Os planos A, B e C das elites brasileiras, por Fernando Horta

Os planos A, B e C das elites brasileiras, por Fernando Horta

Já é possível pensar sobre o absurdo das eleições de 2018 com um pouco de clareza. A Lava a Jato cumpriu o papel que os liberais pensaram que ela cumpriria: retirou Lula ilegalmente das eleições. Contando com ajudas de última hora dos iluministas e ex-progressistas Barroso e Fachin. Carmem Lúcia e Rosa Weber jogam um papel deprimente, em descompasso com a luta das brasileiras, que já somam mais de 900 mil contra Bolsonaro.

O que a elite brasileira não esperava era que a Lava a Jato fosse realmente libertar o fascismo encruado do judiciário, que já se lançava contra o PMDB e agora contra o PSDB. A prisão de Beto Richa é demonstração de que as togas se transformaram em morcegos a aterrorizarem a República. O Ministério Público parece uma pomba-gira gritando no meio da noite. Não acho que Richa é inocente. Não acho do verbo “eu acho” e “você pode achar diferente”. Nenhum de nós viu o processo. De qualquer forma, a 30 dias das eleições, prender um governador, candidato ao senado enseja as perguntas: se havia provas, porque esperaram até agora? E se não há, para que prenderem um candidato?

Em todo o lugar que se desenvolveu o fascismo, ele sempre precisou dos juristas. O fascismo troca a política pela norma. É a ditadura da “ordem”, o império da punição. A política dá lugar ao exercício do poder, e poucos recordam que o Direito sempre é feito por alguém e com algum objetivo. Em todos os lugares, o fascismo perverteu a lei para atacar seus opositores, ao mesmo tempo que fazia da ritualística vazia do judiciário a legitimidade da aniquilação política dos inimigos.

No Brasil não é diferente.

Tampouco são diferentes os programas das elites. Eu diria até que as elites brasileiras são muito menos capazes intelectual e politicamente do que eram as europeias no período entre-guerras, em que o nazi-fascismo aflorou. Seus planos ficaram muito evidentes para as eleições de 2018.

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O “Plano A” era retirar Lula, amassar a esquerda com a força das togas e dos “profissionais da violência”, apresentar um mentecapto incapaz e violento como alternativa a um gestor competente, benevolente, moderno e experimentado. Assim, esperar o voto maciço em Alckmin. Para isto, Meirelles se diz “candidato do governo” e descola o candidato do PSDB do fracasso que é o governo Temer. Neste arranjo, a Lava a Jato prepara Pallocci para os “efeitos especiais”, caso a esquerda se mostre resiliente. O plano era quase perfeito.

Ele, contudo, não imaginava que a vaidade seria um obstáculo. Temer virou youtuber a lembrar a todos que a ele ainda não foram concedidas as garantias para não ir preso, e que ainda pode dificultar muito as eleições. Ninguém imaginava que Bolsonaro, sempre tão covarde, se imaginaria um Lula ou um Brizola e iria para “os braços do povo” sem um colete ou uma segurança. A covardia perdeu para a vaidade e a facada lhe rendeu míseros 4% de crescimento, que devem se dissipar na medida que ninguém tem empatia por aberrações fascistas.

O PT e Lula também não colaboraram com o plano. Lula se ofereceu como uma pedra na garganta da Justiça, enquanto o Partido dos Trabalhadores segue aumentando seus filiados e capitalizando na incompetência e descaramento do judiciário brasileiro. A ONU é apenas mais um potencializador desta estratégia. Se Lula já é bastante indigesto, a dupla Haddad e Manuela parece afinada.

Eis que surge o plano B. No plano B, a ideia é eleger o monstro e entregar os corruptos do PSDB para saciar a fome de violência dos fascistas. Beto Richa é o aperitivo, já que Gilmar Mendes escondeu o suculento Paulo Preto do apetite dos cães raivosos. Aécio, como se sabe, seria o “primeiro a ser comido”, mas está tão inferiorizado que nem como “boi de piranha” está servindo mais. As elites ricas deste país que pensam em governar com o monstro, através do tal “Paulo Guedes”, desconhecem, todavia, a história. O fascismo não pode ser detido nem pela democracia, nem pelo dinheiro. Depois de estabelecido, ele engole a todos e não tem medo de incendiar, esfaquear, matar e torturar quem quer que seja. O plano B, aliás, foi exatamente o plano da plutocracia da Alemanha de Weimar. Hitler acabou com ele com a Noite dos Punhais de 1934 e a Noite dos Cristais em 1938.

Se pensam poder controlar Bolsonaro, creio que deveriam estudar História do século XX.

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O plano C é a divisão da esquerda através do cavalo de Tróia Ciro Gomes. Com uma vice conservadora, mas ungida pela sororidade com Dilma, Ciro é mais sinuoso que Marina no discurso. Enquanto acena para a militância de esquerda com uma fala nacionalista, repete todo o mantra neoliberal como teoria muda. Defende obsessivamente o controle das “contas públicas”, discursa pela “eficiência do Estado” e o “aumento da produção” como forma de solucionar todos os males. Não bastasse a falta de rigor nas definições anteriores, seu principal assessor econômico avisa aos quatro ventos que vai privatizar muito.

Com um Alckmin que simplesmente não consegue sair do volume morto; um Ciro tecnocrata, com uma vice latifundiária de volta às origens conservadoras seria uma boa alternativa à incógnita fascista. Bastaria que Ciro acenasse com a possibilidade de aceitar uma composição com a centro-direita e com os interesses internacionais. Ocorre que Ciro já fez isto e de forma eloquente. Não apenas a história político-partidária de Ciro mostra a absoluta zona de conforto do candidato com os programas da direita “civilizada”, como já na campanha Ciro elogiou a Lava a Jato, cortejou o DEM e o PP e admitiu que para fazer reformas “é preciso negociar”. Os gritos de “acabar com o rentismo”, “retomar o pré-sal” e “revogar as leis trabalhistas” são apenas isto mesmo … gritos para tirar a atenção de que qualquer um destes objetivos necessitaria de um acordo legislativo que as bancadas que Ciro busca apoio jamais aceitariam.

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De qualquer forma, um amigo antigo de Tasso Jereissati, ex-ministro de Itamar Franco, colega de partido de Fernando Henrique e que nos seus 36 anos de vida pública nunca pisou num partido de esquerda é muito mais palatável do que Fernando Haddad para a nossa plutocracia. Antes que digam, o atual PDT que votou a favor da reforma trabalhista faria Brizola “dar de relho” em todos. E sim, uma enorme quantidade de políticos que haviam sido “expulsos” por “desobedecer” o partido, já foram reinseridos nos quadros do trabalhismo brizolista. A política é mesmo “dinâmica”.

Assim como no “esquema infalível” de Feola, em 1958, faltava combinar com os russos, a plutocracia brasileira esqueceu-se de combinar com o povo. O nervo exposto que é Lula preso e a impossibilidade de controlar o fascismo tornaram o jogo das eleições de 2018 bastante perigoso. A verdade é que todos os jogadores já estão quase com as apostas máximas e faltam poucas cartas a serem abertas.

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21 comentários

  1. Dossies contra haddad no PiG em 3…2..
    1

    Algum comentário sobre por que Morais não fulminou Bolso ontem com o racismo e ficha limpa? Isso abriria um 2o turno Ciro x Marina ou Haddad

  2. Combinar com o povo disse o

    Combinar com o povo disse o missivista? Mas o que o povo tem a ver com tudo isso ? O povo NÃO esta sendo consultado, muito menos será ouvido  ..POVO é secundário aos interesses envolvidos (a não ser como mercado a ser explorado e mantido)

    O GOLPE esta em andamento  ..ta faltando dar um lustro, pra depois os FASCISTAS + EUA assumirem o comando

    Pra ficar bonito, o tal lustro, melhor “o povo” fazer o servicinho e não dar na vista  ..mas se ele resistir e tudo der errado, vai no COTURNO mesmo

    Parece que a turma não aprendeu com a história  ..como noutros tempos os morcegões continuarão dando a impressão de que tudo esta dentro da LEI e da constituição  ..os militares já não mandam mais sinais, agora já nos AMEAÇAM ..e o povo, informado por uma imprensalona e por analistas INOCENTES e fraquinhos, acha que tudo vai se ajeitar na boa

    FATO  ..LULA da SILVA deverá ser condenado pois JAMAIS a Instituição çuprema dos togados se permitirá carregar a mácula de  golpista, injusta, omissa, manipuladora, criminosa, arbitrária e VAGABUNDA 

    Claro que todos se salvarão se o grande Líder, O MAIOR DE TODOS OS TEMPOS, por algum motivo, passado um tempo, vier a SUCUMBIR e morrer na cadeia antes que seu processo seja sentenciado pelo STF 

    se assim, 48 h de lamento e chororô, e o “tal povo” esquece tudo e começa a falar no próximo jogo da seleção

     

     

    • “se assim, 48 h de lamento e

      “se assim, 48 h de lamento e chororô, e o “tal povo” esquece tudo e começa a falar no próximo jogo da seleção”

      Perfeito. Isso resume bem o tamanho do problema em que estamos.

      Nosso problema é de cidadania. Não temos como ter esperança em um país em que a população se importa mais com novela e futebol do que com a eleição.

      Toda essa injustiça que vem ocorrendo me fez enfrentar a terrível verdade que vivemos: nosso povo é servil. Preferem ser pisados eternamente à levantar a cabeça e lutar. A esmagadora maioria dos brasileiros não possuem grandeza de caráter, são minúsculos. O tal do brio é lenda urbana…

      Ao mesmo tempo que estou chocado com essa realidade, uma parte de mim está em paz. Afinal, um povo desse calibre merece Temers e Bolsonaros. O Brasil é o país em que o ditado “Cada povo tem o governo que merece” pode ser colocado na constituição.

      • O Povo Prisioneiro

        Não podemos nos esquecer que o povo está algemado mentalmente pela mídia plutocrática. Não havendo contraditório (a mídia alternativa na web tem traços de audiência) as manipulações passam a ser “a verdade”. A programação da TV (não só o jornalismo) é cuidadosamente projetada para prender e influenciar a audiência ao máximo. Sem ilusões, a internet (e etc.) está em grande parte sob domínio da elite endinherada. A educação formal, pública ou privada, não estimula o raciocínio crítico. Muito ao contrário, ela reforça a passividade e o conformismo. Resultado: é irrisória a fração que consegue sair dessa prisão mental.

  3. Brigar entre as esquerdas e deixar o caminho pra direita ganhar?

    Caro Fernando,

    costumo ler seus artigos, nem sempre concordo, o que é óbvio (você não é dono da verdade, que sequer existe), mas neste você foi extremamente infeliz – um daqueles textos que pode ser classificado como contraproducentes.

    A ideia que subjaz no texto é de um maniqueísmo refinado, mas maniqueísmo, e trabalha a partir do pressuposto de que seja possível uma “política pura”, onde um lado não precisa ceder a interesses outros. Você está entrando na política agora, mas deveria já saber isso de antemão: política é suja (igual as salsichas), é preciso ceder ao outro campo, é abrir mão de algumas propostas importantes em nome de outras, imprescindíveis; é montar subir em palanque com golpista, como Haddad-Eunício. Poderia ser diferente? Tenho esperança que, em alguma medida, possa vir a ser. Por ora, é o que temos.

    Que Ciro seja mais palatável às elites, isso não o transforma em representante delas. Que ele tenha divergências com relação ao projeto petista, é justo e respeitável, mesmo que não se concorde – a despeito das diferenças, ele se põe no campo progressista, nacionalista (não chauvinista), democrático e antigolpista. Ele não ser petista não o torna direitista ou golpista (inclusive se tivesse sido do PT, era mais fácil de hoje ser um dos benfazejos das elites, como Gabeira, Marina, Palocci, Delcídio, etc). O PT não é o detentor do único projeto para esse campo (como você pressupõe) e precisa aprender a lidar com isso. A estratégia de Ciro, inclusive, é reviver o pacto lulista, com parte das elites, daí uma ruralista como vice. Não acho que seja caminho para o momento, mas também não sei qual o caminho – sem dúvida, Kátia Abreu é mais confiável que Michel Temer.

    Se Ciro fosse do campo golpista, fica a pergunta: por que o PT queria ele como vice?

    Para concluir seu artigo, só faltou coragem para dizer que tanto faz Bolsonaro, Alckmin ou Ciro.

    Por favor, vamos centrar forças para combater quem realmente precisa ser combatido. Num segundo turno Ciro-Haddad você desce o cacete no Ciro, por ora, melhor garantir que os próximos anos não estejam nas mãos de quem esteve nos últimos dois (quatro?) anos, seja Ciro, seja Haddad.

    E ainda não decidi meu voto, mas me pergunto seriamente se, diante do contexto brasileiro atual, um coronel esclarecido não é melhor que um quadro ideal para uma democracia republicana nórdica consolidada.

    • Amigos… A situação é tão

      Amigos… A situação é tão confusa, que me vejo na condição de achar coerentes as opiniões tanto do Horta como do Dalmoro.

      A coisa está mais dificil de prever do que jogo de “bridge”, onde as jogadas são escondidas e blefadas, tornando-o mais imprevisível do que jogo de xadrez…

      Abraços e avante! Seja com quem for.

      E… Olho no LULA! Não podemos esquecê-lo lá sózinho, sob pena dele ter o mesmo destino de Marisa…

    • Conforme palavras desse

      Conforme palavras desse colunista agora só existem dois lados, PT e os outros, pra mim estás totalmente equivocado, daqui a pouco até o PSOL é das elites para esse cara. O segredo agora é bater no Ciro e fazer uma lavagem cerebral nos petistas para pintar com tinta guache um Ciro de direita. Para que sabe existem muitos equivocos do PT e do próprio deus petista Luiz Inacio Lula da Silva, como colocar uma mulher totalmente despreparada como sua subistituta, colocar um vice como o chefe de quadrilha Michel Temer, se aliar a um partido como PMDB, subir no palanque com Renan Calheiros golpista depois do golpe e outras politicas economicas que priorizaram os milionários.

  4. Colhí coisa boa desta Horta,
    Colhí coisa boa desta Horta, estava pensando em votar no Ciro mas essa de o seu principal assessor querer privatizar muito já é demais, não quero este peso nas costas não, Obrigado pelo artigo!

  5. Às esquerdas: Derrotar Bolsonaro e derrotar o PT por isto:

    fora eu supor que é baixíssimo o nível de politização dos assíduos frequentadores da blogsfera, este é a amostra entre os que animam setores pseudo-progressistas (mas, sendo uma opinião, pode-se descartá-la, não ligo), remeto a Cartas Na Mesa, no site “insight” (quem tiver preguiça ou já souber de tudo do decano respeitadibilíssimo W. G. dos Santos e suas palavras fortes, esqueça),Vou ter que usar outras palavras: As esquerdas, e as esquerdas brasileiras, precisam derrotar Bolsonaro e o PT (qualquer que seja seu bom candidato): virou uma seita em torno de um habilidoso guru que nunca admitiu um 2º que pudesse brilhar. Isto é pior do que direita: esconde, pra quem não se cegou,os piores exclusivismos pra continuar. Ou alguém no fundo, tem dúvidas de, pela lógica humana, os processos não têm procedência? É, não tem registros em cartórios. mO divisisonismo do PT e parcelas de seus religiosos cegos dividiram as esquerdas, desde muito antes, intrigas e mentiras, crentes precisam de credos, de ídolos, não entendem nada de transformação, de revolução, que deve vir do povo e de um líder limpo, genial de verdade, não de um marketing já bastante analisado nos vários livros sozinho em em companhia por André Singer, o pensante do PT, por isso mesmo, por botar dedos na ferida, foi escanteado no partido, quer dizer, da igreja. Uma renovação talvez sirva pra arejar dos fanáticos, e pra reflexão dos socialistas, comunistas, democratas-radicais, independentes, se continuarem a briga de foice interna, aí, não tem jeito. Se usam traidor pro PPS (que abomino), não menos traidor é como foi e está.

  6. FEITOS CIRO GOMES

    FEITOS CIRO GOMES:  [ não está na fonte de onde copio: C. Gomes não tem a mínima sugestão de ter tido, ou ter relações com a corrupção, de se ter corrompido pouquinho ou muito, de ser extremamente inteligente, mas sem usar de habilidades de ator ]

    COMO PREFEITO (1988-1990):

    ► Em apenas um ano, limpou as ruas, tapou buracos, reabriu postos de saúde, recuperou escolas e colocou em dia os salários dos 22 mil funcionários do município.

    ► No ano seguinte, obteve o melhor índice de aprovação entre os prefeitos das capitais, com 77% da avaliação de seu desempenho como ótimo/bom, segundo a Folha de S. Paulo.

    COMO GOVERNADOR (1991-1994):

    ► incentivou a criação de micro e pequenas empresas pelo interior do estado ► deu continuidade ao enxugamento da máquina administrativa iniciado na gestão de Jereissati

    ► combateu a sonegação para aumentar a arrecadação ► investiu maciçamente em saúde e educação

    ► Sua gestão transformou-o em campeão de popularidade entre os governadores, com 64% de aprovação, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em julho de 1992.

    ► Reduziu em 1/3 os índices de mortalidade infantil no estado, por meio do programa Viva Criança

    ► foi o primeiro governante latino-americano a receber, em 1993, o prêmio Maurice Paté, concedido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

    ► Para realizar esse trabalho, contou, além do engajamento da Igreja Católica e dos meios de comunicação, com um verdadeiro exército de agentes de saúde que levou assistência médica a 350 mil famílias, atingindo quase 1/3 da população cearense.

    ► construiu com a ajuda de pequenas empreiteiras, de um canal de 115 quilômetros para levar as águas do rio Jaguaribe até a capital, numa tentativa de enfrentar os problemas ocasionados pela grande seca sofrida pelo estado em 1993.

    ► trabalhou para o impeachment de Collor em 92 e deu apoio para o governo de Itamar Franco

    ► Deixou o governo do Ceará com o mais alto índice de aprovação – 74% – entre os governadores de 12 estados pesquisados pelo Instituto Datafolha naquele mês

    ► proporcionou ao estado do Ceará um crescimento de 8% em seu produto interno bruto

    ► assegurou 50% da arrecadação mensal do estado para investimentos ► zerou as dívidas interna e externa do Ceará. COMO MINISTRO DA FAZENDA (1994):

    ► bom comunicador, com estilo direto, contundente e impetuoso de criticar os adversários, passou a ser considerado um político que não ficava “em cima do muro”. Sua indicação para o Ministério da Fazenda reforçava a posição do seu partido no governo federal e garantia a continuidade do Plano Real.

    ► reduziu as alíquotas de importação de 445 produtos para evitar a inflação dos preços causado pela alta demanda e a baixa oferta de produtos brasileiros ► interferiu nas negociações da greve dos petroleiros, confrontando os sindicalistas, cancelando o acordo fechado pela Petrobras com os petroleiros que dava aumento salarial acima do IPA, o que causaria o repasse dos aumentos para os preços

    ► Para preservar a continuidade do plano de estabilização econômica, se manifestou contra a proposta de elevação do salário mínimo para cem reais.

    ► extinguiu a cobrança do PIS/Pasep e do Cofins sobre as exportações para dar mais competitividade à economia

    ► criou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que deveria substituir a Taxa de Referência (TR) nos financiamentos à produção para para acabar com a indexação na economia

    ► Para implementar a TJLP, bateu de frente com o secretário-executivo de seu ministério, Clóvis Carvalho, que havia engavetado o projeto

    ► bateu de frente com a FIESP ao classificar como “terroristas” as reações do empresariado paulista às medidas tomadas para conter o consumo

    ► alertou os consumidores para não pagarem ágio na compra de carros populares

    ► chamou de “ladrões” e “canalhas” os empresários que o cobravam ágio da população

    ► viajou para Buenos Aires para discutir com o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, uma ampla pauta de assuntos que incluía desde padrões de embalagens até a política automotriz, e acertar os termos finais do acordo sobre tarifas do Mercosul, que seria assinado no mês seguinte na cidade de Ouro Preto (MG).

    ► criticou duramente a escolha do senador José Serra (PSDB-SP) para ministro do Planejamento do novo governo de FHC, acusando-o de ter combatido a política cambial que sustentava o Plano Real.

    COMO MILITANTE POLÍTICO (1995-2002):

    ► estudou Economia Política na Universidade de Harvard (EUA) por 1 ano e meio e pesquisou sobre as premissas para desenvolvimento econômico das nações

    ► criticou política do Estado mínimo” praticada por FHC

    ► defendia um Estado forte, planejador e dirigista, capaz de fixar metas para a sociedade e de definir políticas sociais e de desenvolvimento para o país

    ► denunciou a cultura política da conciliação e da transação que sempre marcou o pensamento conservador brasileiro e tem surpreendentemente encontrado em nosso governo uma prática absolutamente inquietante

    ► criticou FHC por estabelecer um modelo de interlocução política desgastante por ser personalista, não institucional, simplificador de complexidades sofisticadas, tudo perdoado em começo de governo, mas de preço caríssimo se levado assim por muito tempo

    ► articulou com o economista e professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger, a formação de um grupo voltado para a busca de novas opções políticas, que incluía cientistas políticos como o mexicano Jorge Castañeda e políticos como o ex-presidente Itamar Franco, o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT-RS), e o senador Pedro Simon (PMDB-RS) ]

    ► criticou a política econômica de Fernando Henrique em relação à venda do patrimônio público, à explosão das dívidas interna e externa, e à valorização artificial do real

    ► sugeriu a centralização do câmbio e o controle sobre a fuga de capitais como medidas emergenciais para a crise

    ► defendeu que o governo procurasse os credores para negociar um alongamento do perfil da dívida. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pela economia brasileira residiam na política econômica “conservadora” adotada pelo governo, e apenas exigir mais sacrifícios da população para cumprir as metas de ajuste fiscal não resolveria o problema.

    COMO MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (2002-2006):

    ► coordenou os projetos de revitalização da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que haviam sido extintas durante o governo FHC

    ► coordenou o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, que beneficiaria 12 milhões de pessoas distribuídas em quatro estados: Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.

    Fonte: Youtube (link que leva a um comentário:)

    http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/ciro-ferreira-gomes

     

    • Escolha a dedo, hem? Faltaram alguns…

      Reproduzo aqui um comentário de Neotupi de que gosto muito:

      Ciro nao é de esquerda, é liberal civilizado

      “Ele representa mais o pensamento empresarial do capital produtivo civilizado (tão de “esquerda” quanto um Cláudio Lembo ou Bresser Pereira). Mas ele é a favor de privatizações, contra greves e a favor políticas de austeridade ortodoxas na economia. Quando foi ministro da fazenda no governo Itamar, apoiando a candidatura de FHC, defendeu o Consenso de Washington, foi o primeiro a defender a privatização da Vale quando nem estava em pauta, defendeu abertura comercial unilateral sem exigir contrapartidas, e convenceu Itamar a ameaçar demitir petroleiros em greve em vez de negociar. Nas eleições de 2002, no primeiro turno, quando ainda tinha expectativas de tomar de Serra o segundo lugar, fazia dicurso do mercado de que “Lula iria tocar fogo no Brasil” e escolheu como conselheiro econômico José Alexandre Scheinkman, neoliberal até a medula. Ele foi contra a política de cotas raciais, foi contra o piso nacional dos professores, e tem afinidades com as políticas estadunidenses do Banco Mundial (quase sempre privatizantes e “meritocráticas”).

      Ciro é excelente pugilista contra a extrema-direita, ótimo debatador, ótimo crítico de problemas macroeconômicos nacionais (mas criticar juros altos é apenas apontar o óbvio, até Joaquim Levy criticava) e o acho melhor candidato do que os outros de direita. Mas, sem ficcionar nossos próprios desejos do que gostaríamos que ele fizesse, qual é exatamente o programa de governo de Ciro? Qual é o compromisso dele na economia e com os movimentos sociais?

      Ciro critica juros, mas não se iludam: o mercado prefere ele do que um lulista como Haddad.”

       

      • Marcos Lisboa.

        Ciro é de direita né? Mas quem está querendo Marcos Lisboa como Ministro da Fazenda é o Sr, Hadadd. Quem é o liberal civilizado então? Quem propõe o que propõe o Ciro ou quem quer botar um Levy melhorado no mnistério? Francamente!

  7. fake escriba.

    Não é de hoje que o Sr. Fernando Horta vem atacando o Ciro com teses, no mínimo canalhas. Discorde dele, ataque seus planos, mas jamais se poderá dizer que ele representa as elites. Quem disse o que disse hoje o Ciro na sabatina do Globo parece-se com um representante da elite? Representante da elite é o senhor é o seu Haddad que já está sinalizando com uma equipe neo-liberal do perfil Marcos Lisboa. Hadadd pode eventualmente ir ao segundo turno contando com a máquina de penas compradas da blogosfera, mas nos entregará aos facistas ao perder as eleições.

    • Fala sério!!
      Ciro é arena,
      Fala sério!!
      Ciro é arena, pds, psdb, muda de partido com frequência. Não se apega ao que diz. Sempre foi duro com a esquerda e amigo das elites.
      É grosso. E até as pedras sabem que esta fechado com o centrão para dar continuidade ao desmonte. As privatizações serão padrão no seu governo neoliberal.
      Para enganar vai manter as jóias da coroa, Petrobras, BB, caixa.

  8. Como é possibel o TRIBUNAL

    Como é possibel o TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL permitir a continua divulgação de pesquisa eleitoral feita por um banco, o BTG PACTUAL, que tem altos interesses na eleição, como é natural sendo esse o maior banco de investimentos do Pais.

    NÃO É UM INSTITUTO DE PESQUISA, não tem isenção, tem interesses.

    A pesquisa BTG PACTUAL feita ao que parece todo dia é berrada aos quatro ventos pelas radios fascitas para influenciar o eleitor, É FEITA POR TELEFONE, mas isso não é muito explicitado, só o resultado.

    Com tantas  regras e micro regras do TSE como passa essa boiada?

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