Os objetivos do Brasil e o astronazi, por Rogério Mattos

O astronazi e o astro nazi

Os objetivos do Brasil e o astronazi, por Rogério Mattos

As nações tem que alcançar a dinâmica necessária para que não ocorra o desenvolvimento científico e tecnológico sem a preocupação com o social – esse o grande desafio do século XXI. Assim, o astronazi e o astro nazi parecem se mover na contramão da história. Não é o setor de Ciência e Tecnologia, mas o governo como um todo, que se move para o genocídio do social. A ciência e a tecnologia, nesse enquadramento, se torna uma quimera, como foi no governo Temer e de Collor a FHC.

Muito obrigado a todos os que conheceram e acompanharam o blog durante este ano!

O artigo segue abaixo.

Bolsonarismo tout court

Dentre tantas definições possíveis, o bolsonarismo talvez possa ser resumido em uma frase: cegueira ideológica. O atual caso de Israel é sintomático. O governo Lula priorizou o Oriente Médio como um todo e fez parcerias com Israel que, talvez só com muito custo, Bolsonaro consiga alcançar em toda sua amplitude.

Isso foi realidade para todas as relações internacionais, onde um princípio de isonomia, mais do que a escolha de “parceiros preferenciais”, orientou as escolhas do governo. Se houveram preferências, em especial, se deu no aprofundamento das relações do Brasil com os países da América do Sul e com a África. Para quem não sofre de bolsonarismo, fica claro que as prioridades eram feitas para corrigir os desequilíbrios diplomáticos e comerciais, ou seja, a busca pelo princípio de isonomia.

Costumo fazer críticas nominais por acreditar ser mais honesto. Permite a réplica, assim como a elucidação dos trechos dos textos em disputa. No mais, não costumo perder tempo com críticas a quem não considero. Atualmente isso fica ainda mais patente: frente a tantas teratologias políticas, a vontade maior é de rir do que de se ocupar com uma crítica. Contudo, em momento de muitos rebuliços, vou dar aquela de isentão, talvez para agradar os amantes da “objetividade”.

Em artigos de opinião recentes em blogs de esquerda, foi falado sobre o desrespeito de Donald Trump ao retirar as tropas americanas da Síria. Ele deveria consultar antes o establishment, aquele mesmo que se arroga o poder de ser a polícia do mundo. Nunca passaria. Por isso o general Mattis pediu demissão. Em situação de consulta institucional normal, o mais correto seria seguir o modelo Obama, ou seja, de guerra total, com a imparcialidade, com a formalidade, democrática.

Como tive a oportunidade de dizer em amigável escaramuça recente: “criticar Trump por causa de Mattis é fazer a contrapelo apologia do partido da guerra”. Se esquecem que esse mesmo establishment que deve ser “consultado” é o que faz campanha 24 horas por dia para derrubar Trump sob as alegações do “Russiangate”, o escândalo fake que deu origem ao termo fake news. Ora, numa situação de guerra civil declarada, como fazer uma intervenção de peso na política externa sem recorrer aos amplos poderes dados ao executivo federal? Esses que agora se escandalizam não escreveram uma linha sequer quando esse mesmo poder amplo foi usado para provocar dois ataques ilegais contra a Síria, num afã de amortecer o elã sangrento do partido da guerra, Na ocasião, o “Russiangate” tinha seus dias de glória.

Por exemplo, muito criticou-se Ciro Gomes por causa de seu “humor”. Desculpe, mas é para rir, ainda mais porque tem muitas outras coisas bem mais relevantes para serem criticadas e isso bem antes de ele “se revelar” durante as eleições. Igualmente para Trump há uma crítica dos humores. Que seja! Para se ter o mínimo de honestidade intelectual, o desastroso e homicida governo de Barack Obama deveria ser ao menos mencionado, já que seguiu todas as formalidades, o que não o impediu de ser terrível. Peço ao menos um mínimo de comparatismo…

Enumerei alguns dos erros num texto recente. Trump está a uma distância infinita de um Roosevelt, de um Lula, de um JK, como é evidente. Contudo, frente a Obama, a comparação pode ser útil. Eis a pequena enumeração acima mencionada: “O bom democrata Barack Obama montou uma rede imensa de espionagem, fazia suas reuniões de terça-feira para escolher quais inimigos políticos assassinaria (tudo isso que levou ao protagonismo Gleen Greenwald), apertou o cerco contra a Rússia com uma expansão sem precedente da OTAN nas fronteiras do país “autoritário” (chegou a ser levantada a hipótese de se criar uma “zona de exclusão aérea” na Síria que seria simplesmente a primeira trombeta do Apocalipse a soar), além de ter criado a imensa bolha financeira atual com as políticas de “flexibilização quantitativa”, que ameaçam agora estourar com um peso inúmeras vezes maior do que a da crise de 2007-8″.

Não digo que as críticas a Trump sejam despropositais. Acredito somente que são extremamente superficiais, muito formais. Não levam em consideração o contexto de guerra civil neomacartista dos EUA, nem as vantagens para o mundo como um todo de um bom relacionamento das duas maiores potências nucleares do planeta. Pelo menos esses dois pontos, muito simples, deveriam ser considerados. Do contrário, se cai na cegueira ideológica do establishment internacional e, em nome de valores eternos (democracia, respeito as instituições, liberalismo…), repete-se, em sinal contrário, a cegueira ideológica dos olavetes, e se repete acriticamente o macartismo das elites internacionais.

Os erros de Donald Trump

Apesar de bastante pragmático, Donald Trump incorre em erros formais muito próximos aos que apontei acima. Tempos atrás, comemorou os índices do Dow Jones depois de isentar de impostos parcela dos setores mais ricos do país: uma medida tímida para tentar repatriar capitais e investimentos de grandes empresas americanas em seu país de origem. Seguindo a cartilha liberal, disse que os trabalhadores americanos estavam recebendo até 2 mil dólares de bônus como benfeitoria dos ricos em contrapartida às vantagens recebidas.

Continua com a mesma fé nos índices de mercado para basear a confiança em suas medidas econômicas, sem considerar não só o tanto de artificialismo de todas essas métricas (inclusive cálculos de PIB e de índice de empregos), mas como se mascarou, ainda no governo Obama, a suposta recuperação econômica. Esta ocorreu por causa da “flexibilização quantitativa”, os “bail-out” (o resgate das dívidas das grandes corporações pelo Estado), o que gerou uma prosperidade ilusória e aponta para uma catástrofe iminente em pouco tempo. Além do mais, como resultado da crise de 2007-8, muitos aposentados, sem receber pensão dos municípios ou estados falidos, voltaram a trabalhar ainda que em regime parcial, e isso foi contabilizado como “geração de emprego”. Fora os salários congelados ou abaixo da média por anos, o trabalho parcial, e a precariedade para a entrada de jovens no mercado de trabalho, o que resultou nas imensas dívidas estudantis (estudantes que não tem como pagar pelas dívidas que criaram para cursar a universidade).

Sua recente escaramuça com o presidente do Fed resulta de igual percepção nos índices de mercado. Trump quer continuar com taxas baixas de juros para manter por aparelhos a economia viva. Porém isso é apenas espuma no mar revolto da história.

O formalismo de Trump não se restringe ao seu apego aos índices macroeconômicos. Sua própria ideia de protecionismo é unilateral. Não existe a fábula, supostamente ancorada no economista alemão Friedrich List, de que as economias num primeiro momento se protegem para depois, robustas, abraçarem o liberalismo, a abertura de mercado. Visto sob este ângulo, é uma história muito mal contada.

Os EUA do século XIX foi protecionista, sem dúvida, mas o que então impulsionou a industrialização naquele país foi a criação de um sistema de crédito. Num primeiro momento com Alexander Hamilton, depois com o 2º Banco Nacinal, com Nicolas Biddle, além da criação dos greenbacks por Lincoln, para ajudar a financiar a guerra e também sua obras de infraestrutura, como a ferrovia bi-oceânica. Os EUA não eram só protecionistas no sentido de taxar as importações; tinham também uma política de taxas sobre exportações, cujo objetivo era limitar a circulação de moeda estrangeira no mercado nacional, inclusive o ouro do Império Britânico.

O modelo americano de Hamilton, Biddle e Lincoln não é “protecionista”. Muito antes, foi anti-imperialista e com uma imensa máquina criada para valorizar a indústria nacional através do crédito. Esse erro básico de compreensão histórica é que faz associar os EUA sempre com o liberalismo do tipo imperialista ou com um protecionismo meramente oportunista. Trump incorre nesse erro largamente difundido no senso comum. Defende o protecionismo, mas não aparenta ter nenhuma noção de como criar crédito voltado para ao investimento na economia física. Sem crédito, o protecionismo é uma imensa barca burocrático-jurídica encalhada.

Logo se vê, sob esse prisma, a imensa gritaria a respeito da guerra comercial com a China. É gritaria porque se baseia na geral histeria coletiva e porque dificilmente são críticas que possam fazer sentido num contexto mais amplo. Por um lado, é natural a disputa: a China passou a produzir novas tecnologias sem ser aquelas cópias de má qualidade. Com o crescimento do país, isso seria inevitável.

Nunca vivemos um processo parecido, mas se tivéssemos indústrias estrangeiras, por exemplo, produzindo objetos com alto valor agregado aqui e com patente brasileira, poríamos em alguns anos alcançar determinado nível de excelência. Talvez para nossos vizinhos mais próximos, comprar de nossa indústria fosse vantajoso (por incentivos fiscais num contexto de relações multilaterais ou por mera questão de preço e custo logístico). O problema seria quando esses produtos chegassem aos chamados países ricos. Nossa indústria não entraria “naturalmente”, em grande escala, nesses mercados. Se isso é válido para commodities, onde sofremos os maiores bullyings via legislação internacional tradicional, pior seria com produtos mais caros. E gritam que estão quebrando os acordos super-justos que regem a napoleônica “economia global”!

Trump teria duas saídas: reativar a lei de separação bancária Glass-Steagall, criada por Roosevelt após a crise de 1929, e que transformaria todos os “junk bonds” no que são, lixo, e redirecionaria os recursos nacionais para a infraestrutura e para o programa espacial e o de fusão nuclear. Correlato a isso, usar da quantia muito mais do que significativa que possui como dívida perante os chineses como um fundo amplo que seria redirecionado ao país credor através da parceria nesses mesmos três setores acima mencionados. Não se precisa de uma situação de Guerra Fria para se ter parceria de altíssima tecnologia como o setor espacial ou na criação de formas superiores de produção energética – a fusão nuclear. No mais, como esta só é alcançada com hélio-3, ela implica a mineração da lua.

Para os EUA, em linhas gerais, existem essas três opções. Nenhuma delas exclui a outra. Pelo contrário, elas se complementam. A primeira é a única que Trump cumpre: diálogo com as potências nucleares, sem rastro de macartismo – questão de segurança planetária. O segundo seria a reinstauração da lei Glass-Steagall, discutida no Congresso americano em versões bem divergentes. Seria um passo importante e relativamente possível no curto prazo. O terceiro aspecto, ou seja, a ampla parceria entre EUA e China, que de fato recuperaria a economia americana, está num horizonte mais remoto. Há um “medo chinês” no ocidente, em todos os recantos do espectro político, que faz a glória do “mussolinismo” de um tipo como Steve Bannon.

Os objetivos do Brasil

Sem tocar no momento no tema da corrida espacial, que ainda nos parece bem mais do que intangível, o programa de desenvolvimento colocado em execução nos governos Lula e Dilma talvez possam ser considerados a partir de dois eixos. O primeiro, a chamada Amazônia Azul, que implicaria a formação de jovens em especialidades ou inexistentes ou incipientes no Brasil, como a engenharia naval e a biologia marinha. Em conjunto, o programa nuclear seria desenvolvido na esteira da criação dos submarinos de propulsão nuclear, além de inúmeras outras medidas na área de Defesa para defender o patrimônio recém-descoberto. Seria a salvação em curto prazo para o estado do Rio de Janeiro e, para o país seria, sem ufanismo, o que Dilma chamou de “passaporte para o futuro”, porque as riquezas da Amazônia Azul, além de seu valor específico, seriam transferidos através dos royaltes para o imenso fundo social para financiar a educação e a saúde.

O segundo eixo foram os micros, pequenos, médios, grandes e gigantescos projetos albergados no PAC. Nosso Estado sofre de uma burocracia contemporânea do centralismo imperial. Entre os inúmeros danos, os recursos destinados diretamente aos municípios são muito pequenos diante do que acaba nos cofres da União. Com o PAC, muitos municípios pequenos tiveram que contratar técnicos e engenheiros para construir os projetos de melhoria de suas cidades que receberiam os recursos do governo. Num caso como da Europa, por exemplo, apesar da realidade ser diferente por questões variadas, um município para onde vai, proporcionalmente, mais recursos, pode por livre-iniciativa fazer as obras e melhorias que precisa. No Brasil, quase tudo precisa passar pelo governo federal…

Dessa escala micro, podemos passar para os pequenos e médios investimentos, como os realizados no estado e no município do Rio de Janeiro. O complexo petroquímico do Comperj tinha como objetivo decentralizar a importância da capital com a criação de milhares de empregos num lugar que atingiria diretamente a pobre Baixada Fluminense. Em nome do “combate a corrupção”, as vias que levavam ao lugar ajudam agora na logística do tráfico de drogas, além de ainda continuarmos a desperdiçar recursos com uma obra imensa parada. Fora o baile: o projeto de baratear os produtos derivados do petróleo se tornou uma miragem.

Na escala “gigante”, temos a ferrovia norte-sul, trans-nordestina, bi-oceânica, e até o projeto de trens de alta velocidade, todos devidamente engavetados. A integração regional sofre, além, claro, da integração nacional. Conjugado com a paralisação das refinarias e a abertura de mercado da Petrobrás, a carestia e a precariedade da oferta de serviços tende cada vez mais a aumentar, algo que ficou visível em termos com a recente greve dos caminhoneiros.

Outro projeto que ninguém sabe como ficou ou como ficará é o dos caças Grippen. Com um mercado interno continuamente aquecido pela combinação de políticas sociais, valorização real do salário e formalização do emprego e amplas obras públicas, o ABC paulista daria um salto formidável depois de passar o tempo de transferência tecnológica. Seria o lugar da produção de veículos e também de jatos de alta tecnologia.

Frente a crise provocada pela rede de espionagem montada durante o governo Obama, Dilma fez parceria com a Ucrânia pré-Poroshenko para lançar satélites de dupla nacionalidade, via base de Alcântara, para realizar as comunicações entre os brasileiros. No mesmo sentido, foi desenhado um acordo com Portugal para a passagem de um cabo submarino, para a comunicação com o outro lado do Atlântico sem passar pelos mares americanos. Como os Grippen, o PAC, a Amazônia Azul, tudo isso que era discutido no dia a dia do governo, principalmente no de Dilma, virou quimera. Será que o astronauta e vendedor de travesseiros “da NASA” (quem nunca foi numa loja de colchões ou de cadeiras e ouviu o vendedor dizer que era “produto da NASA”?), Marcos Pontes, está minimamente a par desses problemas?

Porque essa é a agenda de no máximo até 2014. Com a continuidade, muitas outros temas poderiam estar sendo debatidos. Todos eles estão diretamente relacionados a Ciência e Tecnologia. Por exemplo, em maio de 2018, a China estacionou um satélite de retransmissão, o Queqiao, na órbita lunar, que permitiu a atual viagem espacial ao chamado “lado escuro da lua”. Com a instalação do satélite permanente, a missão lunar pode se comunicar com a Terra e vice-versa quantas vezes ela for realizada. Agora, a nave está programada para estacionar na lua no dia 3 de janeiro, depois de orbitar por cerca de um mês o satélite natural terrestre. Um robô devidamente equipado irá inspecionar com imagens o solo lunar e o passado geológico desse lugar nunca antes explorado.

Se o Brasil através de muitas lutas dominou o ciclo da fissão do núcleo do átomo, deveria estar em contato permanente com os chineses que, com a nova exploração lunar, pretendem tornar viável a fusão nuclear entre o deutério e o hélio-3. Pode ser algo a ser realizado daqui a vinte ou trinta anos, porém deveria estar na agenda de qualquer ministro da Ciência e Tecnologia, ainda mais se for o caso de um “ministro-astronauta”! Pelo contrário, disse recentemente que quer “levar prestígio” ao setor. Se isso equivale a levar seu nome própria, como numa campanha de marketing, não terá futuro algum. Parece que acredita que o setor que ocupa tem um relação especial com a educação, porém, como mostramos desde o início dessa seção, está relacionado com tudo o que a Lava-Jato, a mídia, a oposição e setores estrangeiros destruíram. Ele é a pessoa certa para enfrentar os principais inimigos da ciência e da tecnologia no Brasil?

O objetivo desta crítica não é chamar o astronazi por um nome que não lhe corresponderia, tampouco me imiscuir em sua duvidosa e meteórica passagem do setor público para o privado, ajudado pela boa máquina de propaganda lulista em seu primeiro mandato, que contou com o acima mencionado e com Ronaldo Fenômeno, o “brasileiro que não desiste nunca”… Os benefícios públicos que recebeu não tiveram retorno além dos que recebeu como cidadão privado. O projeto de continuidade de se manter a figura de um astronauta como referência para projetos em Ciência e Tecnologia no Brasil foi abortado pelo próprio no afã de virar guia turístico e empresário.

Parece ser a marca do século XX o desenvolvimento tecnológico sem uma ampla contrapartida social. Parece que o cobertor é curto: ou se combate a fome e o desemprego ou se investe em grandes projetos de infraestrutura. Numa micro-análise, vemos que Lula focou no primeiro aspecto e o projeto embutido no programa de Dilma cobriria o segundo. As nações tem que alcançar a dinâmica necessária para que um não ocorra um sem o outro – esse o grande desafio do século XXI. Assim, o astronazi e o astro nazi parecem se mover na contramão da história. Não é o setor de Ciência e Tecnologia, mas o governo como um todo, que se move para o genocídio do social. A ciência e a tecnologia, nesse enquadramento, se torna uma quimera, como foi no governo Temer e de Collor a FHC.

Colocar um astronauta com experiência no setor empresarial e no de marketing só corrobora o caráter demagógico de Bolsonaro. Muitos dizem que a futura aliança preferencial entre Brasil e EUA será uma festa na nave dos loucos, porém foram loucos todos aqueles que criaram esse tipo de relação, seja no setor diplomático e comercial ou no setor financeiro, quando houve a quimérica lua-de-mel patrocinada pela dolarização da economia e os juros estratosféricos com a invenção do real. Não é porque o Trump está aí e o Bolsonaro aqui que isso parece catastrófico. Com Temer aqui e, se fosse o caso, Obama lá, daria no mesmo. Ou Clinton lá e o príncipe da Sorbonne aqui.

Como tentei explicar acima, os problemas dos EUA são graves e de longa duração. Bolsonaro produzirá seu teatro demagógico por aqui. Trump se estrebucha por lá, entre sua visão econômica estreita e o valor de conversar francamente com aqueles que os “bem pensantes” da democracia formal chamam de “eixo do mal”. As relações simplórias que estabelecem entre Trump e Bolsonaro não levam em consideração que boa parte do establishment “bem pensante” faz uma ferrenha oposição a Trump desde antes de sua posse. Por aqui a situação é exatamente o contrário. Isso não quer dizer que o establishment esteja certa por estar criticando um “autocrata estilo Putin”. Não está certo porque seus pressupostos: o globalismo, a luta contra o terrorismo, a valorização da política da OTAN extremamente perigosa para a segurança planetária, além do tétrico “Russiangate”, não são balizas meramente consideráveis para basear qualquer crítica. Daí o show de ofensas pessoais ao presidente algo extravagante. Enquanto a crítica não for feita em bases minimamente esclarecidas, elas continuarão a ser risíveis. Mas, para se ter o mínimo de know how para tanto, não Trump, mas a China deve ser conhecida em toda sua extensão. Caso contrário, ou se repetem os argumentos do partido da guerra ou os da “alt-right”, de Steve Bannon.

Devo repetir: somente com o conhecimento mínimo da China, como também da Rússia, pelo menos nos últimos anos, se tem o valor suficiente para se criticar de maneira eficaz Donald Trump e também, por que não?, Jair Bolsonaro. Não por acaso, Rússia e China também fazem parte do “eixo do mal” bolsonárico, assim como de boa parte dos democratas “bem pensantes”.

Rogério Mattos: Professor e tradutor da revista Executive Intelligence Review. Formado em História (UERJ) e doutorando em Literatura Comparada (UFF). Mantém o site http://www.oabertinho.com.br, onde publica alguns de seus escritos.

 

3 comentários

  1. Como sempre, ótimo post.

    Como sempre, ótimo post. Apenas para dar mais peso às informações do Rogério Mattos, post de hoje do G. Gollo informa que a China alcanço feito científico, devidamente escondido pela mídia ocidental, na área de fusão nuclear.

  2. Muito bom. Incrível a

    Muito bom. Incrível a incapacidade da nossa esquerda de compreender o que ocorre em relação ao governo Trump. O artigo aborda essa questão de forma muito interessante.

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