta de funcionários? Pobre país rico. Doutrinação medíocre e óbvia. Mas de muito fácil explicação.

  2. A nossa grande diplomacia virou pó!
    É pensada por um senhor que vive nos Staites e conhece muito de filosofia e astrologia!

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